27.5.07

Rappin Hood - Bauru

Arte Free em Bauru - Rappin Hood

Meu plano era dormir no início da noite e depois ir para o show da Rita Ribeiro, continuar no Teatro Municipal ao som do samba de raiz do quinteto em Branco e Preto e fechar a madrugada com o show da Céu.

Planos mudam, ainda bem. E, lá pelo início da longa noite – leia-se 22h – o som do parque Vitória Régia me inquietou. É ao lado de casa, fui conferir. Estava começando o show do Rappin Hood.

Olhei de longe no começo pois, confesso, tenho um certo preconceito com o hip hop. Nunca me atraiu muito. Mas já na primeira música percebi que não conseguiria mais sair de lá. Meio que sem me obedecer, minhas pernas se mexiam e me levavam ao som daquela mistura de rap, batucada de samba e reggae. Enquanto as letras hipnotizam, o som conduz.

É uma música leve e pesada, ao mesmo tempo. A leveza do ritmo. O peso da realidade das letras do poeta urbano. Ritmo envolvente, que pesa. Os arranjos, muito bons. Surpreendentes, como o sutil som de revólver sendo engatilhado ao fundo de uma das músicas. Palavra dura, que envolve e faz dança.

A certa altura do show, estava eu lá no meio, braços pro alto, cantando “É tudo no meu nome”, que pra mim é uma das melhores músicas.

O rapper conversa o tempo todo com o público, como se fossemos antigos conhecidos. Todo mundo dança e canta.

Não tem como não se envolver. Não dá pra ficar parado.

Depois, ainda fiquei para o show do Clube do Balanço – e sim, o nome fala por si. Samba-rock. Animado, dançante, uma delícia. Planos mudam, conceitos também. Que bom. E quando puderem, assistam a um show do Rappin Hood.

Custos:

R$: 0,00
Por Carol Bataier

14.5.07

Exposição Temporária Sistema Respiratório ao Alcance de Todos

Gentem, recebi este e-mail do Museu de Anatomia da USP. Me pareceu bem interessante, já que se trata de esposição, cursos e palestras grátis (ou semi-grátis) sobre a saúde respiratória (bem propício a nós que vivemos em São Paulo).

As informações tão aqui, beijos e abraços
http://artefree.blogspot.com/2007/03/museu-de-anatomia-da-usp.html

Causos - De como a gente, sem querer, cria qualquer historinha

De como a gente, sem querer, cria qualquer historinha
por Carol Bataier

Eu no ônibus e lá fora uma chuvinha fina dessas que prendem a gente na cama em qualquer dia cinza. Mas por mais que minha vontade fosse essa, de nunca sair de baixo do edredon, é no ônibus que eu estava. Por que às vezes as minhas obrigações pesam e até criam voz própria. E elas conseguiram, me arrancaram da cama, com frio e cara amassada. Moleton, mochila e sono, fui pra faculdade. Aquele ritmo de ônibus, embalando meu sono de olhos abertos. O banco duro deixa tudo mais real. Sinal vermelho no meio do dia cinza. E eu olhando pela janela. E foi nesse momento que meu pensamento, feito borboletinha que vai sem a gente ter poder de segurar, passou pelo vidro respingado de chuva. Caiu lá fora, no dia cinzento, na chuvinha triste, passou pela rua, chegou na calçada. E lá foi ele pousar numa casinha de esquina, dessas com portão baixo, escadinha de dois degraus, varanda e porta de madeira. Casa de vó, dessas que às vezes tem até samambaia pendurada. E, pensamento-borboleta esse meu, feito uma delas, entrou sem pedir licença. Abusado, sem mesmo abrir a porta, passou. E quando percebi, estava ele lá na sala. Era eu que lá estava. Sala pequena, móveis de madeira, TV antiga, telefone idem, nada de muito moderno, nada muito branco ou prateado. Cortinas escuras, desenhadas, almofadas. E eu lá, deitada no sofá. A TV ligada num canal qualquer, porque o que importava não era a programação e sim aquela sensação que dá uma TV ligada, sabe? Eu embaixo do cobertor, olhando pra TV, sem entender e sem querer entender. Sentindo cheiro de bolo que vinha da cozinha. A chuva fina lá fora, o frio, nada me incomodava. Ao contrário, tão boa uma tarde dessas. Alguém na cozinha cantava, e isso só embalava meu quase-sono. E então o ônibus deu uma arrancada. A luz agora era verde. E lá vinha o pensamento voltando pra dentro do ônibus gelado. E meu deu uma angústia, uma quase nostalgia. É que qualquer realidadezinha amena fica um pouco mais pesada pra quem tem pensamento-borboleta.

Por Carol Bataier

13.5.07

Museo de la Solidariedad - SESI

Estéticas, Sonhos e Utopias dos Artistas do Mundo pela Liberdade

Fins da década de 60, início dos anos 70. O Chile vive um momento único em sua história. Enquanto a maior parte dos países da América Latina sofre com a ascensão das ditaduras militares, o Chile de Salvador Allende acolhe seus artistas, políticos, líderes estudantis e jornalistas exilados.

Nesse momento a inauguração de um museu no Chile com obras doadas por diversos artistas de todo o mundo representa a crença e apoio de todos eles à construção de um governo de esquerda democrático na América Latina, diferente dos modelos soviético e cubano.

Através das estéticas próprias de cada vanguarda ou movimento artístico, artistas que vão desde o espanhol Joan Miró até a brasileira Lygia Clark expressam seus sonhos e utopias pela liberdade , como o próprio nome da exposição já diz.

O museu é a materialização dessa liberdade. Plural, um espaço livre para expressão, através de diversas linguagens artísticas, de um ideal comum, que naquele momento histórico parece ao mesmo tempo possível - no Chile - e distante nos países em que esses artistas vivem, sob a sombra de ditaduras terríveis.

A exposição do Sesi conta com obras de abstracionismo geométrico e lírico, surrealistas, cubistas e também releituras de obras de artistas como Picasso e Warhol feitas por artistas latino-americanos, além de painéis e obras de artistas chilenos e argentinos ainda desconhecidos por aqui, mas não menos fascinantes ou relevantes.

O Museo de la Solidariedad traça um panorama muito rico das principais vanguardas do início do século XX, assim como de movimentos mais contemporâneos como a Pop-Art. Todos eles são reveladores para a compreensão, através da sensibilidade desses artistas, da situação que o mundo vivencia na segunda metade do século passado, bem como cruciais para o entendimento da arte contemporânea. Vale a pena.
Nota : 10
Custos : R$ 0,00 (carona para ir e voltar)

6.5.07

Pato Fu - Virada Cultural - 06/05/07


Fu Contact

Dez horas da manhã e o Pato Fu já estava no palco. Fernanda Takai e companhia fizeram um show de cerca de uma hora num Vale do Anhangabaú cheio, num centro da cidade convulsionado pela quantidade de pessoas que passavam por lá desde a noite do dia anterior.

Com formação de palco simples - guitarra, baixo, teclado e bateria - a banda conseguiu animar o público (um misto de fãs e curiosos) durante todo o tempo. Tocaram cerca de dez músicas.

A banda me surpreendeu por ser mais Rock´n Roll do que eu pensava. Um pop bem trabalhado, com riffs por hora pesados e alguns sons eletrônicos. Takai tocou guitarra em algumas músicas, em outras usava efeitos em sua voz (como na música Made in Japan).

O som da banda lembra bastante o do Mutantes. Lembra pelas linhas vocais, pelos riffs de guitarra. E a impressão foi confirmada pelo cover deles que fizeram: Ando Meio Desligado.

Fernanda Takai pulava de um lado para o outro, conversava com o público, deixava este cantar trechos inteiros da música - como em Sobre o Tempo.

Tocaram pouco, é verdade, mas tocaram as clássicas. O pessoal pulou o tempo inteiro, e a cada momento chegavam mais pessoas.

Nota: 9
Custos:
R$: 2,30 (ônibus ida e volta)
R$: 0,70 (café)
total: R$ 3,00

2.5.07

Voltamos!

O Arte Free voltou, e voltou com a corda toda!!! Em mês de mais uma Virada Cultural, o blog que te dá todas as dicas sobre arte gratuita em Sampa traz a programação completa do que está acontecendo na cidade. De graça, é claro!

Contamos com você para ir conosco nos shows, exposições, filmes e afins. Para nos dar dicas de programações e acompanhar nossas matérias aqui no blog!

Esse mês está recheado. Além da Virada Cultural, tem um festival Woody Allen no Sesc Santana, muito jazz nos Sescs por aí, além de uma programação de música eletrônica nas Fnacs e muito mais.

O destaque desse mês é o show do Velhas Virgens, na Fnac Pinheiros.

É isso aí! Bom estar de volta! Contamos com vocês para divulgar não só o blog, mas todas as coisas boas que estão rolando por aí!

Abaixo, a agenda da Virada Cultural. Para os demais programas, só clicar em PROGRAMAÇÃO!

beijos e abraços
Luciano

VIRADA CULTURAL
Programação da Secretaria Municipal de Cultura

dias 5 e 6 de maio

PALCO PRAÇA DA SÉ
18h – Alceu Valença (Espelho Cristalino 1977)
21h – Andrew Tosh (Jamaica)
0h – Nação Zumbi (Da Lama ao Caos 1993)
3h- Racionais MCs e convidados

PALCO BOULEVARD SÃO JOÃO/ANHANGABAÚ
18h– Aguiar e Banda Performática
20h- O Teatro Mágico
22h– Sergio Dias
0h– Clube do Balanço convida Erasmo Carlos
2h– Grooveria Eletroacústica convida Ed Motta
4h– Gerson King Combo
6h– Skowa e a Máfia (La Famiglia 1989)
8h- Karnak
10h – Pato Fu
12h – Premeditando o breque
14h – Língua de Trapo (Disco Azul 1982)
16h– Moraes Moreira e Armandinho (Cara e Coração 1977)
18h- Zélia Duncan

PALCO VIEIRA DE CARVALHO
18h- Os Cantores de Ébano
19h45- Evaldo Gouveia
21h30- Gafieira Brasil
23h15- Ângela Maria
01h- Cauby Peixoto
2h45- Fernando Ferrer (Cuba)
4h30- Samba de Rainha
6h15- Yara Marques (marchinhas)
8h- Traditional Jazz Band
9h45- São Paulo homenageia Antonio Rago
11:30- Ademilde Fonseca
13:15- Doris Monteiro
15h- Tito Madi (Balanço Zona Sul 1966)
16h45 – Orquestra Tabajara

