4.8.12
DICA FREE: Diários,um documentário ao vivo
Entra em cena hoje, sábado, na SP Escola de Teatro, Diários um espetáculo constituído a partir do chamado Teatro Documentário. O tema, dos mais essenciais, é o universo escolar. Sob a batuta de Leonardo Costa e Deborah Andrade do coletivo Quase 9 Teatro sobem ao palco, ao invés de atores, cinco professores de escolas públicas de São Paulo, suas memórias e suas histórias. E à semelhança aos diários de classe, são reveladas suas trajetórias profissionais e de vida. Às 8 da noite no sábado e às 7 no domingo.
2.8.12
DICA FREE: UMA CHANCE PARA VER O CINEMA DE BORDAS
O Cinema de Bordas em sua quarta edição traz produções caseiras, de baixo orçamento e estética trash que normalmente são exibidos em circuitos periféricos. A proposta é ótima e leva ao público em geral vídeos de todas as partes do país e, mais interessante, de atores, atrizes, produtores e realizadores que se conheceram em edições anteriores da Mostra e uniram forças para novas produções trabalhando juntos. Ponto para o Itaú Cultural e para os realizadores. Confira a programação das exibições, de hoje até dia 5, na agenda free.
29.7.12
Os rumos de Ricardo Herz e Samuca do Acordeon
por Helena Piccazio
| Samuca do Acordeon, eu e o Ricardo Herz foto por Bruna Piccazio |
Eu fui pensativa e a pé até o Itaú Cultural, procurando no fundão da memória a
última vez que havia visto o Ricardo.
No Colegial, nos longínquos idos de 1996-7, foi a primeira vez que ouvi falar
dele e como eu circulava pela escola com o violino pra cima e pra baixo sempre
havia alguém para me falar do ex-aluno músico. Até que um dia, o Ricardo
apareceu na escola e com um amigo que tocava violão (não lembro o nome!) fez um som no intervalo, no pátio.
Fiquei assistindo, encantada. No final, a gente conversou e ele perguntou:
"Por que você não faz teste lá na minha orquestra?".
Era a Orquestra Experimental de
Repertório. Segui a sugestão e acabei entrando na orquestra onde fomos colegas
por mais de um ano, se não me engano, até que os estudos nos levaram a cantos
diferentes do mundo. Anos depois, descubro vídeos dele tocando música
brasileira com grupos muito legais e acabamos nos reencontrando no bom e velho
Facebook. Ricardo Herz não estava mais como eu me lembrava dele - de cabelo
extremamente curto, terno e gravata tocando música clássica -, mas sim a
figurinha que vemos nos muitos cartazes de shows e anunciava a sua volta ao
Brasil, depois de muitos anos de França. E na sexta passada foi a primeira vez
que eu o ouvi tocando ao vivo o seu som.
Cheguei ao Itaú Cultural achando que iria encontrar uma super fila. As pessoas
estavam espalhadas pelo hall de entrada e, mesmo discretamente, não tiravam os
olhos da bilheteria, esperando que aparecesse alguém ali para sair correndo
atrás do ingresso. Mas tinha para todo mundo, até sobraram alguns lugares vagos
na plateia - o que achei estranho, confesso, em um show (gratuito) que prometia
ser muito bom.
O show faz parte do Projeto Rumos, do Itaú Cultural, que une artistas que nunca
trabalharam juntos para realizar um espetáculo: tudo super programado,
monitorado, com assistências mil e que depois vira CD, e todas essas
informações são exibidas em vídeo antes do inicio do show. O trabalho da dupla
começou em 2010 e esse foi o show de estreia. Achei a ideia genial! São 4 grupos,
4 espetáculos, em noites seguidas, sempre às 20h.
A mistura de violino com acordeon, de ritmos e influências brasileiras, deu
origem a um espetáculo variado, de arranjos criativos e muito bem tocados,
mesmo que curto. Eu já era fã do Ricardo, mas fiquei impressionada com o
Samuca... eu nunca tinha ouvido falar dele, nem do som dele e adorei ele
tocando!
Os dois apresentavam as músicas contando um pouco sobre o lugar de onde elas
vieram, algo interessante sobre o autor (como o fato de Luiz Gonzaga ter
composto choros e sambas, além do famoso baião) ou sobre o processo criativo do
recém-formado duo, mas sempre de forma muito descontraída e engraçada. Ouvimos
música muito boa e demos altas risadas.
O público adorou! Eles voltaram para dois bis e mesmo assim ficou o gostinho de
quero mais.
Nota: 9
Custo: 6 reais (café e pão de queijo)
23.7.12
DICA FREE: MÚSICA E TEATRO
Hoje já é dia 23 de julho, aproveite os programas da cidade enquanto ainda estamos em férias. As 7 da noite tem música boa no Sesc Consolação com Patavinas Jazz Club e uma hora depois, às 8, o espetáculo OhAmlet, da Cia. Artehúmus de Teatro. na Oficina Cultural Oswald de Andrade, baseado na obra de Shakespeare e na fábula Amlet, de Saxo Grammaticus.
