9.12.07

Entrevista com Tobi

Helena Piccazio entrevista
o produtor cultural suíço
Tobias von Wartburg, Tobi,
exclusivo para o Arte Free

Eu cheguei na Suíça e...
Tava lá, o traseiro doendo de horas de avião classe econômica apertadinha, mas sem muito ânimo de ficar de pé. Com fome, doida por um banho! O salão todo envidraçado modernoso do Kultur und Kongresszentrum Luzern, KKL. Eu esperava por alguém que não sabia quem era, que me hospedaria durante a Academia do Festival de Lucerna.

Os olhos também famintos olhavam aquelas pessoas todas com estojos de instrumentos, alguns com a mesma cara amassada que eu, e os respectivos hospedeiros de meia idade transitando em busca de hóspedes que tampouco conheciam. O meu já tinha sido avisado e estava a caminho.

A expectativa que eu tinha de um suíço, além da pele clara, era um sujeito tradicionalista, cheio de manias de limpeza e organização, rígido. Mas aí me aparece um cara, não um senhor, mas um "cara" não muito mais velho que eu, ultra simpático, oferecendo ajuda pra carregar minha mala pesada, dizendo que era mais fácil ir a pé pra sua casa que pegar um ônibus ou bonde. Preferiu fazer um caminho mais agradável ao mais simples e durante o percurso pediu desculpas sobre a bagunça do apartamento, me proibindo de entrar na cozinha até que ele tivesse terminado a faxina. Tinha andado bem ocupado ultimamente.

Tobias von Wartburg, ou Tobi como ele prefere ser chamado, tinha no seu apartamento obras de arte penduradas nas paredes. Obras pequenas que se destacavam na parede sem poluir o ambiente, resquícios de sua galeria de arte. Por causa da minha presença teve que resumir toda a sua baderna habitual ao seu quarto. Ainda bem que era grande... Ele não fazia nada do que as "regras" anfitriônicas ditavam. Não me fazia café da manhã, não me comprava comida, só lavou minha roupa uma vez, não lavava louça, não varria o chão. Mas me abriu o armário de comida e disse: pode pegar o que quiser, às vezes comíamos juntos, conversava comigo até depois da meia noite me contando do clube pra levar crianças pra assistir filmes antigos, da sua longa viajem à Argentina, do seu escritor preferido, como era sua galeria, os outros estudantes do Festival que hospedou, me mostrou alguns músicos populares muito legais! me mostrou sua recém inaugurada escola de línguas, das dificuldades produzindo música, me ensinou um pouco de alemão e praticávamos um pouco de espanhol comendo queijo brie na cozinha ou no terracinho da sala.

Achei que tinha tudo a ver entrevistá-lo pro Artefree, ele tem a nossa cara! Mas um background totalmente diferente da gente. Faz um monte de coisas diferentes relacionadas à cultura e tem um site, o 'The Q". O endereço na internet é www.theq.ch e tem também o site da sua escola de línguas (Tobi é professor de alemão) que é www.voca-luzern.ch , em alemão, francês e inglês. Outro site legal pra acessar é o www.kulturtv.ch, um blog de amigos seus sobre cultura na Suíça.


AF Qual é sua formação educacional? Em quê você se formou?
TVW Primeiro eu estudei pra ser professor de escola primária, depois eu tentei entrar na escola pra educação superior em artes plásticas, mas não deu certo, então eu fui trabalhar como assistente num jornal e comecei a escrever pra ele. Durante esse período eu organizei vários shows de música pop e rock, e é por isso que comecei o mestrado em Gestão Cultural.

What is your educational backgroud? What is your major/Degree?
First I had an education for primaryschool teacher, then I tried to enter at scho
ol for higher education in arts but it didn't work so I worked as assistent in a newspaper and started to write for it. During that time I organized several rock and pop concerts, that is why I started my master in cultural management business.

AF Qual sua área de atuação em eventos culturais? Com que tipo de arte você trabalhou mais?
TVW Primeiro eu organizei muitos shows pequenos de música pop e algumas festas. Mas nos últimos 5 anos eu comandei uma galeria de arte. Então normalmente eu só faço tudo que a cultura pode precisar. Contrato com artistas, pendurar os quadros, escolher as obras, informar imprensa e público, vender quadros, entregá-los, limpar a galeria, servir vinho durante a vernissage. Esse é o meu trabalho.