PALCO BARÃO DE ITAPETININGA
18h- Percy Weiss
19h45- Tutti Frutti
21h30- Serguei
23h15- A Patrulha do Espaço
1h- Made in Brazil
2h45- A Chave do Sol
4h30- Golpe de Estado
6h15- Beatles 4ever (Magical Mystery Tour 1967)
8h- Rogério Skylab
9h45- Cólera (Pela Paz em Todo o Mundo 1986)
11h30- Ratos do Porão
13h15- Garotos Podres (Mais podres do que nunca 1985)
15h- Os Inocentes
16h45- Camisa de Vênus

PALCO DE DANÇA - ANHANGABAÚ
18h- Escola Municipal de Bailado –“Les Sylphides”
19h- Cia de Dança Ivaldo Bertazzo –“Milágrimas”
20h- Cia de Dança de São José dos Campos (FCCR) - ”Suíte Don Quixote” (R.Shei)
21h- Ballet Stagium “Dança Chico Buarque” (Gidali/Otero)
22h30- Cia Omstrab (Fernando Lee)
24h- Balé da Cidade de São Paulo – “Divinéia “ (Jorge Garcia)
1h- Grupo Raça – “Tango sobre Dois Olhares” (Roseli Rodrigues)
2h- Discípulos do Ritmo/ Frank Ejara e Convidados –Funk Fanáticos e Quemical Funk
3h45- Djembedon – Fanta Konate e Peti Mamandi
7h15- Moçambique de São Benedito de Cunha
8h30- Índios Pankararu – “TORÉ”
9h15- Pastoril “Grupo Ó de Casa”
10h- “Entranças“ – Grupo Balangandança
11h40- “Os Favoritos da Catira”
13h15- “Alma Portuguesa – Tudo isto é fado” (João Roberto de Souza)
15h15- “Os Meninos do Morumbi“
17h- Moçambique da Nova Gameleira”
17h30- “Congo Feminino da CABANA”

PRAÇA RAMOS
“CORPO INCRUSTADO II” - Célia Gouvêa
24h30
12h30

TEATRO MUNICIPAL
18h – Raul de Souza (Sweet Lucy 1977)
21h – João Donato (A Bad Donato 1970)
0h – João Bosco (Centésima Apresentação 1983)
3h – Jards Macalé (Farinha do Desprezo 1972)
6h - Central Scrutinizer Band (Overnight Sensation 1973/Frank Zappa)
9h – Germano Mathias (Ginga no Asfalto 1962)
12h - Sérgio Ricardo (Deus e o Diabo na Terra do Sol 1963)
15h – Zimbo Trio e Fabiana Cozza (O Fino do Fino 1965/Elis Regina e Zimbo Trio)
18h – Paulo Moura (Radamés 1959)

PIANO NA PRAÇA -D. JOSÉ GASPAR
18h- Nelson Ayres
20h- Debora Gurgel
22h- Amilton Godoy
24h- Leo Mitrulis
2h- Guilherme Ribeiro
4h- Christianne Neves
6h- Giba Estebez
8h- Andre Marques
10h- Nelson Bergamini
12h- Michel Freidenson
14h- Mario Boffa Jr
16h- Laercio de Freitas

CALÇADÕES -XV DE NOVEMBRO
PISTA 1
18h- dj Carlos d Justo
20h- dj Dabolina
22h- dj George Actv
00h- dj Maxwell
2h- dj Kammy
4h- dj Ramilson Maia
6h- dj Snoop
8h- dj Camilo Rocha
10h- dj Mara Bruiser
12h- dj Mau Mau
14h -dj Felipe Venancio
16h- dj Andy

PISTA 2
18h- Barizon
20h- Tati Sanches
22h- Corejoy LIVE
23h- Jokke Ilsoe (DINAMARCA)
1h- Shamanix
2h30- Demonizz
3h30- Duophonix
4h30- Fabio Leal
6h30- People
8h- Teen Sluts LIVE (MÉXICO)
9h- Rodrigo Leal
11h- Broken Toy LIVE (ÁFRICA DO SUL)
12h- Vidigal
14h- Visual Paradoxx LIVE (ISRAEL)
15h- Skulptor LIVE
16h- Gui Milani
18h- Propulse LIVE
19h- True to Nature LIVE (DINAMARCA)


IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DOS HOMENS PRETOS
Largo do Paissandu
Missa conga – 11 horas
Terno de Congo 13 de Maio de Goiânia - GO
Banda de Congo de Ibiraçu – ES
Moçambique da Nova Gameleira - MG
Congo Feminino da Cabana - MG
Moçambique de São Benedito de Cunha - SP

TEATRO E CIRCO NA PRAÇA DA REPÚBLICA
18h- Cia. Teatral Controvadores -Num meio dia de fim de primavera
19h30- Cia. Troue Serapiões -O rapaz que apanhou das moças por não saber namorar
21h- Clube da Sabotagem -A melhor fatia ou o que Doroti quer
22h30- Grupo Experimental de Teatro -Aquele que diz sim e aquele que diz não
0h- A Fornalha -A Praga
1h30- Grupo Alma -O Reveillon de 77 - O Apólogo do Pato Selvagem
3h30- Teatro da Diversidade -Vinicius, uma homenagem a mulher
5h- Grupo Quebra-Cabeça -A Armadilha
6h30- Serial Cômicos -A Farsa do Boi
8h- Cia. Tetral a Vaca Tossiu -Contos de Ferver o Mar Rei Valentim
9h30- Desencontrarios -O Ursinho que não Queria Dormir
12h30- Cia. Du Xuxu -Circo do Xuxu
14h- Inventa - Desinventa
15h30- La Mínima -Reprise
17h- Acrbático Fratelli -Circorreria

INTERVENÇÕES VOLANTES PELO CENTRO
Russo Jazz Band
Dobrados Desvairados -Lívio Tragtemberg
Pandurados na Cidade -ARES - Ateliê de Performance
Monociclo -Rodrigo Racy/Cicolando
TV Maluca/Risopatrulha -Rocokóz
Banda Palhaçal -Circo e Cia
A Folia Pede Passagem -Trup Trolhas
Guarda de Trânsito de Pessoas -Kerson Formis
O Fuscalhaço -Grupo Manifesta de Arte Cômica
Furufunfum Móvel –Furunfunfum
Teatro de Marionetes -Rafael Leidens
Auto-mútuo-conhecimento -Tânia Mello Neiva e Tatiana Tardioli
Alexandre Roit -Quixote
Pat e Lincoln –Bicicletas
Ivo 60 –intervenções
Fabio Phantom
Arkanus
Vinixsour Ghost
Al Santsu
Leeloosionist
Mágico Doug
Lui Rick
Mágico –Oz
Fogança -Abacirco

PALCOS CARDEAIS

GUAIANAZES -PRAÇA DE EVENTOS –ZL
21h- Rene Sobral
23h- Grupo Redenção
1h- Arlindo Cruz
3h- Leci Brandão

PEDREIRA -SETE CAMPOS -ZS
10h- É de Cantar e de Brincar -Cia. Do Miolo
12h- Ao Cubo
14h- Dudu Lima
16h- Cordel do Fogo Encantado
18h- Farufyno

PARADA DE TAIPAS -CAMPO DO CITY JARAGUÁ –ZO
10h- Histórias do Japão -Cia. Provisório-Definitivo
12h- Trilhas e Raízes
14h- Roto Roots
16h- Edu Ribeiro
18h- Expressão Regueira

PARQUE DA JUVENTUDE -ZN
10h- Canópolis- Patrulha Canguru
12h- Arruda Brasil
14h- Luiz Carlos Batera convida ‘Black Rio’ Original
16h- Rappin’Hood
18h- Almir Guineto


TEATRO NOS PARQUES

PARQUE DO POVO -TEATRO VENTO FORTE
14h- As 4 chaves
16h- A Centopéia e o Cavaleiro

PARQUE RAUL SEIXAS
15h- A Princesa Africana e a Cobra Leão -Grupo Mão na Luva

PARQUE GUARAPIRANGA
15h- Perfeição - quando a tempestade nasce das luzes –manicômicos

PARQUE JARDIM FELICIDADE
15h- É Nois na Chita –Namakaca

PARQUE SANTO DIAS
15h- Circo Navegador


CEU’s

ALVARENGA

19h – Jorge Mautner (aula show)
16h- Duofel

ARICANDUVA
17h - Naná Vasconcelos (aula show)
17h50 - Espetáculo: O fantasma em cena

BUTANTÃ
18h- Espetáculo: Zé da vaca
17h30- Chico César

CAMPO LIMPO
18h- Geraldo Azevedo

11h- Espetáculo: Idéia de jerico
14h- Espetáculo: O soldadinho de chumbo
16h- Banda vocal Persepton

CASA BLANCA
19h- Davi e Moraes Moreira
14h- Espetáculo: Um dia especial

CIDADE DUTRA
16h- Espetáculo: Dita o¬nça e Cabra Rita
15h- Maurício Pereira
17h50- Theo de Barros e Ricardo Barros

INÁCIO MONTEIRO
19h- Alaíde Costa
11h- Espetáculo: O Encantado Circo Estrela

JAMBEIRO
17h- Edgard Scandurra

MENINOS
18h- Fernanda Porto
10h- Espetáculo: A menina que descobriu a noite

NAVEGANTES
18h- Gabriel Moura
10h- Espetáculo: Simão e o Boi Pintadinho
16h- Tetê Espíndola (aula show)
17h50- Espetáculo: A Peleja de Deus e do Tinhoso Pru modi Cipriano

PQ SAO CARLOS
18h- Espetáculo: Gandhi
11h- Espetáculo: Cidade Azul
Tarde hip hop
17h50- Danilo Caymmi

PQ VEREDAS
18h- Tom Zé
15h- Espetáculo: O catador de lixo

PAZ
18h- Cida Moreira
15h- Adilson Godoy (Trios brasileiros)

PERA MARMELO
20h- Cidadão Instigado
16h- Chico Pinheiro

PERUS
18h- Jane Duboc (aula show)
15h- Espetáculo: Portinari Pé de Mulato

ROSA DA CHINA
18h- Eduardo Agni, Flavio Venturini e Mônica Salmaso
14h- Espetáculo: Terreiro de Folia

SÃO MATEUS
18h- Thaíde
10h- Juca Chaves

SÃO RAFAEL
18h- Gafieira São Paulo
10h- Espetáculo: Levadas da Breca
16h- Espetáculo: A Festa dos Pescadores

TRÊS LAGOS
18h- Zé Geraldo e No Stopa
14h- Espetáculo: Boi do Mato
17h- Espetáculo: Precisa-se de um mané