10.7.12
DICA FREE: SAMBA DA VELA NA GALERIA OLIDO
Além do bom cinema nas sessões do CineSesc e do Sesc Pinheiros, hoje, terça, é dia de comemoração na Galeria Olido: 12 anos da boa música do Samba da Vela, às 7 da noite. Confira O samba e a agenda!
5.7.12
DICA FREE:100 anos de Kinoshita Keisuke


A Fundação Japão e o Sesc Pinheiros promovem uma mostra comemorativdos 100 anos de Kinoshita Keisuke(1912 1998),um dos mais populares cineastas japoneses do período do pós- Segunda Guerra. Keisuke foi diretor, escritor e produtor e especializou-se em fazer dramas sentimentais e comédias com o uso inovador de cenários expressionistas. Vale a pena conferir. Veja a programação na agenda, só hoje serão exibidos quatro filmes em diferentes horários. A retrospectiva vai até o próximo dia 12. Fotos divulgação Jojoscope
22.6.12
NOTICIAS DO COMODORO
Por Claudia PiccazioDesde a morte do cineasta Carlos Riechenbach, 67 anos, no dia 14 de junho, estou tentando acomodar uma tristeza incomum, daquelas que faz a gente ficar muito quieta. Certeza de que seres como ele, vivos, garantem o alento de que precisamos para suportar a opressão que bate todo o dia, mesmo quando o dial está no grau máximo tornando visível a insana força do opressor. Mais ainda, nos apazigua.
Tive apenas dois contatos com Carlos Riechenbach. O primeiro em uma oficina de roteiro nos anos 90 e o segundo participando da equipe de roteiro do projeto Empédocles, momento em que ele estava fascinado com as possibilidades da câmera digital pela agilidade e pela redução considerável no orçamento de uma produção. Falava dela incansavelmente, como a pedra de toque que permitiria aos que faziam cinema fazer mais cinema e dar aos que chegavam o estímulo necessário para não desistirem.

Foram encontros breves, mas penso que até um simples café num balcão de um bar bastaria para entender que nele o cinema era a desculpa perfeita para o exercício de uma existência generosa e apaixonada.
Dias atrás, fui buscar notícias da Sessão do Comodoro que, há anos, acontece toda a primeira quarta feira do mês no CineSesc e é aberta ao público. Nela, Reichenbach exibia e comentava, em versão original, filmes de seu acervo particular. Eram encontros importantes e fiquei feliz em saber que vão continuar, “com filmes pra mais de cinco anos”.
De qualquer forma, o legado que o cineasta deixou para a História do Cinema e no coração daqueles com quem conviveu é determinante, essencial. Há um preceito cabalista que afirma ser a existência do mundo garantida pela existência de 36 justos que nele habitam. Às vezes, a morte de um deles acontece com a clara intenção de promover uma grande brecha de luz e assim equilibrar forças.
À semelhança de tal preceito, me convenço de que a morte de Carlos Reichenbach não foi apenas uma partida.
Acessem o site www.olhoslivres.com e procurem conhecer mais de perto o trabalho dessa grande figura.
20.6.12
DICA FREE: ANTES DO JOGO
Dá pra fazer pelo menos um desses programas antes do matador jogo de hoje à noite. Às14h30, Vanessa Meiriqui contará Histórias de todos nós, na Biblioteca Camila Cerqueira César. Às 16h, será exibido o filme Separações da Mostra Domingos de Oliveira, na Estação Caneca. Às 16h30, Anaí Rosa se apresentará, no SESC Pompeia. Às18h, Attilio De Gasperis fará uma leitura de Giovanni Pascoli, La Quercia caduta e às19h30, Davide Rondoni e Antonio Riccardi apresentarão a poesia contemporânea italiana, na Casa das Rosas. Às 20h30, será a vez da Poesia dos 4 Cantos - Noite judaica, com Moacir Amâncio, César Assolant e Jardel Caetano e Fortuna: danças, leitura e música no Centro Cultural São Paulo. Depois disso, é sofrer na frente da tv ou da tela do computador.12.6.12
SER OU NÃO SER. A QUESTÃO CONTINUA...
Por Luciano Piccazio
Imortal. Não há outra palavra para descrever Shakespeare. Em seu livro Hamlet, obra prima do escritor, descreve um drama humano que é eternamente atual: o drama humano.
O príncipe da Dinamarca, logo no início do livro, tem de enfrentar uma questão: o fantasma de seu pai, recém-morto, lhe aparece e diz que quem o matou foi o tio de Hamlet, que com isso herdou o trono e casou com sua mãe. O espectro lhe pede duas coisas: vingar sua morte matando o próprio tio e resgatar sua mãe, que está como que cega para tudo que lhe rodeia.
Ser ou não ser, viver ou não viver, enfrentar o seu destino ou permitir que este lhe apareça como uma torrente, uma onda de dez metros de altura a lhe devorar. E a questão lhe devora durante todo o livro.