What is your action in cultural events? Which type of art do you worked the most?
First I organized a lot of small pop concerts and some parties. But the last five years I leaded an art gallery. So I normaly just organize everything that culture may need. Contract with artists, hang the pictures, elect the pictures, inform press and public, sell the pictures, deliver them, clean the gallery, serve wine during the vernissage, that's my work.

AF Qual é a diferença entre produzir música e artes plásticas?
TVW O público é bem mais velho em artes plásticas, e eu raramente tive de tratar sobre o preço de uma obra de arte. Mas para pequenos shows pop de artistas que de longe não são dos mais conhecidos, todo mundo tentou negociar o preço da entrada. Por causa disso que nós nos decidimos por concertos maiores de coral, para fazê-los gratuitos e pedir patrocínio, e depois dos concertos o público tinha a possibilidade de pagar se eles gostassem. Pra nossa surpresa, eles pagaram mais do que calculamos, até mais do que quando fixamos um preço de entrada!

What is the difference between producing music and visual arts?
The public is muc
h older in arts, and I rearly had discussions about the price of a piece of art. But for small pop concerts of so far not that known groups everyone tryed to negociate the entry fee. That's why we decided for some bigger choir concerts, to make it for free and ask sponsors, and after the concerts the public had the possibility to pay if they liked it. Surprise surprise, they payed more than we calculated, even more than that time we made a fix entryprice!

AF Voce já teve experiência em produzir eventos gratuitos?
TVW Na minha galeria de arte você entrava de graça, só se quisesse comprar uma obra de arte tinha que pagar, mas podia vê-las de graça. Tinha até comida e bebida de graça em vernissages e outros dias. Concertos e shows eu organizava do jeito que escrevi na questão anterior e uma vez teve uma feira onde eu tinha que fazer toda a representação da minha cidade natal, todas as apresentações culturais eram gratuitas. Mais ou menos 10 pequenos concertos e eventos com mais de 200 artistas em 2 dias. Experiência maravilhosa, mas trabalho duro.

Do you have any experience in producing/managing free events?
In my art galery you could enter for free, just if you like to buy a piece of art you have to pay, but you can see them for free. There are even free drinks and food on vernissages and some other days. Concerts I organized the way I wrote in the question before and once there was a fair where I had to do the whole representation of my home town, all culture concerts were for free there. About 10 small concerts and events with more than 200 artists in two days. Great experience but hard work.


AF Existe programação cultural gratuita na Suíça?
TVW Se existe alguma eu não saberia dizer. Galerias normalmente são de graça, algumas vezes literatura e concertos em igrejas. E tinha um "open air", shows ao ar livre - eu até estava envolvido na produção como patrocinador com o jornal para o qual eu trabalhava - aqui em Lucerna; já aconteceu várias vezes, mas não no ano passado. E também alguns concertos clássicos do mundialmente famoso Festival de Lucerna são gratuitos. Nesses últimos dias teve o Festival de Piano (Lucerne Festival at the Piano) e em alguns bares tinha música para piano ao vivo, o evento de abertura foi na Sala de Concerto do KKL e também de graça. E a minha noite sobre meu escritor suíço favorito Friedrich Dürrenmatt dia 14 de dezembro também será de graça. Então há eventos, mas não há agenda.

Is there any free cultural agenda/schedule in Switzerland?
If there is one I wouldn't know it. Galleries are normaly for free, sometimes literature or concerts in churches. And yes there was an open air - I was even involved in the production as sponsor with the newspaper I worked for - here in Lucerne, it happened several times but not last year. And as well some classic concerts of world known Lucerne Festival are for free. The last days there
was Piano Festival (Lucerne Festival at the Piano) and in some bars there was piano music for free, the opening event was in the KKL Concert Hall and as well for free. And my evening about my favorite swiss author Friedrich Dürrenmatt on the 14/12 will be for free as well. So there are events but there is no agenda.