VILA ATLÂNTICA
22h- Nana Vasconcelos (aula show)
17h- Espetáculo: Brasil de Cabelos Brancos

VILA CURUCA
18h- Luiz Vagner
15h- Espetáculo: Tarde de Palhaçadas

14.3.07

Museu de Anatomia da USP

Palestras
26/05 - Tabagismo
Dr. João Paulo Becker Lotufo
16/06 - Qualidade de vida
Prof. Dr. Paulo Hilário Nascimento Saldiva
30/06 - Males que acometem o sistema respiratório
Dr. Rafael Stelmach
Profa. Dra. Maria do Patrocínio Tenório Nunes
14/07 - Alergias
Prof. Dr. Antônio Carlos Pereira Gomes

As palestras serão oferecidas aos sábados, às 14h00
150 vagas (a quem interessar possa)
Av. Prof. Lineu Prestes, 2415 - Edifício Renato Locchi
Inscrições gratuitas no site www.icb.usp.br/museu

Exposição Temporária
05/50 até 31/07
Atividades educativas sobre os males que acometem o Sistema Respiratório; experiências em que se trabalha o conhecimento deste Sistema, quebra cabeças em manta magnética, observações aos microscópios de células do Sistema Respiratório; observações de peças anatômicas do Sistema Respiratório sãs e patolóficas; dicas sobre Qualidade de Vida.

de 3as, a 6as. feiras: 9h, 10h30, 13h30, 15h
sábados, domingos e feriados: 10h, 11h, 13, 14,30
VISITAS DEVERÃO SER PREVIAMENTE AGENDADAS PELO TEL.11-3091-7360

INGRESSOS (para grupos de instituições escolares)
R$ 1,00 - aluno de instituição pública
R$ 3,00 - aluno de instituição particular

Avulsas
Durante a semana: R$ 2,00
A partir de 5 pessoas, obrigatório o agendamento prévio
Isenções: professores, alunos e servidores da USP
professores; maiores de 60 anos de idade

Oficinas didáticas - 19 e 20 de maio
19/05 - das 8h-12h e das 14h-18h
20/05 - das 8h-12h

Noções básicas sobre Anatomia Humana
Oficinas: sugestões de estratégias de ensino não formal

Público alvo: professores do ensino fundamental e médio
Inscrições gratuitas no site www.icb.usp.br/museu

25.2.07

Causos - De como você pode não perceber

De como você pode não perceber...
por Carol Bataier

É certo que a primeira vez que você viu aquele rostinho bonito nem pensou nesse mundo todo que havia por trás daquele corpo gostoso, daquele narizinho empinado.

Mal imaginou que a menina que dançava e ria pra todo mundo – ah!, uma exibida - poderia, numa tarde de sol, sair nua do chuveiro e pular direto no seu colo, molhada, abraçando com as pernas sua cintura, grudando a boca no seu pescoço entre mordidas e risadas pelo seu espanto, sua cara de bobo. Jamais pensaria, quando a viu sorrir e rir e sorrir novamente e o tempo todo, tão fácil, tão fútil, que ela poderia ser tão doce, tão meiga a ponto de te fazer sorrir também, assim, tão facilmente, só de olhar praqueles olhos que outrora você julgou maquiados demais, perdidos demais.

Você nunca imaginaria que agora passaria horas olhando aqueles mesmos olhos perdidos, ou acariciando seus cabelos enquanto tenta desvendar seus sonhos. De fato ela não fazia seu tipo. Não à primeira vista. Mas, também fato, que logo de cara te incomodou, senão você não teria reparado tanto em como ela segurava o copo ou conversava com os outros, e você não entendia bem o porque desse incômodo. Fez o possível pra ignorar, enquanto ela fazia o possível pra chamar atenção. Não só a sua, de todos, talvez, ela é assim mesmo. Ou era; porque agora ela é outra. Ainda guarda o mesmo sorriso, o mesmo jeito de dançar e de arrumar o cabelo quando sabe que tem alguém olhando. As roupas, talvez um pouco curtas demais, decotadas demais, também são as mesmas. E você pensa em como é possível alguém mudar tanto sem mudar nada. A menina é a mesma, mas agora você sabe que ela ama sol forte e chuva forte e que chora em despedidas, que tem medo de umas coisas bobas e enfrenta outras tantas tão mais perigosas. Que ela gosta de desenho animado e de filmes do Kubrick e ama a voz do Ney Matogrosso, sendo assim capaz de ouví-lo cantar Sangue Latino umas mil vezes seguidas. E então, de repente, você descobriu que adora aqueles olhos, aquela boca e aquelas mãos, ainda mais quando elas seguram bem forte nas suas, quase tentando atravessar seus ossos com as pontas dos dedos. E você mal imaginaria, naquele dia inebriado de cerveja e música, que hoje olharia pra ela com essa cara de bobo cada vez que ela te surpreende, e com essa cara de espanto (com uma pontinha de desespero) cada vez que ela diz, entre lágrimas, que não gosta mais de você. Porque agora você já não vive mais sem aquela voz rouca, aquelas músicas, aqueles livros, aqueles gritos, aqueles gestos, aquele jeito de dirigir o carro cantando e olhando o tempo todo pelo retrovisor. De repente a menina bonita que dançava te surpreendeu quando chorou num fim de tarde, quando cantou ou leu entre risos aquele trecho do Vinícius que diz que “eu sem você sou só desamor”; te surpreendeu por ser assim tão livre, tão capaz de abrir seu mundo pra um estranho chato como você . E você agora não se imagina mais fora desse universo tão diferente do seu, tão distante daquilo que você dizia querer... e tão aquilo que você precisava.

22.2.07

Virgínia Rosa – Fnac Paulista – 22/02/07

O perfume que roubam de ti

Era final de tarde quando entrei no Frans Café da Fnac Paulista. As mesas estavam cheias, e as cadeiras, que foram dispostas em frente ao palco (que fica ao lado do café), já tinham seus lugares, quase todos, ocupados. A luz do sol ainda batia pelos toldos de plástico do local, dispostos atrás de alguns computadores, quando sentei. No som, uma versão de “As rosas não falam”, de Cartola, em tango.

O lugar lotou, e muitos ficaram de pé. Logo reconheci os dois integrantes da banda de Virgínia Rosa - eram do grupo que tocou com Graça Cunha num show que fui na Casa das Rosas. O violonista e arranjador Dino Barione e o percussionista Douglas Alonso.

O palco estava armado de forma simples. Além da percussão e do violão, somente um copo de água instalado em uma mesinha de madeira pintada de preto. Com cinco minutos de atraso, o show começou. Sambas, basicamente, com arranjos bem estruturados e acompanhados da voz forte de Virgínia. As pessoas na platéia balançavam suavemente a cabeça com o batuque dos sambas

Muitos não conheciam quase nenhuma música das que estavam sendo apresentadas no palco, mas isso em nenhum momento foi problema. Como a cantora entoava as letras de forma clara, o público teve um prazer a mais. Descobria-se as músicas, assim como as poesias que traziam.

As pessoas na mesa continuavam a conversar normalmente. Quando Virgínia começou a cantar a música Sereno, percebi que o ambiente todo tinha, levemente, parado. As garçonetes, com olhares distantes e profundos, se esqueceram dos clientes para prestar atenção na música. Nas mesas, a maioria havia também parado de conversar para ver o que acontecia, enquanto alguns de seus amigos continuavam a falar sobre a vida, sem perceber que ninguém os ouvia.

A canção, escrita por Tito Pinheiro, era calma, serena como o próprio nome diz. De letra bonita.

Depois de apenas trinta e cinco minutos de show, tocaram a última música, e já saíam do palco quando o público pediu bis. Depois de perguntar ao povo da Fnac se podia, voltaram aos seus lugares e tocaram... As rosas não falam! Sim, aquele tango gostoso que ouvi logo que cheguei! Foram ovacionados por todos, e de lá Virgínia desceu para autografar cds.

Nota – 9

Custos:
Salgado – R$ 1,00
Transporte – Fui e voltei a pé

Set List:
1.Que bandeira – 2.Samba Torto – 3.Fado Morno – 4.Samba a dois – 5.Sereno – 6.Pressentimento – 7.Voltei – 8.Amado samba – Bis.As rosas não falam

18.2.07

De Corpo e Alma - CCSP - 15/02/07

A vida é assim mesmo

O dia estava esquisito, morno, mole e melancólico. Assim, indo a pé pelas ruas cheias de vento, cheguei ao Centro Cultural Vergueiro, às sete da noite, uma hora antes, para pegar o ingresso da sessão de cinema.

Ninguém por lá, sem fila. A bola da vez era uma peça de teatro, em promoção, a R$ 1,50. Ali sim, tinha fila, todo mundo sentado no chão esperando.

O filme que eu iria assistir faz parte do repertório do diretor americano Robert Altman, que morreu o ano passado aos 81 anos e dirigiu, entre outros, o inesquecível M.A.S.H.. O Centro Cultural Vergueiro começou a exibir os filmes de Altman, 19 ao todo, no dia 5 de fevereiro.

A sessão de De Corpo e Alma começou pontualmente às 20 horas e, quando terminou, a sensação mais forte era de que o filme não havia dramatizado o que interessava e também não dramatizara o que não interessava.

Parece complicado? Simples. Ali, mostrou-se essencial a relação entre a dançarina talentosa – mas que para sobreviver trabalha como garçonete em uma boate de balada - e o chef de cuisine. Porém, o romance entre os dois acontece de forma quase invisível, rápida, sem ruído ou conflitos marcantes, nos intervalos de um entorno multicolorido e semi glamuroso de uma companhia de dança – cujo trabalho ocupa a maior parte do filme.

A cena do Reveillon, quando Ry, a protagonista (Neve Campbell), chega em casa muito tarde e encontra o namorado dormindo, depois de ter arrumado uma mesa para os dois. Ela simplesmente deita-se ao lado dele no sofá e tudo bem. Tranqüilo, da vida.

Todas as situações que poderiam merecer, ou teriam chance de merecer, um ponto de tensão, seguem, quase ilesas. Altman deixa todas as deixas clichês se esvariem. Praticamente ninguém, por exemplo, interrompe o passo autoritário do diretor da Joffrey Ballet de Chicago, Alberto Antonelli (Malcolm McDowell, Laranja Mecânica) ele segue, também ileso. Sem drama. E da mesma forma, sem drama, são tratados os reveses do universo da dança, descontentamentos, rompimento de tendões, quedas...