É a nossa vida. De todos e de cada um em particular. No caso de Hamlet, sabe que ao realizar o desejo de seu pai estará escrevendo seu próprio destino: “o mundo está de pernas pro ar. Infeliz de mim ser a pessoa escolhida para consertá-lo”.
Shakespeare, gênio, prevê o mundo que lhe seguirá. Lá, em meados dos anos 1600, percebe que o mundo que o seguirá (e que hoje nos preenche) é um mundo de aparências, um mundo repleto de pessoas que “parecem”, mas que na verdade não “são”. Quando sua mãe lhe diz que está parecendo estranho, responde: “parece? Ignoro o que seja parecer”. Ao mesmo tempo em que recusa o universo das aparências, percebe que é necessário jogar o jogo para conseguir levar a cabo sua missão: se faz de louco (parecer) para conseguir manter-se são (e salvo), num mundo que está cada vez mais louco.
E nós? Somos ou parecemos? Somos ou não somos? Mais vale sermos passivos num mundo que nos recebe com pedras e setas ou resistir e enfrentar este mar de provações e provocações de frente, com a cara e a coragem?
É a questão que continua atual e imortal...
(publicado no site area geek http://www.areageek.com.br)
Imortal. Não há outra palavra para descrever Shakespeare. Em seu livro Hamlet, obra prima do escritor, descreve um drama humano que é eternamente atual: o drama humano.
O príncipe da Dinamarca, logo no início do livro, tem de enfrentar uma questão: o fantasma de seu pai, recém-morto, lhe aparece e diz que quem o matou foi o tio de Hamlet, que com isso herdou o trono e casou com sua mãe. O espectro lhe pede duas coisas: vingar sua morte matando o próprio tio e resgatar sua mãe, que está como que cega para tudo que lhe rodeia.
Ser ou não ser, viver ou não viver, enfrentar o seu destino ou permitir que este lhe apareça como uma torrente, uma onda de dez metros de altura a lhe devorar. E a questão lhe devora durante todo o livro.
É a nossa vida. De todos e de cada um em particular. No caso de Hamlet, sabe que ao realizar o desejo de seu pai estará escrevendo seu próprio destino: “o mundo está de pernas pro ar. Infeliz de mim ser a pessoa escolhida para consertá-lo”.
Shakespeare, gênio, prevê o mundo que lhe seguirá. Lá, em meados dos anos 1600, percebe que o mundo que o seguirá (e que hoje nos preenche) é um mundo de aparências, um mundo repleto de pessoas que “parecem”, mas que na verdade não “são”. Quando sua mãe lhe diz que está parecendo estranho, responde: “parece? Ignoro o que seja parecer”. Ao mesmo tempo em que recusa o universo das aparências, percebe que é necessário jogar o jogo para conseguir levar a cabo sua missão: se faz de louco (parecer) para conseguir manter-se são (e salvo), num mundo que está cada vez mais louco.
E nós? Somos ou parecemos? Somos ou não somos? Mais vale sermos passivos num mundo que nos recebe com pedras e setas ou resistir e enfrentar este mar de provações e provocações de frente, com a cara e a coragem?
É a questão que continua atual e imortal...
(publicado no site area geek http://www.areageek.com.br)
8.6.12
DICA FREE: MOMENTO ITÁLIA-BRASIL
Hoje, sexta, às 8 da
noite e amanhã, às quatro e meia da tarde. duas poetizas italianas Mariangela
Gualtieri e Tiziana Cera Rosco estarão na Casa das Rosas para perfomances e
leitura. A programação faz parte do Momento Itália-Brasil.
As duas poesias
publicadas no site da Casa das Rosas mostram um pouco do trabalho de ambas. Vai
ter tradução simultânea, mas o bom mesmo é ouvir no idioma original, como
música!
Fotos: divulgação
6.6.12
DICA FREE: SESSÃO DO COMODORO
Se você tem mais de 16 anos, beleza! Pode assistir Banho de Sangue (Reazione a Catena - 1971) de Mario Bava na sessão do Comodoro, no CineSesc. O filme inaugura o genero slasher onde sobram cadáveres, assassinos, psicopatas e afins, por isso a recomendação em relação a idade. Hoje, quarta, às 21h30. Um clássico!
