5.2.07

Adaptação – CCSP – 04/02/07

Como escrever um drama sobre uma flor

Os lugares da pequena e agradável sala de cinema do Centro Cultural Vergueiro (CCSP) estavam tomados. Nem o show da banda Golpe de Estado (também no CCSP) nem os jogos do Paulistão deste domingo conseguiram esvaziar a sala - e seis e cinco o filme começou.

Adaptação é do mesmo diretor, Spike Jonze, e do mesmo roteirista, Charlie Kaufman, de Quero Ser John Malkovich. E é exatamente com um um suposto making of deste filme que Jonze abre a primeira cena de Adaptação. A câmera mostra a equipe de trabalho, e focaliza o tímido roteirista, quase invisível. Nicolas Cage.

A atuação de Cage é impecável. Parece não ser ele, e sim um outro ator, já que não reconhecemos na personagem Charlie Kaufman (sim, um hortônimo do roteirista) nenhum traço dos outros papéis anteriormente interpretados pelo ator. Além de Charlie, Cage interpreta Donald, seu irmão gêmeo.

Um começo de filme europeu, daqueles fantásticos e com diálogos que nos levam a pensar sobre muitos assuntos de formas variadas; um final de filme americano, com todos os temperos dos hollywoodianos bons.

Adaptar-se é não morrer, é poder mudar e seguir em diante. “Adaptação é um processo profundo”, segundo o próprio filme. “Mudar não é uma escolha”.

Charlie é um roteirista reconhecidamente bom, contratado para transformar o livro de uma jornalista do The New Yorker, Suzie (Meryl Streep), em roteiro de cinema. O livro é sobre orquídeas - e sobre um horticultor que entende bastante sobre o assunto.

Bloqueios mentais atrapalham Charlie a escrever o roteiro sobre o tema que pensa ser o principal do livro, as flores. A partir disso, com a ajuda de seu irmão, vai sofrendo o processo de mutação ao qual o filme se propõe.

No decorrer da ação, as duas personagens principais, Charlie e Suzie, vão se adaptando, passando pelo longo e profundo processo. Sem volta, claro.

É um filme para se ter na estante, assistir feliz, triste, cansado, animado. Sempre haverá uma nova visão, algo que não foi percebido. Ainda mais por ser um daqueles filmes com falas fantásticas, que demoram um tempo para ser decantadas. Um dos melhores filmes que já vi, com certeza.

Custos:
Sanduíche: R$ 1,20
Transporte: fui e voltei a pé

Nota: 10

5 comentários:

otavionagano disse...

Kaufman é realmente um gênio!!!
Adaptação nos convida a observar a evoluçao (e adaptação)de sí mesmo.um roteiro metalinguistico (nem sei se pode assim ser dito genial!
Mudando (ou não) de assunto vale a pena conferir "Mais Estranho Que A Ficção" um filme de roteiro Kaufniano...(infeliz e vergonhosamente não lembro do nome do roteirista)

Camila Zanutto disse...

Pareceu-me ser bastante interessante, ainda mais se o roteirista é Kaufman e se mistura estilo hollywoodiano ao europeu. Irei conferir assim q possível.

jaq disse...

é lindo! um dos meus favoritos também.

Anônimo disse...

Poxa... preciso ver esse filme de novo! Vi no cinema e AMEI! Dificil encontrar algo desse nivel na industria cinematografica americana... pra ver varias vezes, com razao!
Gorda

romulo de almeida disse...

me deu vontade , muita , de ver o filme de novo.