Altman não coloca lente de aumento em nada, nem mesmo na apresentação dos espetáculos. E esse é o aspecto que mais chama atenção durante todo o filme.

De corpo e Alma vale para saber como o diretor desglamouriza o filme, do começo ao fim. O trabalho é competente principalmente porque se trata de um tema lotado de glamour

Nota 8

Custos
Fui e voltei a pé
Donuts – R$ 3,50

14.2.07

Arismar do Espírito Santo – Sesc Av. Paulista – 13/02/07

Cadê a Marreca?

Esperava na porta do camarim para que a produtora me trouxesse o set list com as músicas do show. Enquanto isso Arismar passeava calmamente, conversava com os músicos, tocava um pouco de violão. Faltavam vinte minutos para o show.

Figura grande, com andar calmo e pesado, nem parecia ser a estrela da noite. Caminhava de lá pra cá e conversava com quem o chamasse. Da fila, todos podiam vê-lo e muitos acenavam para ele. E o aceno era sempre retribuído. O músico estava vestido com calça e camiseta largas, ambas azuis.

Entramos todos para assistir ao show, e pouquíssimos lugares ficaram vagos. Durante a apresentação, não só os lugares vagos foram tomados como também as escadas.

Arismar do Espírito Santo é um dos melhores baixistas brasileiros, e do mundo também. Ao meu lado, falavam em espanhol. Atrás de mim, em inglês. Todos esperando para ver um bom show de música instrumental brasileira.

Pontualmente sete da noite, Arismar e a flautista Léa Freire entraram no palco. Depois de agradecer a presença do público, o músico sentou-se, pegou um violão de sete cordas e começou a tocar Luizinha.

Na segunda música, entrou seu filho, Thiago Espírito Santo – ótimo instrumentista que vem conquistando seu espaço no cenário musical –, o baterista Alex Buck e o saxofonista Vinicius Dorin. E o palco ganhou corpo. Interessante dessa música é que, logo no começo, ouvíamos um som de baixo, mas Thiago (foto ao lado), que estava com o instrumento, ainda não havia começado a tocar. O som vinha do violão de sete cordas de Arismar. Em suas mãos um violão pode se transformar facilmente em muitos instrumentos.

O show não começou com força total, mas foi esquentando. Na quarta música, Caiçara, pai e filho conversavam, e foi o momento em que o palco começou a pegar fogo. Enquanto Arismar continuava com seu violão de nilon, Thiago foi para um violão doze cordas. Diálogos incríveis, solos muito bons.

O Sesc gravava a apresentação, mas isso não interveio muito no desenrolar do show. Em nenhuma momento pararam para retomar uma música, ou as coisas que normalmente acontecem quando há gravações de shows.

Entrou o trompetista Daniel D´Alcantara que, com solos rápidos (por horas em exagero), deu novo fôlego às músicas. O set list era composto por temas que faziam parte do novo cd de Arismar, Foto de Satélite.

Uma das grandes e boas surpresas veio na música Tidinho. Arismar larga o violão e vai para a... bateria! Senta no banquinho da batera, que parece pequena perto dele, e dá um show. Viradas ótimas e riffs muito bem feitos.

Depois de cerca de uma hora e dez minutos de show, antes de começar a última música, Peixada da Lola, Thiago avisa Arismar: temos de refazer a música Cadê a Marreca. E Arismar avisa, sorridente, ao público: “Gente, vamos refazer a Marreca!!! Demais!”

No bis, Marreca. Melhor do que a primeira versão que havia sido tocada logo no começo do show. Saíram, mas o público, novamente aplaudindo de pé, fez com que voltassem.

Aí então a platéia não se conteve. Arismar pegou o baixo, e muitos comemoravam! As pessoas conhecem Arismar, principalmente, como baixista. E era a primeira vez na noite que ele e seu baixo se encontravam. Já havia tocado, naquela noite, violão de nilon, de aço, guitarra, bateria. Mas baixo, que é bom, nada.

Foi ridículo. O contrabaixo, nas mãos de Arismar, parecia brinquedo de criança. Fazia do baixo um violão, uma percussão, um baixo, uma guitarra. Acho que metade dos músicos presentes na platéia (havia muitos) ficou extremamente deprimida. Enquanto a outra metade não sabia onde colocar tanta felicidade.

Parecia platéia de show de jogo de futebol. As pessoas comemoravam trechos de solos, riam com as caras e bocas de Arismar. A banda ficou parada, assistindo, esperando a deixa para entrar. E ela não vinha. O baixista continuava a solar quando, de repente, deu a nota de entrada para a banda. Flauta, sax e trompete voaram para seus respectivos microfones, enquanto o publico caiu na gargalhada.

Nota – 9

Custos
Pizza – R$ 1,50
Transporte – fui e voltei a pé

Set List: Luizinha, O Filme, Cadê a Marreca, Caiçara, Tira a Mão, Vestido Longo, Vestido Longo, Varandão, Foto do Satélite, Tidinho, Serena, A Gueixa, Peixada da Lola

10.2.07

Velha Guarda da Camisa Verde e Branco – Fnac Paulista – 09/02/07

Samba com o manto sagrado

Vestidos de vermelho e branco, os Filhos de São Mateus acomodaram-se nas cadeiras dispostas em semi-círculo e começaram a tocar um samba. Eles são um grupo formado por jovens que acompanhariam a velha guarda. O péssimo som da Fnac atrapalhou, e atrapalhou muito. Quase não dava para entender o que os cantores diziam.

Depois da primeira música, chamaram aqueles a quem todos estavam lá para ver, a Velha Guarda da Camisa Verde e Branco. Vestidos com camisas brancas e coletes verdes, calças brancas e sapatos verde-brancos, os seis senhores espremeram-se no pequeno palco da Fnac e agradeceram ao público.

Não são palmeirenses, e seus produtores insistiram nesse quesito: “é uma escola de samba, não um time de futebol. E a maioria é são-paulina”. Apesar da decepção, continuei assistindo ao espetáculo que, se não primava pelo bom gosto futebolístico, primava pelo musical.

Canções daquelas de malandro, nas quais o sambista chega em casa altas horas da noite e tem que se ver com a patroa. Tristezas da vida, solidão e mágoas infindas. Exaltações da vida de pagode e cerveja, que leva em alegria a existência até o sol raiar. São o tipo de pessoas com quem você gostaria de estar num boteco por horas e horas a fio.

Enquanto os filhos de São Mateus tocavam os sambas, os vechi signori cantavam. A cada música um dos seis integrantes tomava as rédeas do microfone principal enquanto os outros ajudavam nos refrões. Ainda sim, o som abafado da casa nos deixava em grandes dificuldades para entender o que cantavam. Vale lembrar a banda não chegou a tempo para passar o som, então não se pode colocar toda a culpa na casa.

A Velha Guarda era formada por senhores negros vestidos de verde e branco. Todos, com disposição invejável, ensaiavam alguns passos de samba no pequeno palco, cantavam alto, puxavam palmas em todas as músicas, saiam do palco para ficar mais pertos do público. Quando o microfone de um deles parou de funcionar (fato que o deixou um tanto quando bravo, com razão), não teve galho. Levou no gogó a música e todos podiam ouví-lo, como se estivéssemos num bar.

Foram apenas quarenta minutos de apresentação para uma Fnac completamente lotada - tanto o espaço reservado aos shows quanto o café em frente. Ninguém sambou, pois o espaço não comportava, mas todos saíram de lá com um sorriso no rosto. Algo de mágico naqueles seis senhores vestidos com as cores do manto sagrado do futebol.

Repertório: Hino da Velha Guarda, Canto pra viver, baiana da Ribeira, Nata do Samba, Minha Preta, Quem censurar, Se fosse pra chorar, Sampa só samba, Se eu chorar, Quando, Lamento Negro, pot-pourri (sambas de enredo)

Integrantes da Velha Guarda: Dadinho, Nelson Primo, Airton Santa Maria, Mário Luz, Hailtinho, Paulo Henrique
Integrantes do Filhos de São Mateus: Emerson (cavaco), Leandro (Violão), Junior Alemão (repique), Tiago (pandeiro) e Hugo (surdo)
Produtores: Carmo Lima, Fernanda Thomaz

Custos:
Soda Italiana: R$ 3,10
Pão de queijo (cestinha): R$ 2,40
Transporte: fui e voltei a pé
Total: R$ 5,50

Nota: 8

6.2.07

Gregório Gruber – Espaço Cultural Citigroup – 06/02/07

São Paulo das doces lembranças

São Paulo fosca, de paixões infantis e sonhos distantes. Com cores esfumaçadas, Gregório Gruber traça uma cidade que faz a imaginação e a memória se cruzarem. Para quem vive nessa metrópole, as cenas têm um impacto ainda maior: Masp, São Bento, Gasômetro (ao lado), centro, tudo é inspiração, tudo é cenário.

Uma criança desce de bicicleta uma rua semideserta. Os pequenos sobrados com suas janelas abertas mostrando o televisor ligado revelam identidades semelhantes de famílias com histórias distintas. E parecidas.

São Paulo de Gruber é a cidade que nós pensamos quando estamos fora dela. Aquela cidade gostosa, cuja lembrança nos acalma. O quadro que mostra a Avenida Paulista relaxa os olhos de quem vive ou viveu aqui por anos e anos.

O pintor usa traços definidos que, misturados com cores foscas (que lembram um pouco as do impressionismo), resultam em um bom trabalho. Uma espécie de sonho daquela São Paulo que ficou guardada em nossas lembranças infantis – uma cidade boa e doce.

Quando se põe a pintar quadros com temas não urbanos, Gruber também impressiona. No “Reserva em Turquesa” (ao lado), constrói os galhos da árvore com filetes de tinta verde, como se eles tivessem escorrido por conta própria na tela.

Outra obra que vale a pena ser vista com mais cuidado é Perdizes, um painel que mostra o bairro e, ao fundo, o Pico do Jaraguá. A vista é a de um apartamento, no final de tarde. As cores fazem o observador não ter certeza se Gruber tenta relatar um sonho ou uma daqueles finais de tarde gostosos passados à janela de um apartamento. Os dois, muito provavelmente.

Saí da exposição leve, e voltei para minha São Paulo. Bem parecida, por sinal, com a cidade retratada.

Local: Espaço Cultural Citigroup (Av. Paulista, 1.111)

Custos:
Salgado: R$ 1,50
Transporte: fui e voltei a pé

Nota: 9

Qual a sua impressão sobre a cidade de São Paulo ou sobre outra cidade? Comente abaixo!