1.6.12
DICA FREE: CINEMA, CINEMA, CINEMA
Muito cinema na primeira quinzena de junho: Mostra Africa Hoje, Mostra Audivisual Israelense, IN-EDIT Brasil e as especiais das bibliotecas públicas. Hoje as sessões começam as três da tarde com Brilho eterno de uma mente sem lembranças na Biblioteca Roberto Santos, as quatro, Africa Hoje com Marrabentando na Caixa Cultural SP, no mesmo horário Audivisual Israelense com Charlie e Meio, no CINUSP e as cinco horas IN-EDIT Brasil - Curta Um Som 1: Eu, no MIS. E por ai vai até as oito e quinze da noite. Leia a programação completa das sessões na nossa agenda www.artefree.blogspot.com
31.5.12
DICA FREE:RICARDO HERZ NA FNAC DA PAULISTA
A forma como um violino se ajeita no corpo de quem toca já conta boa parte da história de ambos. Ricardo Herz faz gato e sapato do dele. Há muita confiança entre eles. E é dessa forma que saem os irreverentes sambas, chorinhos, xotes e o que vier. Uma delicia ouvir. Hoje, quinta, às sete e meia da noite, na Fnac da Paulista.30.5.12
DICA FREE: POESIA NO CENTRO DA TERRA
Sarau do Centro da Terra traz a atmosfera do século XIX e inspira-se em Noite na Taverna, livro Álvares de Azevedo - contos macabros, histórias de amor, lascivia e morte - para receber seus convidados. Durante uma hora e quinze minutos, Ricardo Karman e Sergio Basbaum e participantes reunem - se ao redor de uma mesa para beber e conversar, recitar suas poesias e cantar suas músicas. Começa as 20h30. No teatro do Centro da Terra. Hoje, terça
29.5.12
DICA FREE: MESTRES DO CINEMA MEXICANO
Até o dia 3 de junho fica em cartaz a mostra Mestres do Cinema Mexicano exibida na Cinemateca Brasileira em parceria com o Consulado Geral do México em São Paulo. As estrelas da mostra são o diretor Luis Buñuel e o ator El Santo. Hoje, terça, em dois horários 19h e 21h os Anónimo Mortal e Subida ao Céu. 28.5.12
DICA FREE:La caperucita roja

Hoje, segunda especial: o grupo cubano Teatro Nacional de Guinol faz única apresentação, no Espaço Sobrevento, com o espetáculoLa caperucita roja, às 8 da noite. Com uma bagagem considerável, mais de 150 titulos apresentados em mais de 20 paises,o grupo formado em 1963 é referência histórica no Teatro de bonecos de Cuba. Pela primeira vez no Brasil.
26.5.12
DICA FREE: NAU DE ÍCAROS E FILARMÔNICA DE PASÁRGADA
Muita coisa boa pra ver e ouvir no final de semana! Destaque para a Cia Nau de Icaros, com o espetáculo Menor que o Mundo, no Sesi da Paulista. Trabalho baseado na obra de Carlos Drumond de Andrade, fica até julho em cartaz, sábados e domingos às 16 hs. Hoje, sábado, tem também Filarmônica de Pasárgada, banda premiada formada por alunos da USP que apresenta composições de Marcelo Segreto. Às 16h30, Fundação Cultural Ema Gordon Klabin
23.5.12
Música
A salvação está em Mumford and Sons?
Por Luciano Piccazio Ornelas
"Mumford and Sons é a salvação da música”. Ao ler esta frase em uma entrevista dada por Neil Young ao MTV News, pensei em uma série de coisas. Mas, sem dúvida, a primeira delas foi procurar na net e descobrir quem eram estes caras.A minha busca não foi vã. Descobri uma banda como quem descobre uma flor bonita em um jardim abandonado, ou como aquele que encontra uma bela menina de olhos azuis em meio ao caos de São Paulo.
Baladas suaves, tocadas com fogo e instrumentalizadas com banjos, pianos, baixos, vocais dobrados em muitos momentos. Bateria, quando muito, em alguns momentos. A banda traz uma mistura de folk e rock, num ritmo de marcha que leva o ouvinte a prestar atenção às letras – como quando vai conduzindo o ouvinte até gritar baixinho “Awake my soul” (acorde a minha alma).
As letras, por sinal, são a cereja do bolo. Parar e analisá-las uma a uma é crucial a homens e mulheres que pretendem ser melhores seres humanos. Que tal pensar na frase “If only I had an enemy bigger than my apathy I could have won” (Se apenas eu tivesse um inimigo mais poderoso que minha apatia, poderia ter vencido”. E as letras são, todas, um grito para que acordemos. Mas um grito suave, como alguém que, sussurrando ao ouvido, lhe dissesse que o mundo está caindo.
A banda surgiu em 2007. Apenas em 2009 lançou seu primeiro álbum, Sigh no More. Em 2010 foram lançados nos EUA, e já conseguiram duas indicações para o prêmio Grammy. É mole? Fica a dica: Mumford and Sons, especialmente as músicas: Awake my Soul, Little Lion Man, White Blank Page, I Gave You All. (publicado no Area Geek)
DICA FREE
Zabumbão na Olido
Pra quem mora pelas redondezas da Galeria Olido, na av. Sao João, a pedida é o Trio Zabumbão. Fabio Freire Miguel na voz e zabumba, Acrísio de Sá na sanfona e José de Andrade no triângulo prestam homenagem ao Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Promete! Às 19h
Pra quem mora pelas redondezas da Galeria Olido, na av. Sao João, a pedida é o Trio Zabumbão. Fabio Freire Miguel na voz e zabumba, Acrísio de Sá na sanfona e José de Andrade no triângulo prestam homenagem ao Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Promete! Às 19h
20.5.12
Dia Internacional dos Museus
GUGGENHEIM, UMA IMENSA INSTALAÇÃO
Por Helena Piccazio
Um elevador me leva até a rua de cima. Ando mais um pouco dando a volta no prédio super modernoso, passo pela enorme escultura de flores em forma de cachorro e leio na placa: Sarrera - Entrada - Entrance, com uma flecha indicando a escada. As três línguas da placa são basco, espanhol e inglês, me dizendo que cheguei ao Museu Guggenheim de Bilbao.
Hoje todo o museu que se preza, em todo o mundo, está com a entrada gratuita. Eu tinha só três horas, então escolhi o mais badalado, o principal cartão de visitas da cidade basca e por ser ele mesmo uma obra de arte do arquiteto americano Frank Gehry. A arquitetura do Guggenheim de Bilbao é tão famosa que para muitos críticos de arte o show de verdade é o edifício e nem tanto as exposições.
O prédio do Guggenheim se vê de longe, com tijolos de metal amarelado (titânio) que sugerem escamas de peixes, vidros enormes, formas que lembram embarcações navegando nos profundos 30 centímetros dos espelhos d'água que contornam o prédio. É lindo! Mesmo! É tão lindo dentro quanto fora, muitos balcões em formato de mezanino conectando os ambientes, aumentando ainda mais o espaço e permitindo a exibição de obras de formas e tamanhos bem variados e que podem ser observadas de diferentes ângulos.
Na sala que entrei em seguida, a mesma coisa. Bom, dizer sala não era o caso, um lugar imenso, um galpão gigantesco. Na minha frente eu só via estruturas marrons enormes, como se fossem paredes de metal ou madeira - até agora não sei. Eram bem altas e tinham entradas que, como portas, nos convidavam. Irresistível, entrei!
Na direção oposta, um menininho todo contente brincava com os pais dentro da obra de arte. Segui meu trajeto e entrei em outra e mais outra escultura até descobrir que cada uma das obras fazia parte de uma única instalação, incluindo os painéis lá da frente. No andar de cima, um balcão de onde se podia ver toda a instalação do artista Richard Serra: os desenhos e labirintos que esses painéis formavam.
No ambiente seguinte, obras carregadas de questionamentos ideológicos, políticos, econômicos e sociais. Gostei muito do trabalho do britânico Richard Long, chamado Bilbao Circle - Delabole slate, de 2000. Centenas de pedaços de ardósia formando um círculo enorme no chão.
Fazendo parte da coleção do museu, uma série de obras de um pintor cujo tema, só depois fui saber, eram Lênin e Stalin. Mas essa não prendeu muito minha atenção. No segundo andar, acima da dupla russa, a sala da exposição principal "David Hockney: Una Visión Más Amplia". Assim que entrei, dei de cara com uma tela enorme e coloridíssima do Grand Canyon, uau! Lindo! O britânico sempre foi fascinado por paisagens e aqui encontramos 50 anos delas. E muita cor, uma explosão maravilhosa de cores! Fico em posição para fotografar o Grand Canyon e logo no primeiro clique avisam que não é permitido. Fazer o quê? Guardei a câmera, olhei o resto da sala, ainda mais uma vez o lindo e colorido Grand Canyon e fui para o próximo ambiente, onde era exibido um vídeo estranho.
Hockney transportou a idéia da foto-colagem para a era digital. Utilizou filmadoras posicionadas em seu jipe e saiu registrando paisagens em diversas épocas do ano. O resultado foi apresentado em 18 telas arrumadas em 3 fileiras horizontais de 6 telas cada, uma grudadinha na outra. Ele também filmou bailarinos no seu estúdio, em 18 perspectivas diferentes. As de natureza são bem mais bonitas... e a idéia muito interessante.
Em meio às cores, me deparo com alguns esboços em carvão, preto no branco. As cores que o artista utiliza são lindas, mas meu fraco por preto e branco é muito forte, foram os que achei mais bonitos. É... além de colorir bem, ele também desenha bem.
Alcanço os últimos trabalhos expostos e quando vou observá-los, algo me parece estranho no traço. Chego mais perto, mas que técnica é essa que a pincelada parece um traço de caneta, mas não é pintura? Cadê a legenda? Vou atrás da explicação escrita na parede: iPad. São desenhos feitos no iPad e impressos em tamanho grande. Gostei mais das pinturas pinceladas (ok, os desenhos em carvão...).
Hockney visto, vamos ao último andar saber do que se trata "El Espejo Invertido". Imaginava ali escolher um trabalho de espelhos para uma foto bem legal de abertura da matéria no Arte free, mas na verdade a obra que dá título aos trabalhos contemporâneos - a única usando espelhos - é um espelhão normal, mas gigante, dividido em 4, apoiados na parede. Me detenho na legenda da obra que discute a questão dos reflexos, o que você reflete, no que você se reflete, do espelho que continua a refletir a imagem, mesmo quando ninguém está ali refletindo intencionalmente sua própria imagem (Einstein discutiria isso). Mesmo assim não achei a obra do artista suficientemente forte para discutir a questão, cansei de me olhar no espelho e fui ver o resto.