5.2.07

Adaptação – CCSP – 04/02/07

Como escrever um drama sobre uma flor

Os lugares da pequena e agradável sala de cinema do Centro Cultural Vergueiro (CCSP) estavam tomados. Nem o show da banda Golpe de Estado (também no CCSP) nem os jogos do Paulistão deste domingo conseguiram esvaziar a sala - e seis e cinco o filme começou.

Adaptação é do mesmo diretor, Spike Jonze, e do mesmo roteirista, Charlie Kaufman, de Quero Ser John Malkovich. E é exatamente com um um suposto making of deste filme que Jonze abre a primeira cena de Adaptação. A câmera mostra a equipe de trabalho, e focaliza o tímido roteirista, quase invisível. Nicolas Cage.

A atuação de Cage é impecável. Parece não ser ele, e sim um outro ator, já que não reconhecemos na personagem Charlie Kaufman (sim, um hortônimo do roteirista) nenhum traço dos outros papéis anteriormente interpretados pelo ator. Além de Charlie, Cage interpreta Donald, seu irmão gêmeo.

Um começo de filme europeu, daqueles fantásticos e com diálogos que nos levam a pensar sobre muitos assuntos de formas variadas; um final de filme americano, com todos os temperos dos hollywoodianos bons.

Adaptar-se é não morrer, é poder mudar e seguir em diante. “Adaptação é um processo profundo”, segundo o próprio filme. “Mudar não é uma escolha”.

Charlie é um roteirista reconhecidamente bom, contratado para transformar o livro de uma jornalista do The New Yorker, Suzie (Meryl Streep), em roteiro de cinema. O livro é sobre orquídeas - e sobre um horticultor que entende bastante sobre o assunto.

Bloqueios mentais atrapalham Charlie a escrever o roteiro sobre o tema que pensa ser o principal do livro, as flores. A partir disso, com a ajuda de seu irmão, vai sofrendo o processo de mutação ao qual o filme se propõe.

No decorrer da ação, as duas personagens principais, Charlie e Suzie, vão se adaptando, passando pelo longo e profundo processo. Sem volta, claro.

É um filme para se ter na estante, assistir feliz, triste, cansado, animado. Sempre haverá uma nova visão, algo que não foi percebido. Ainda mais por ser um daqueles filmes com falas fantásticas, que demoram um tempo para ser decantadas. Um dos melhores filmes que já vi, com certeza.

Custos:
Sanduíche: R$ 1,20
Transporte: fui e voltei a pé

Nota: 10

3.2.07

Cinema do Roy - Oscar e Sundance

Oscar e Sundance
por Roy Frenkiel

A maior festa do cinema comercial está a menos de dois meses daqui. A entrega do Oscar, esperada ansiosamente pelos fanáticos, conhecedores e apreciadores da arte cinematográfica já tem seu processo iniciado. Os melhores filmes já estão nomeados. Mas, nos Estados Unidos, em uma cidade nem tão distante do local da entrega do Oscar, Los Angeles, também existe um outro festival, um dos mais importantes do cinema independente, provavelmente perdendo em popularidade apenas para o Cannés.

Trata-se do Sundance Film Festival, realizado em Park City, um dos festivais de maior audiência nacional, mas que há alguns anos não tinha nem metade do tamanho atual. Com o mesmo pretexto do festival de Cannés, o Sundance traz à tona diretores, escritores, produtores, atores e coreografistas do cinema independente de grande qualidade. Dezenas ou centenas de filmes foram escolhidos entre dezenas de milhares, mas isto faz parte da inovação do cinema independente no geral. Afinal, há vinte anos entrar no Sundance significava não fazer parte das uniões de Hollywood, e quase ninguém se arriscava. Em comparação, atualmente há outros festivais com o mesmo propósito do Sundance. Em um deles, por exemplo, apenas entra quem obtiver uma carta de rejeição do próprio. Todos os festivais, ou quase todos, permanecem constantemente lotados. O motivo? A popularidade dos filmes alternativos tem mudado a face mundial do cinema.

Isso se deve à falta de originalidade iminente, expressa nos últimos anos em Hollywood, enquanto uma boa parte dos melhores filmes era apenas uma reconstrução de obras já feitas no passado. A moda seguiu, cresceu, e, aparentemente, encheu. Um outro quesito é a transformação das gerações de cinéfilos, procurando algo que desafie suas mentes, que proponha uma realidade fictícia menos superficial. O cinema internacional, com o desenvolvimento da globalização cibernética, também contribuiu para o fenômeno. Atualmente, ser um diretor de filmes independentes gera créditos similares aos dos diretores hollywoodianos. No Sundance, por exemplo, o mesmo estilo independente mudou, e cineastas procuram expressar menos suas próprias perspectivas de suas herméticas vidas, para expressar assuntos de importância global.

Há alguns filmes importantes para o Sundance, a maioria inéditos, e confesso que não os assisti. Assisti alguns dos ganhadores dos anos passados, como “Land of Plenty” (Wim Wenders, 2004), com a atuação da quase famosa Michelle Williams, e um elenco humilde. Trata-se de uma missionária, acostumada com os conflitos da Faixa de Gaza e a fronteira isralense, que volta para os Estados Unidos em busca de seu tio, e percebe que, enquanto na Faixa de Gaza critica-se os Estados Unidos pelo capitalismo cruel, pela ostenção de valores monetários e pela destruição dos valores alheios, os Estados Unidos em realidade se encontra em crises financeiras e sociais intensas, mas ignoradas em prol do que ocorre no Iraque. O filme não é dos melhores, mas definitivamente toca em pontos sensíveis e essenciais. A quem encontrar, recomendo.

Para o Oscar, a situação não é das piores este ano, pelo mesmo efeito, a necessidade de criar alternativas dentro do cinema comercial. “Babel,” por exemplo, de Alejandro Gonzáles Iñárritu (diretor de “Amores Perros,” 2005, um dos melhores filmes de humor negro que já assisti), é o favorito ao prêmio de melhor filme, ao lado de “Little Miss Sunshine” (2006, Jonathan Dayton e Valerie Faris), “The Departed” (Martin Scorsese, 2006), “Letters from Iwo Jima” (do veterano Clint Eastwood, 2006) e “The Queen” (Stephen Frears, 2006). No caso de “Little Miss Sunshine,” já se testemunha a mudança do ângulo escolhido para entreter uma audiência. O filme, de modo geral, trata da má sorte, da disfunção familiar e conceitos sociais descartáveis, bem como do ser humano, lidando com as dificuldades absurdas do cotidiano. Talvez os filmes de Scorsese, de Eastwood e de Frears, não tratem do ângulo mais original possível. Mesmo assim, certamente o fazem Alejandro Gonzáles em “Babel” (cujo tema prefiro deixar no ar) e os diretores de “Little Miss Sunshine”. Vale a pena assistir.

Quanto ao cinema, fiquem espertos: O mundo está mudando. O cinema faz parte do mundo. Logo, o cinema está mudando.

Aos abrax,

Roy Frenkiel

Eletrobatucada – Fnac Paulista – 02/02/07

Samba roots

O palco preparado para o show da Banda Eletrobatucada era o típico de uma roda de samba. Além de percussões e uma pequena bateria, duas mesas com porções de amendoim, balde de cerveja, pandeiros e letras de música.

Vinte cadeiras estavam dispostas para o público, e cerca de metade já estava tomada quando eu cheguei. No café em frente ao palco, bastante movimento.

Sete e dez a banda se sentou; um violão, um cavaquinho, dois percussionistas e dois cantores. Logo de cara o pessoal da Eletrobatucada começou a tocar Brasil Pandeiro, um dos clássicos do samba.

As vozes do conjunto, uma masculina e outra feminina, desafinavam vez ou outra. Apesar disso, era gostoso ouvir cantá-los aquelas músicas num ambiente propício a um bom samba.

A banda é formada por bons músicos, mas falta ensaio. Erravam algumas entradas e saídas de canções, e tudo era meio mambembe, meio jazz. Mas ia-se levando o show na maior onda, com um repertório bem tradicional.

Estava sentado na primeira cadeira, colada aos músicos. Decidi sair e ir ao café em frente para conseguir uma segunda visão do show.

Logo que levantei fiquei surpreso: muitas pessoas estavam de pé vendo o show - pararam para ouvir aquele som que os agradou enquanto viam livros e afins. Garçons sambavam enquanto os casais assistiam abraçados. Tanto quem estava na cadeira quanto quem estava de pé não conseguia ficar totalmente parado. Ou mexia o pé, ou a cabeça. Alguma parte do corpo tinha de sambar.

Sentei na única mesa vaga do café para assistir ao resto do show. Um rapaz, em inglês, pediu para sentar em um dos lugares vagos da mesa. Ele veio da Suécia fazer um curso no Brasil. Estava passeando pela loja quando ouviu aquele som. Achou ótimo e veio ver o que era. Nunca tinha escutado samba na vida, e adorou.

Realmente, Eletrobatucada é a medida ideal para quem quer conhecer o samba. No repertório, somente os sambas mais conhecidos tocados de forma tradicional. Por vez e outra algum som eletrônico, mas que não altera muito o resultado final.

A reação do público, que foi pouco a pouco tomando o espaço com gente que passava, diz bastante sobre a banda. Uma bom conjunto, que tem todo o clima de uma roda de samba e toca as músicas que todos gostam de ouvir.

Set List: Brasil Pandeiro, Argumento, Coração Leviano, Só tinha de ser com você, Bala com bala, Mas que nada, Brasileirinho (instrumental), Piano na Mangueira, Lama, Na tonga da mironga, Berimbau, Timoneiro, Coqueiro Verde, Mestre Sala dos Mares, Alegria, Ouro e madeira, Água de beber, o morro não tem vez.

Custos – R$ 0,00
Transporte – fui e voltei a pé

Nota – 7,5

29.1.07

Nação Zumbi, Tom Zé e Mutantes - Praça da Independência - 25/01/07


Um dia no Parque
Nação Zumbi, Tom Zé e Mutantes


Assim que desci do ônibus, começou a chover. Apenas uma grade me separava do Parque da Independência, mas ainda estava longe da entrada. Enquanto isso, conversava com Willian, um senhor de meia idade que veio comigo no ônibus. Ele ia declamando suas poesias enquanto tentávamos nos abrigar da chuva. Não que aquilo preocupasse muito.

Com sua garrafa plástica de vinho debaixo do braço, Willian andava desviando das pessoas que vinham em direção contrária, e ficou bem animado quando lhe disse que a primeira banda a tocar seria Nação Zumbi. Só sabia que os Mutantes tocariam. Quando falei em Tom Zé, não pareceu se animar tanto, mas Nação Zumbi... pelo visto gostava mais deste do que Mutantes.

Nos despedimos e fiquei abrigado em uma barraquinha de milho. O cheiro, aquele infeliz e delicioso cheiro de milho quentinho me obrigou a comê-lo. Fiz. Acabei de comer e eram quatro e meia da tarde. O show, programado para começar quatro horas, ainda nem dava sinais de vida. A chuva só fazia aumentar. Vi então uma amiga de faculdade e fui conversar com ela. Ela me emprestou um guarda-chuva reserva e me apresentou uma amiga bonita.

Conversamos um pouco sobre coisas comuns e decidimos tentar entrar. Era uma tarefa árdua, já que a polícia havia barrado a passagem e só deixava as pessoas entrarem a conta-gotas. Depois de alguns pontapés e cotoveladas, entramos. Nessa hora, faltando dez minutos pras cinco, já começava a parar de chover.

O segurança me revistou e pediu pra verificar minha mochila. Disse que não podia entrar com a garrafa de água, já que a Sabesp tinha instalado alguns postos de água grátis dentro do parque. Dei minha garrafa aos policiais, que, diga-se de passagem, culpa nenhuma têm por essa ordem sem nexo, apenas estão lá, suando e sendo odiados. Não preciso nem dizer que não vimos nenhum posto de água, e não fosse pelas minhas amigas entrarem com garrafas escondidas no fundo de suas malas, morreríamos de sede. Lá dentro, vendedores desfilavam com garrafas de vinho a preços “módicos”.

Atrás do palco a linda estátua da independência, mesmo coberta em grande parte pelo palco, não perdia sua imponência. Olhando para trás, do outro lado da rua, o Museu da Independência. É, sem dúvida, um dos lugares mais lindos de São Paulo, e um local perfeito para um daqueles festivais antológicos que os magnatas sempre sonham em realizar.

Nação Zumbi
Enquanto andávamos até o palco, o som começou a rolar. Um som que misturava um rock daqueles bons e pesados com percussões brasileiras, de maracatu. Quem ouve entende porque o estilo é chamado de Maracatu Atômico.

Muitas pessoas estavam lá só pra ouví-los, e foram embora quando acabou. Quem foi pra ver Mutantes ou Tom Zé, em geral, não se animou muito. O pessoal que estava na frente e havia enfrentado a chuva com coragem pulava e se esbaldava.

Uma mistura de sons novos com rits da época de Chico Science, um dos mais importantes músicos brasileiros do último século. Uma banda que continuou mesmo com a morte de seu criador.

De onde estava, um pouco pra frente da metade do parque, via alguns rostos dançantes e alguns chateados. Enquanto uns curtiam, outros só queriam que acabasse.

E acabou. Sem bis, a banda deixou o palco que começou a se preparar para seu próximo episódio: aquele do Tom Zé.

Tom Zé
Vestido de vitrola, entrou aquele que era underground entre os perseguidos pela ditadura. Aquele que em plena repressão militar - a qualquer um que respirasse liberdade - fez um disco cuja capa, que parece ser um olho, nada mais é do que um ânus com uma bola de gude no meio.

Este ser, até hoje novo e doido, começou a cantar. Atrás do palco, Zélia Duncan só vendo, curtindo, admirando Tom Zé.

Como um moleque, chegou pulando. Ensinava frases ao público, que as repetia, rindo. Parava as músicas no meio para ensinar os refrões. Novamente, o público mais perto do palco foi o que mais curtiu. Aquelas pessoas com cara de caneca (sabe aquela cara que você faz quando ganha uma caneca?) que não curtiram o show anterior também não manifestavam outro humor aqui.

Mas, com certeza, quem mais aproveitava o show era Tom Zé. Mais do que qualquer outro. Como disse Marcelo Rubens Paiva em Feliz Ano Velho, esse artista é um dos que ainda não foi integralmente reconhecido. Assim como Hermeto Paschoal. É o mal daqueles que inovam musicalmente; são taxados de esquisitos e por isso colocados em uma prateleira à parte.

O parque já estava totalmente tomado então. Andar era tarefa para os bons, mas mesmo assim era fácil encontrar amigos. Encontrei alguns, que me davam diferentes panoramas e opiniões sobre os shows. Depois que voltei pra casa, descobri tantos outros que também foram e não encontrei.

Então eu e as duas meninas que estavam comigo fomos em nossa longa migração para o mais perto do palco que conseguimos. Afinal, em pouco tempo começaria o show dos Mutantes. Um Mutantes sem Rita Lee, é verdade, mas Mutantes.

Os Mutantes
Conseguimos ficar relativamente perto. O suficiente para ver sua chegada triunfal. Vi aqueles antológicos músicos entrarem em roupas que condiziam com o lugar. Sérgio Dias estava vestido de Dom Pedro, Zélia Duncan de donzela. Segundo estimativas da polícia militar, cerca de 50 mil pessoas estavam lá para conferir o show.

Minha fidelidade à Rita Lee foi então quebrada. Apesar de fã dos Mutantes, e de ser um daqueles que não são muito adeptos a tais mudanças, tive de me render: nunca vi a banda como nesse dia. Zélia Duncan parece ter nascido para cantar com Sérgio Dias e Cia.

A cantora não conseguia tirar o sorriso do rosto. Mas não era aqueles sorrisos de pagodeiro em clipe da MTV não, era um sorriso de criança, como quem não se agüenta de tão feliz. Os outros Mutantes, com cara blasé, curtiam igualmente.

Um som inteiro, completo. Os fãs de Mutantes aguçavam a visão para ver seus ídolos, pulavam, gritavam. Parafraseando uma amiga, é como se Raul Seixas voltasse e fizesse um show. De graça.

Eles são a mais perfeita tradução da cidade de São Paulo, como já cantou Caetano. Uma cidade deste tamanho e que tem tão poucos referenciais na música. A única banda paulistana da noite. Cantaram parabéns pra você, já que era aniversário de Sampa, e todos acompanharam.

Uma mescla de Yes com Beatles, variando rifs de guitarra com teclados viajantes, os Mutantes tocaram e o público agradeceu. Mutantes clássico, como não poderia ser diferente. Mutantes para se ouvir três vezes. Principalmente quando chamaram Tom Zé para cantar uma música.

As músicas que tocaram foram as tradicionais: Ando meio desligado, Balada de um louco, Minha menina, Panis et Circensis, entre outras. Se faltasse alguma dessas, muitos fãs voltariam para casa desolados.

Para olhos e ouvidos atentos, foi um show para por no currículo. Valeu cada gota de chuva.

Nota
Nação Zumbi – 8,5
Tom Zé – 9
Mutantes – 9,5

Custos
Bolacha e água – R$ 2,50 (sim, a água que dei quase inteira)
Milho – R$ 1,00
Ônibus – R$ 4,60 (férias não tem bilhete único)

Total - R$ 8,10

Você estava lá? Deixe um comentário descrevendo o que você viu, qual sua opinião sobre os shows, críticas, apelos ou etcéteras!

19.1.07

De Puro Guapos – Fnac Av. Paulista – 18/01/2006

De puro talento


Uma pessoa corajosa, de fibra, que enfrenta e vence seus problemas e adversidades. Este é o significado da expressão “De Puro Guapos”, explicada assim pelo único argentino e líder do grupo, Martín Mirol. Trata-se de uma orquestra típica de tango, nascida em São Paulo, e que está lançando seu auto-intitulado primeiro CD, ao vivo, gravado no espaço Cachuera, na capital paulista. Superando as barreiras do preconceito e da rivalidade de culturas gerada ao longo dos anos entre Brasil e Argentina, os oito músicos têm conquistado seu espaço, apresentando-se também no Rio de Janeiro e Santa Catarina.


Aguardados por um público heterogêneo e surpreendentemente numeroso, entraram no pequeno palco da Fnac pontualmente. Após os devidos ajustes para que coubessem perfeitamente naquele pequeno espaço e distribuíssem o som da melhor forma possível, iniciaram a apresentação. Com três violinos, contrabaixo, violoncelo, clarinete, piano e o instrumento clássico do tango, o bandoneón, logo foi possível perceber que o som era denso e completo. Guiados na maioria das músicas pelo piano e o bandoneón, o entrosamento entre todos era admirável e torna-se o principal atrativo da música do De Puro Guapos.

Porém, os valores individuais também tiveram chances de aparecer e não se mostraram menos ricos e completos. O pianista Paulo Bricoli, impressionava a todos com uma técnica e velocidade singulares, mesmo tendo que usar um teclado por causa do espaço oferecido. Como é a base principal de algumas canções, revela-se fundamental a cada trecho de tango orquestrado. Outro destaque é Martín Mirol, responsável pelos arranjos e pelo bandoneón. Instrumento este, que foi apresentado pelo próprio músico como “um tipo de sanfona que está para o tango, como a guitarra está para o rock americano.”. Sendo assim, Martín é um ótimo solista, pois destaca-se facilmente em diversas canções, criando efeitos e sons impressionantes, com uma eficiente agilidade nos dedos e até muita presença de palco. É ele também quem conversa com o público nos intervalos das canções. Apesar do “portuñol”, consegue arrancar risos do público, acrescentar importantes informações e refletir uma simpatia evidente no rosto de todos integrantes.
“9 de Julio”, Quejas de Bandoneón” e “Libertango” foram as músicas mais aplaudidas e que mais chamaram atenção ao vivo. Com um repertório baseado no classicismo do século XX, o que chega a cansar em alguns momentos, De Puro Guapos liberta-se sutilmente desta característica quando toca a composição de Astor Piazzola (“Libertango”). É um tango modificado, com novas influências, mas que não deixa de ser interessante em nenhum momento. Requer uma técnica diferente, que é apresentada competentemente pela orquestra e só enriquece o show. No fim, aplausos fortes e sinceros, sorrisos no rosto e uma sensação clara de que uma pequena aula de música foi dada naqueles poucos minutos.


Custos:
R$ 0,00

Nota - 9

15.1.07

Ginger e Fred – CCSP – 14/01/06

Ginger e Fred


Saí de casa e não muito tempo depois estava no CCSP (antigo Centro Cultural Vergueiro). Sem filas peguei meu ingresso para a sessão de cinema das 6 e fui esperar na lanchonete do lugar. Cinco e meia fui pra fila (que já tinha bastante gente) e seis em ponto abriram as portas. Uma sala de cinema relativamente pequena, mas confortável.

Colocaram o DVD do filme em questão, Ginger e Fred, e, após algumas tentativas frustradas, conseguiram dar “play” no filme.