Mesmo pequena em relação à mega exposição do Hockney, a parte de fotografias da mostra tinha algumas experimentações interessantes, e uma linda foto de uma mulher muito negra amamentando dois bebês, envolta num tecido muito vermelho, sentada numa cadeira antiga de ébano. Fiquei tão impactada que esqueci de anotar o nome do autor. Em relação às pinturas gostei das duas obras de Antoni Tàpies e um quadro de um pintor catalão. Eu tinha visto tudo, ou quase.
O Museu estava lotado com gente de todos os cantos, idades e jeitos. As pessoas que ali trabalhavam eram gentis. Gostei das exposições e saí de lá feliz em conhecer um Museu e um artista novos (David Hockney). Passei na lojinha para alimentar minha coleção de cartões postais, depois fui ver a famosa aranha, enorme escultura símbolo do museu e da própria cidade e olhar novamente o prédio do lado fora.
É... talvez aqueles que dizem que o grande atrativo do Museu Guggenheim de Bilbao é a arquitetura tenham razão!
Nota: 8
Custo: 1,90 euros (por 2 cartões postais, 0,95 cada um), fui e voltei à pé.
Por Helena Piccazio
Desço ao hall do hotel, vou até porta e olho o céu: cinza. Olho o ar: molhado. Olho pra direita: é pra lá que eu vou. Caminho em direção à ponte de Santiago Calatrava em forma de espinha de peixe e a atravesso olhando ainda pra direita e ainda com aquele vento meio garoa meio chuva, bem chato.
Um elevador me leva até a rua de cima. Ando mais um pouco dando a volta no prédio super modernoso, passo pela enorme escultura de flores em forma de cachorro e leio na placa: Sarrera - Entrada - Entrance, com uma flecha indicando a escada. As três línguas da placa são basco, espanhol e inglês, me dizendo que cheguei ao Museu Guggenheim de Bilbao.Hoje todo o museu que se preza, em todo o mundo, está com a entrada gratuita. Eu tinha só três horas, então escolhi o mais badalado, o principal cartão de visitas da cidade basca e por ser ele mesmo uma obra de arte do arquiteto americano Frank Gehry. A arquitetura do Guggenheim de Bilbao é tão famosa que para muitos críticos de arte o show de verdade é o edifício e nem tanto as exposições.
O prédio do Guggenheim se vê de longe, com tijolos de metal amarelado (titânio) que sugerem escamas de peixes, vidros enormes, formas que lembram embarcações navegando nos profundos 30 centímetros dos espelhos d'água que contornam o prédio. É lindo! Mesmo! É tão lindo dentro quanto fora, muitos balcões em formato de mezanino conectando os ambientes, aumentando ainda mais o espaço e permitindo a exibição de obras de formas e tamanhos bem variados e que podem ser observadas de diferentes ângulos.
Na sala que entrei em seguida, a mesma coisa. Bom, dizer sala não era o caso, um lugar imenso, um galpão gigantesco. Na minha frente eu só via estruturas marrons enormes, como se fossem paredes de metal ou madeira - até agora não sei. Eram bem altas e tinham entradas que, como portas, nos convidavam. Irresistível, entrei!
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Exposição "A Matéria do Tempo", com obras
feitas entre 2000 e 2005, de Richard Serra, EUA
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No ambiente seguinte, obras carregadas de questionamentos ideológicos, políticos, econômicos e sociais. Gostei muito do trabalho do britânico Richard Long, chamado Bilbao Circle - Delabole slate, de 2000. Centenas de pedaços de ardósia formando um círculo enorme no chão.
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Círculo de Bilbao - Ardósia de Delabole (2000)
de Richard Long
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| David Hockney, suas cores e seus vídeos |
Em meio às cores, me deparo com alguns esboços em carvão, preto no branco. As cores que o artista utiliza são lindas, mas meu fraco por preto e branco é muito forte, foram os que achei mais bonitos. É... além de colorir bem, ele também desenha bem.
Alcanço os últimos trabalhos expostos e quando vou observá-los, algo me parece estranho no traço. Chego mais perto, mas que técnica é essa que a pincelada parece um traço de caneta, mas não é pintura? Cadê a legenda? Vou atrás da explicação escrita na parede: iPad. São desenhos feitos no iPad e impressos em tamanho grande. Gostei mais das pinturas pinceladas (ok, os desenhos em carvão...).
Hockney visto, vamos ao último andar saber do que se trata "El Espejo Invertido". Imaginava ali escolher um trabalho de espelhos para uma foto bem legal de abertura da matéria no Arte free, mas na verdade a obra que dá título aos trabalhos contemporâneos - a única usando espelhos - é um espelhão normal, mas gigante, dividido em 4, apoiados na parede. Me detenho na legenda da obra que discute a questão dos reflexos, o que você reflete, no que você se reflete, do espelho que continua a refletir a imagem, mesmo quando ninguém está ali refletindo intencionalmente sua própria imagem (Einstein discutiria isso). Mesmo assim não achei a obra do artista suficientemente forte para discutir a questão, cansei de me olhar no espelho e fui ver o resto.