Obra de Federico Fellini, Ginger e Fred conta a história uma dupla que fazia um número imitando Ginger Rogers e Fred Astaire, dois grandes dançarinos de Hollywood, nos anos quarenta. Trinta anos depois se reencontram para participar de um programa de televisão e dançar juntos novamente.

O mais brega do mundo dos anos oitenta está lá. Desde os cabelos, as luzes, as propagandas, as roupas. Tudo nos remete ao que de pior teve o gosto daquela década. E é exatamente com esse pano de fundo que se reencontram Pippo e Amelia, os personagens principais.

A atuação de Marcello Mastroianni é de cair o queixo. O ator, já mais velho, valeria o filme por si só. Seu personagem é um bailarino que dormia com todas as mulheres, menos Amelia. E que ficou muito abatido quando a dupla acabou. Em meio a todo aquele mundo oitentista, uma volta ao passado no reencontro dos dois naquele programa de televisão.

No cinema, parecia que víamos um jogo de futebol na Copa do Mundo. As pessoas riam, choravam, torciam. Ao meu lado, uma menina a certa altura do filme não se agüentou: “mas o que ele vai fazer? O que ele vai fazer? Não!”. Divertido, pois o cinema ficou, por instantes, italiano.

Engraçado que as personagens principais, apesar de estarem vendo aquela Roma que se mostra decadente, reanimam-se nas lembranças e nos olhares daqueles passos que davam quando imitavam a dupla hollywoodiana. Era em outra Roma que estavam enquanto esperavam entrar em cena.

É um filme para alugar e ver uma, duas vezes. Para quem gosta de comédia italiana, com toques de beleza e sutileza, uma boa pedida. Fiquei com bastante curiosidade de ver mais e mais Fellini, e confesso que tentarei ver mais dessa Mostra Fellini que está rolando no CCSP. Valeu a pena.

Custos:
Coca-Cola: R$ 2,00
Transporte: Fui e voltei a pé
Total: R$ 2,00

Nota: 9,5

9.1.07

Pedra Branca – Sesc Av. Paulista – 09/01/07

Uma tarde em Itapoã

Sente, relaxe, pegue um copo de vinho. Pedra Branca não é um som para se tentar compreender; não de primeira. É um som para ouvir e viajar, vagar por aí.

Cheguei ao Sesc Paulista lá pelas seis e vinte, vinte minutos depois dos ingressos começarem a ser distribuídos. E tinham acabado de acabar. Como havia muita gente sem entradas, o pessoal da casa decidiu colocar mais trinta cadeiras no teatro e distribuir mais trinta ingressos. Consegui o meu.

Uma formação bem inusitada de banda, com instrumentos indianos, percussões das mais variadas, sintetizadores e outros apetrechos eletrônicos, clarinete e flauta transversal, flautas de bambu, baixo elétrico. Até um baixo acústico que nem chegou a ser usado.

A primeira música já deu a entender qual seria o tom da noite. Num estilo bem minimalista, os sons iam se somando na música aos poucos, elementos surgiam de leve e ficavam. Por vezes, só vinham falavam algo e iam embora.

Pedra Branca, em Tupi, quer dizer Itapuã. E é exatamente às tribos indígenas brasileiras que nos leva em primeiro lugar a sonoridade da banda. O toque de alaúde nos mandava, hora ou outra, para o mundo árabe, mas a percussão não deixava a passagem ser completa.

Depois da segunda música, uma pausa. O computador tinha dado problema, e todos correram para acudir. Uns vinte minutos de parada, o público dispersou um pouco. Voltaram a tocar, com a mesma energia de antes.

Todos os músicos da banda, em palco, aparentavam calma. A música em si já leva a esse estado de espírito, como se estivéssemos ouvindo mais a natureza do que uma banda em si. De fundo, enquanto a música rolava, cantorias indígenas, que continuavam quando as músicas acabavam. Esse vai e vem, as músicas que se assemelhavam umas às outras, chegava a confundir o público, que nunca sabia direito a hora de aplaudir.

Para ouvidos não preparados para esse tipo de som, como, confesso, estava o meu, Pedra Branca pode parecer um pouco cansativo, repetitivo. Mas, mesmo assim, não há como deixar de se render à proposta da banda, sua música. É algo que agrada e faz a imaginação viajar o tempo todo.

Banda:
Luciano Sallum (sitar, alaúde, samissen e armesk)
Aquiles Ghirelli (tabla, didgeridoo e voz)
João Ciriaco (DJ)
Porto Rico (percussão)
Ana Eliza (flauta e sax)
San (baixo)

Custos:
Transporte - R$0,00 (fui e voltei a pé)
Salgados - R$2,00
Café - R$0,50
total - R$2,50

Nota - 8

8.1.07

Novidade!!!

Novo colunista na área!

Roy Frenkiel é o mais novo colunista do Arte Free! Direto da terra do Tio Sam, Roy traz para nós análises precisas e afiadas sobre cinema, seja alternativo ou não. Já no primeiro texto de sua coluna, Cinema do Roy, Roy desce a lenha em Mel Gibson, diretor de A paixão de Cristo e Apocalypto.

Roy é editor do já consagrado Reação Cultural, revista eletrônica em formato de blog que vem crescendo consideravelmente na rede.

Para conferir seu primeiro texto para o Arte Free, Os Gênios do Crime, clique aqui!

Cinema do Roy - Os Gênios do Crime

Os Gênios do Crime
Por Roy Frenkiel

Um dos primeiros propósitos do cinema pós-edição, foi o da propaganda. Uma das primeiras e mais famosas propagandas massivas eficazes realizada, foi feita às ordens de Hitler, contra O Judeu, o ‘üntermentch’, ‘subumano’ responsável quase exclusivo dos males da Alemanha. Muitos de meus amigos próximos, judeus como eu, testemunharam posteriormente que a propaganda funcionaria, caso não conhecessem a realidade. O cinema, portanto, há décadas, já provou-se método não só eficaz, mas provavelmente a principal ferramenta do marketing de idéias, se não também de produtos e, eventualmente, da história.

Gibson procurou fazer exatamente isto quando lançou ‘A Paixão de Cristo’ em 2004, causando uma polêmica que, para ele e seus associados, serviu de sólida base a sólidos lucros. Independente da trama e da veracidade bíblica de sua narrativa, a direção e intenção do diretor espelham-se justamente na violência que, mesmo tendo ocorrido conforme a narrativa do filme, expressa-se com o intuito de causar desgosto, asco e repúdio aos olhos do espectador. Isso é eminente nas salas de cinema locais, onde o público ‘conversa’ com a gigantesca tela e a imagem do refletor, aplaudindo e vaiando conforme a causada impressão. O sangue do público lateja, verdeja insanamente, e a ‘torcida’ inicia um aquecimento que pode, muito bem, tornar-se concreto. Mel Gibson poderia perfeitamente inspirar o amor a Jesus com seu filme, amor religioso por seu sacrifício carnal em nome da raça humana, não apenas dos gregos ou dos troianos, mas de toda ela como uma só. Preferiu, no entanto, mostrar a tortura de sua pele, e um inimigo em comum, o traidor, o demoníaco Judas. A mensagem, é claro, torna-se mesclada à brilhante cinematografia, escolha de imagens, fala do ‘original’ Aramaico (hollywoodiano), e uma delineada trama profissionalmente selecionada para impressionar o público. Em outras palavras, a polêmica levou o público ao cinema, que com seu desgosto, mas inegável (e inexplicável, alguns clamam) prazer pelo bom filme, apenas atraiu mais público, e a mensagem, seja ela qual fosse, qual interpretasse o espectador, foi amplamente distribuída.

Agora, novamente, Gibson procura o mesmo ângulo com ‘Apocalypto’, lançado ao fim do ano passado, no misto da raiva do público à imagem do ator-diretor australiano-nova-iorquino. Aos desavisados, Mel conseguiu a proeza de ser preso dirigindo bêbado em Los Angeles, e enquanto era detido, insultou o ‘judeu, responsável exclusivo dos males dos Estados Unidos’. O filme conta a estória – e note-se o ‘e’ de ‘es’tória – da decadência da civilização Maya quando, em 1517, já sofriam pelo conflito entre 16 tribos ao controle total da região, enquanto muitos dos ex-habitantes das grandes cidades, procuravam a paz nas florestas regionais. Aqui, mais uma vez, o diretor escolhe a narrativa da violência, mesclada à sua genialidade cinematográfica inegável, para expressar um ponto que não se esconde, porque muito pelo contrário, aparece na frase de abertura do filme: ‘Uma grande civilização não se conquista por fora sem que antes se destrúa por dentro’, de Will Durant. Uso ‘estória’ não porque a película mente ou desmente a ‘história’, nem por sua fabricação, porque se muito, foi meramente editada, não modificada da crua e nua realidade. Uso-a, isto sim, justo pela injusta edição da história de uma civilização tão maior do que no momento de sua decadência, esta estendida por décadas sem fim, até a chegada verdadeiramente apocalíptica dos europeus colonizadores, vindos de uma Renascença marcada por Inquisições, Cruzadas, e total injustiça e opressão sociais. Por mais verídica, realista e perfeitamente elaborada a trama, Gibson escolheu filmá-la de modo a inspirar a torcida pela morte de índios, e ainda, quem sabe, o alívio do público quando, no horizonte, se aproximavam as caravelas de Hernández de Córdoba, capitão dos exploradores das terras Maya. Para quem conhece as consequências dessa chegada, não há possível alívio, e sim a consciência de que aquilo, e não a decadência do Império Maya, significou o fim de uma grande civilização.

Nada justifica a barbárie dos índios opressores, e ninguém pode descartar a realidade de que, entre eles e muitas de suas tribos, houve muitas guerras, muitas delas de extrema violência e crueldade, se em nome de sacrificios supersticiosos ou disputando territórios. Contudo, o genocídio ocasionado pelos europeus, de homens, mulheres, crianças e idosos, nada se compara ao primitivismo destas ditas tribos em suas batalhas. Mesmo que houvesse genocídio entre os índios, nenhuma tribo, nem as mais cruéis, procurava aniquilar crianças propositalmente, como fizeram e ainda fazem os pertencentes à Grande Civilização Ocidental. Em nenhuma de suas guerras houve a menor intenção de aniquilar toda uma raça, mesmo porque a guerra era, ou assim se pode afirmar paralelamente, ‘civil’, entre os Mayas, em seu próprio âmago. Aniquilar toda uma raça, como ainda se diz e se cochicha pelos ouvidos dos racistas, homofóbicos, anti-semitas e misógenos, significaria para os Mayas, naquela época, exterminar os próprios Mayas. Gibson, com a frase de Durant, quis expressar que as grandes civilizações sempre foram iguais, e que os europeus apenas lograram a conquista pela desunião das tribos locais. Não se pode negar que a desunião tivesse alguma influência, mas imaginemos que, por mais avançados em suas arquitetura e no modo de condução de suas vidas, em floresta ou nas restantes cidades, a surpresa dos índios foi extrema ao avistar os europeus em suas caravelas. Talvez, menos por seu avanço em infra-estrutura, e mais pelo atraso em suas superstições, a batalha dos europeus, desde a original ilha caribenha invadida por Colombo, até a desoladora conquista dos territórios Maya e Azteca, foi infinita e superiormente desproporcional ao nível dos índios, originais habitantes dos territórios colonizados, mais cruel, desumana e opressora, por motivos mais banais, sem cultura ou estrutura pensamental antropológica, apenas pelo mais básico instinto animal pela busca e consolidação de um terreno.