Mesmo pequena em relação à mega exposição do Hockney, a parte de fotografias da mostra tinha algumas experimentações interessantes, e uma linda foto de uma mulher muito negra amamentando dois bebês, envolta num tecido muito vermelho, sentada numa cadeira antiga de ébano. Fiquei tão impactada que esqueci de anotar o nome do autor. Em relação às pinturas gostei das duas obras de Antoni Tàpies e um quadro de um pintor catalão. Eu tinha visto tudo, ou quase.
O Museu estava lotado com gente de todos os cantos, idades e jeitos. As pessoas que ali trabalhavam eram gentis. Gostei das exposições e saí de lá feliz em conhecer um Museu e um artista novos (David Hockney). Passei na lojinha para alimentar minha coleção de cartões postais, depois fui ver a famosa aranha, enorme escultura símbolo do museu e da própria cidade e olhar novamente o prédio do lado fora.
É... talvez aqueles que dizem que o grande atrativo do Museu Guggenheim de Bilbao é a arquitetura tenham razão!
Nota: 8
Custo: 1,90 euros (por 2 cartões postais, 0,95 cada um), fui e voltei à pé.
14.5.12
DICA FREE: EM SAMPA, CABE TODO MUNDO
Li no Estadão sobre a 10a Semana Nacional dos Museus.
Animada, fui ao site da Secretaria para
pescar os museus da cidade que, na próxima sexta, dia 18, terão entrada
gratuita e a programação especial com o tema “Cosmópolis: em São Paulo cabe o mundo”.
Participam da semana 1.006 instituições em 500
municípios, sob o olhar do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).
Abaixo a lista dos museus que abrem gratuitamente na
sexta, em São Paulo. Peguei no www.museus.org.br
Arquivo histórico judaico brasileiro
rua estela sezefreda, 76 - pinheiros
Casa da imagem de são paulo
museu da cidade
rua roberto simonsen, 136-b - sé
Casa guilherme de almeida -
centro de estudos e tradução literária
rua macapá, 187 - perdizes
Catavento cultural e educacional
pça civica ulisses guimarães, s/n -
palácio das indústrias - parque
Centro cultural banco do brasil
rua álvares penteado, 112 - centro
Centro de memória fundação
dorina nowill para cegos
rua doutor diogo de faria, 558 - vila
clementino
Cric art
rua santo alberto, 395 - casa -
santo amaro
Espaço perfume: arte história
Estação museu
rua da consolacao, 2825 - sala 141 -
cerqueira cesar
Fundação cultural ema gordon klabin
rua portugal, 43 - jardim europa
Fundação maria luisa e oscar americano
av. morumbi, 4077 - esquina com rua
joaquim cândido de azevedo marques -
morumbi
Instituto butantan
avenida vita brasil, 1500 - butanta
Memória do gás
rua capitão fautino de lima, 134 - brás
Memorial da inclusão
avenida auro soares de moura andrade,
564 - portão 10 - barra funda
Memorial da resistência de são paulo
largo general osório, 66 - luz
Mube - museu brasileiro da escultura
av. europa, 218
- jd. europa
Mube virtual
rua mauá, 836 - casa 33 - luz
Museu belas artes de são paulo
rua dr. álvaro alvim, 76 - vila mariana
Museu biológico do instituto butantan
av. vital brasil, 1.500 - butantã
Museu brasileiro da escultura
rua alemanha, 221 - jardim europa
Museu da abadia são geraldo
rua santo américo, 357 - portaria 3 -
jardim colombo
Museu da caixa
pça da sé, 111 - 6º andar - centro
Museu da educação e do brinquedo
av. da universidade, 308 - bloco b
sala 38 - butanta
Museu da energia de são paulo
alameda cleveland, 601 - campos elísios
Museu da imagam e do som
avenida europa, 158 - jardim europa
Museu da língua portuguesa
praça da luz, s/n - luz
Museu da pessoa
rua natingui, 1.100 - vila madalena
Museu de anatomia veterinária
prof dr plínio pinto e silva da fmvz-usp
av prof dr orlando marques de paiva,
87 - butantan
Museu de arte contemporânea da usp
av. pedro álvares cabral, 1301 -
ibirapuera
Museu de arte mágica, ilusionismo,
prestigitação e ventriloquia
rua silva bueno, 519 - cj. 42 salas: 1, 2, 3 e
4. ipiranga
Museu de arte moderna de são paulo
parque do ibirapuera, s/n - portão 3 -
ibirapuera
Museu de história dos
salesianos no brasil
largo coração de jesus, 140 - junto ao
santuário sagrado coração e liceu
coração de jesus - campos elíseos
Museu de microbiologia
av. vital brasil, 1500 - butantan
Museu de zoologia da usp
av. nazaré, 481 - ipiranga
Museu do tribunal de justiça
praça clóvis bevilacqua, s/n - palácio
da justiça de são paulo - centro
Museu histórico
av. dr. arnaldo, 455 - 4º andar -
sala 4306 - cerqueira césar
Museu histórico do instituto butantan
av. vital brazil, 1500
- butanta
Museu judaico de são paulo
rua martinho prado, 128 - centro
Museu lasar segall
rua berta, 111 - sp - vila mariana
Museu oceanográfico
praça do oceanográfico, 191 - cidade
universitária - butantan
Museu paulista da usp
parque da independência,
sem número - ipiranga
Museu penitenciário paulista
av. gal. ataliba leonel, 556 - carandiru
Museu vicente de azevedo
rua dom luis lasagna, 300 - ipiranga
Musial - museu do instituto adolfo lutz
avenida dr. arnaldo, 355 -
edifício central - 1º andar -
sala 58 - cerqueira cesar
Paço das artes
av. da universidade, 1
-
cidade universitária
Palácio dos bandeirantes
av. morumbi, 4500 - sala 78 - morumbi
Pavilhão das culturas brasileiras
avenida pedro álvares cabral, s/n - parque ibirapuera
- vila mariana
Pinacoteca do estado de são paulo
praça da luz, 2
- centro
Solar da marquesa de santos (mcsp)
rua roberto simonsen, 136 - centro
11.5.12
A poesia é risco: em defesa de Leminski
Por Bruna
Piccazio
Tudo que há
de Paulo Leminski me interessa. Principalmente seus poemas. E me chamou a
atenção o fato de um livro dele, Catatau, estar inserido na programação da Casa
das Rosas, durante a Virada Cultural.
Saber que ele seria lido na integra, durante algumas horas,me causou inquietação.
Às vezes,
dentro de um poema inteiro de Leminski, uma ou duas palavras saltam do texto,
libertam-se do conteúdo poético abordado e tornam- se significativas para mim.
Estas poucas palavras realmente são transferíveis para os conteúdos de minha
própria existência e reflexão.
Assim penso
a leitura de um livro seu, usufruído lentamente, da maneira como algumas
expressões e frases são organizadas por ele.
Fui até a
Casa das Rosas, quis saber o que se passava e, por isso, fiz a seguinte
pergunta a Frederico Barbosa, o diretor do Espaço e organizador do evento:
"Fred, você acha que todo mundo vai
ficar aqui sentado do lado de fora da
Casa, das 22h da noite até as 10h da manhã ouvindo a leitura integral do
livro?"
Ele que,
também, e antes de mais nada, é um consagrado poeta, deu risada, e disse que o Catatau é um livro
especial e bem poético. Disse ainda que
não esperava mesmo que alguém ficasse do começo até o final. Imaginei, então,
que, o propósito fosse proporcionar pequenos momentos de fruição para quem lá
resolvesse assentar o traseiro.
A leitura
feita por três jovens em microfones, vomitava o livro todo, sem parar. O que
restava então era relaxar, e pescar algum
enredo. Na mesa dos leitores, café, guaraná e vinho.
Resolvi me
entregar, pesquei os micro enredos que me importavam e viajei nas portas que se
abriam para minha imaginação.
Na
programação, o show do compositor e
produtor musical Cid Campos, filho do grande poeta Augusto de Campos, e sua
banda. Segundo a descrição do evento: “A poesia concreta comparece com destaque
através da musicalização e/ou oralização de poemas de Augusto e Haroldo de
Campos, José Grunewald e Ronaldo Azeredo”.
De fato,
percebemos, ao longo do show, a convivência harmoniosa entre letra e melodia em
que ambas não ficam juntas a música inteira, uma cede à outra de vez em quando,
criando-se, assim, uma impressão de espaço de declamação. Parece, até, que a
poesia entra para descansar os músicos da porrada na bateria ou para descansar
os ouvidos de todos da quantidade de notas musicais arranjadas para as músicas.
Porém, a banda não perde o ritmo, seja dentro da melodia, ou na cadência das palavras.
O trabalho
do quarteto lembra muito as músicas de Tom Zé que têm essa relação com a
poesia. Aliás, Cid Campos também trabalhou com Tom Zé, e, entre outros: Adriana
Calcanhoto, Walter Franco, Péricles Cavalcanti.

Os
passantes da Casa das Rosas e o público sentado nas cadeiras, dentre eles,
crianças e velhos, ouviam de Cid Campos,de repente: “estuprou o meu hímem” e muitas outras sinceridades poéticas dos grandes poetas.Que,aliás, deveriam ser consideradas
palavras e conteúdos normais e usualmente abordados. Mas, não. Infelizmente.
A
irreverência dos músicos é, na verdade, a irreverência da poesia e de suas
críticas e denúncias. O que faz Cid Campos é dar voz à poesia, através da
música, que, das artes, é uma das menos periféricas e uma das mais consumidas.
A
apresentação foi um sucesso, na medida em que a poesia aflorou através da
oralização e conexão de sons com palavras. O mais impactante e significativo
que havia ali eram as palavras. O show foi feito a partir dos três Cds de Cid
Campos: Poesia é Risco, No Lago do Olho e Fala da Palavra. O músico participou,
também, dos grupos: Papa Poluição, Sexo dos Anjos, Zipertensão.
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