No futuro, não se espantem se Gibson resolver fazer um filme sobre os muçulmanos, expressando seu primitivismo e sua barbárie, e o declínio de sua civilização, que antes se auto-desestruturou para que fosse assim possível a destruição pelas mãos dos Estados Unidos militar e seus aliados. Ele é um bom diretor, afirmo com toda a certeza que pode ter um mero espectador, como outro qualquer. Nenhum dos demais participantes da sessão sequer piscou os olhos durante o muito longa-metragem. O filme é bem filmado, bem traçado, bem falado, bem legendado, e tudo de bom que se pode dizer de um filme. Assustadora nem é a mensagem... Assustadora é a intenção do diretor, espelhada na frase inicial. Gênio, ele talvez pudesse ser, sem a frase... Talvez, com a mesma, torne-se ele o que, segundo Bush e para seu secreto agrado, chamar-se-ia de ‘Gênio do Mal’.

Roy Frenkiel, direto do site Reação Cultural, exclusivo para o Arte Free
http://reacaocultural.blogspot.com/

5.1.07

Seis Meses de Arte Free!!!

Seis meses de Arte Free!!!

Seis meses de existência. Com a idéia de aproveitar ao máximo da cidade gastando o mínimo (afinal, ninguém tem grana pra nada, nem nós), saímos pelas ruas de São Paulo atrás de arte, e arte da boa. Somos exigentes, não aceitamos porcarias. A arte não pode ser apenas gratuita, tem que ser de ótima qualidade.

Neste período de vida, o Arte Free recebeu apoio de muita gente. Vários colaboradores escreveram e escrevem para nós, leitores nos mandam dicas, assessorias de casas de shows ligam para falar sobre suas programações, blogs e flogs nos indicam, sites fazem matérias a nosso respeito, nossa comunidade no Orkut conta com mais de 270 pessoas, e os próprios artistas, que passam em nosso blog para deixar seus comentários sobre as matérias... Enfim, todos empenhados em desvendar a melhor da arte.

Tivemos alguns momentos gloriosos. A entrevista com Lenine foi um deles: enquanto toda imprensa se digladiava por um lugar na entrevista coletiva, o Arte Free conseguiu uma exclusiva, um pouco antes, ao lado do auditório do Ibirapuera. Uns 15 minutos de um papo sensacional. E que prazer conversar com a Fernanda Porto! Foram horas de uma conversa descontraída em seu estúdio quando ela falou de tudo, sobre sua vida, carreira, planos, influências. Depois de publicada a entrevista no Arte Free, o site oficial da cantora, Baque Virado, nos mandou um e-mail elogiando e pedindo para publicar a entrevista também em seu site.

Outro bom momento foi a matéria da 27a Bienal da Casa da Xiclet. Fiquei realmente surpreso ao ver o quadro de Marcela Tiboni ali, exposto em um dos quartos da casa. Era um quadro que eu já tinha visto em uma exposição no Instituto Cervantes, e o tinha descrito como um dos melhores. Melhor mesmo foi ver que um dos Comentários na matéria era da própria Marcela Tiboni. Ela elogiava o site e nos convidava para visitar seu atelier.

Uma vez me perguntaram: como você faz para descobrir estes shows, essas coisas? A resposta é simples: vou atrás, bato perna, ligo, mando e-mail. Sei que a maioria das pessoas não tem tempo de fazer isso, e é exatamente por isso que passamos dois dias por mês preparando uma agenda com inúmeras atividades gratuitas de Sampa. Fica no link Programação.

Temos uma média de onze mil acessos por mês, o que é bastante. As pessoas acessam e indicam para outras, que indicam para outras e para outras

É isso aí! Continuamos contando com o seu apoio, que nos leia, nos indique, nos dê dicas. Mas, mais importante que tudo isso, que nós possamos ser um incentivo para aproveitar a vida cultural paulistana!

Abaixo, alguns dos sites que fizeram matéria sobre nós e blogs e flogs que nos indicam:

Fizeram matéria sobre o Arte Free:
http://www.tramauniversitario.com.br/
http://www.baquevirado.com/ (fã clube da Fernanda Porto)
http://www.aomestre.com.br/lin/lin.htm
http://www.avenidacultural.com.br/

Sites que nos recomendam:
http://www.alfaiates.org.br/
http://www.dicadeteatro.com.br/
http://centauropress.sites.uol.com.br/clipcentauro.html
http://movil.be/index.php?s=delicious.p&tag=saopaulo/
http://3846.936aany45.info/
http://del.icio.us/url/4f123ce413653f15d1c260416d26a744
http://pt.88of100c.info/Deuses_gregos

Blogs que nos recomendam:
http://lavieestbleu.zip.net/
http://poucaseboasdamari.blogspot.com/
http://quimeropolis.zip.net/
http://dtomiate.blogspot.com/
http://lenitondias.blogspot.com/
http://nati-nati.blog.uol.com.br/
http://fabio.poeta.blog.uol.com.br/
http://cyberflo69.blogspot.com/
http://calmariaefuria.blogspot.com/
http://reacaocultural.blogspot.com/
http://fotolog.terra.com.br/travessao:78
http://donizetti.wordpress.com/
http://www.escolar.net/MT/archives/2006/10/candidables_del.html
http://rascunho-virtual.blogspot.com/
http://www.fightforyourmind.blogger.com.br/
http://blog.comunidades.net/loirazen/index.php?op=arquivo&pagina=6&mmes=11&anon=2006


Seu blog/flog/site também nos indica??? Deixe nos comentários o link que incluiremos na lista!

22.12.06

Teste: você entende de arte?

Teste: você entende de arte?

1 - Quem pintou o quadro Guernica, que retrata os horrores da Guerra Civil Espanhola?

a) Velásquez
b) Murillo
c) Picasso

2 - Quais bandas de Brasília surgiram do grupo Aborto Elétrico?

a) Paralamas do Sucesso e Legião Urbana
b) Legião Urbana e Capital Inicial
c) Paralamas do Sucesso e Capital Inicial

3 – Quem escreveu Capitães de Areia?

a) Marcelo Rubens Paiva
b) Euclides da Cunha
c) Jorge Amado

4 – De qual filme é a frase: “Francamente, minha querida, estou pouco me lixando”.

a) E o vento levou...
b) Ases Indomáveis
c) O pagador de promessas

5 – Quem foi o criador do estilo chamado Free Jazz?

a) John Coltrane
b) Ornette Coleman
c) Miles Davis

6 – Qual o nome da famosa série de livros de Julio Verne?

a) Volta ao Mundo em 80 dias
b) Viagens Extraordinárias
c) Alice no país das maravilhas

7 – Quem foi “o poeta dos escravos”?

a) Castro Alves
b) Casemiro de Abreu
c) Vinícius de Moraes

8 – Qual o nome do criador da história do Pinocchio?

a) Carlo Collodi
b) Henri Bergman
c) Irmãos Grimm

9 – Quem dirigiu Deus e o Diabo na Terra do Sol?

a) Augusto Boal
b) Arnaldo Jabor
c) Glauber Rocha

10 – Qual o autor do quadro O Grito?

a) Edvard Munch
b) Van Gogh
c) Pablo Picasso

clique aqui para ver o gabarito

16.12.06

Petit Música - Musiquinhas de natal

Musiquinhas de natal
por Luciano Piccazio Ornelas

Chegou o natal, época dos comerciantes faturarem e de muitos tirarem férias. Época dos discursos inflamados sobre espíritos natalinos, do décimo terceiro, décimo quarto, décimo quinto...

Para a música, é sempre um bom período. As festas pipocam para todos os lados, o tal espírito natalino floresce nos bolsos dos homens de negócios que, para impressionar, liberam a verba.

Floresce também, nas mãos compositoras dos músicos, músicas natalinas. E é exatamente aí que mora o perigo.

Quem agüenta ouvir Jingle Bells? Ou então "Happy Xmas", do John Lennon? São músicas que ficam armazenadas num potinho enferrujado no porão de uma casa velha, e que são tiradas todo o natal, invariavelmente.

Não sei quanto a vocês, mas essas músicas me deixam num mal humor danado, bem longe do tão almejado "espírito natalino". A pior coisa do natal é ouvir aquela versão da música do John Lennon em português. É para se jogar da ponte.

Aí os artistas se reúnem. Vestem-se todos de branco, seja natal, seja ano novo. Falam de paz, amor e esperança como se fossem palavras mágicas, que por si só resolverão o problema do mundo. É particularmente risível: "Desejo a todos paz, amor e esperança e um beijo bem quentinho no coração". Ok, então. Mas... o que você está fazendo para isso?

Não, cantar na Globo não é um bom jeito de atingir a paz mundial.

Realmente o natal traz coisas boas. O tal espírito natalino, por exemplo. Não é ótimo ver as pessoas se ajudando sem esperar receber nada em troca, mas simplesmente sendo movidas por um sentimento maior? Mesmo que só por alguns dias, é ótimo. Agora entram aquelas musiquinhas horríveis e o que acontece??? A pasteurização do natal!!!!! É paz e esperança pra cá, paz e esperança pra lá! E ninguém até agora parou para pensar seriamente nestas palavras. To começando a ficar enjoado delas.

Então uma dica, neste natal dê cds de música instrumental, qualquer que seja. Pra turma parar de se pasteurizar com o cd do Michael Jackson cantando um mundo mais bonito (uóóóó). Uma boa dica é Bolling Suíte For Flute, ou qualquer um do Jeff Beck. Só farei um pedido: peloamordeDeus, quebrem os cds de musiquinhas de natal!!!!

Luciano Piccazio Ornelas