AF E o que você pensa disso?
TVW Aí está o problema, que o artista tem que viver de alguma coisa. E pra isso ele precisa de dinheiro. Eu prefiro idéias como a que fizemos pro nosso concerto de coral e que é bem freqüentemente o caso aqui.

What do you think about it?
There is the problem, that the artist have to live from something. And for that he needs money. I prefere ideas like that we did for our choir concert and that is quite often the case hier.


AF Existe algum guia ou website de eventos gratuitos em Lucerna? E na Suíça?
TVW Eu não sei se precisamos de uma agenda especial pra isso. Se estiver na agenda normal, o público não decide ir porque é de graça, eles vão porque estão com vontade.

Is there any guide, brochure or website of free events in Lucerne? What about in Switzerland? I don't know if we need a special agenda for it. If it is in the normal agenda, the public does not decide to go there because it is free, they go there because they like to.

AF Qual o caminho da produção de um evento gratuito, do começo ao fim?
TVW Primeiro você tem que calcular os custos, artistas, propaganda, estadia e por aí vai. Somente o que é gasto fixo. E então pensar sobre onde você pode conseguir esse dinheiro. Eu fiz todo uma planilha de custos para dirigir minha galeria de arte. Isso é o principal do que eu aprendi a fazer durante meus estudos em Gestão Cultural. Para a minha galeria eu convenci o proprietário do imóvel a reduzir o aluguel em metade do preço. Eu decidi trabalhar durante 5 anos pelo menos 30% de graça. Então eu e alguns amigos convencemos 100 pessoas a pagar todo ano alguma coisa, e a prefeitura da cidade a pagar algo todo ano. Agora eu podia começar a pensar nos artistas também. E daqui em diante era como um evento normal. Eu teria que encontrar patrocinadores e organizar tudo.

What is the way of making a free event, from beginning to end? First you have to calculate the costs, artist, ad, room and so on. Just what is fix. And then think about where you could get the money for it. I did a whole business plan to run my gallery. That's what I learnt during my culture management study mainly. For my gallery I convinced the owner of the room to reduce the rent to half of the price. I decidet to work during 5 years at least 30% for free. Then I and some friends convinced 100 people to pay each year something, and the goverment of the city to pay us some money each year. Now I could start to think about artists too. And then it started like a normal event. I had to look for sponsors and organize everything.

AF O que é mais difícil de fazer e/ou conseguir num evento gratuito?
TVW Eu acho que você sabe, contanto que você queira pagar ao menos os artistas pelo seu trabalho, aqui na Suíça é o dinheiro! Em algumas áreas culturais é difícil organizar mesmo quando se cobra entrada. Eu paguei em dinheiro - sem contar meu trabalho de organização toda vez de graça ou os 30% que trabalhava de graça para minha galeria - pelo menos um mês de salário pelos meus concertos e eventos. Às vezes eu só queria fazer acontecer e sabia que seria difícil ter todo o dinheiro de volta. "Sem risco sem diversão" costumamos dizer.

What is the most difficult thing to make and/or get in a free event?
I think you know it, as long as you like to pay at least the artist for it's work, here in Switzerland it's the money! It is in some parts of culture even very difficult to organize it when you ask for an entry fee. I payed in cash - not meaning my all times free organizing work or the 30% free job for my gallery - at least a month salary for my concerts and events. Sometimes I just liked to make it happen and I knew that it would be difficult to get all money back. "No risk no fun" we use to say.

AF Dos países e cidades que você conhece, qual deles tem uma política/agenda cultural gratuita mais bacana? Por quê? Há algum que você gostaria de citar por algum motivo especial?
TVW Você sabe porque Helena, eu simplesmente gosto demais de Lucerna. Eu nem viajo para Zurique (a maior cidade na Suíça que tem também muitos eventos artísticos - os maiores concertos e shows são geralmente só lá) que está a apenas uma hora de trem. É por isso que realmente não gosto de favorecer outra cidade ou estado.

Among the countries and cities you know, which one(s) has a nicer cultural agenda/policy? Why? Is there any place in particular you would like to tell us for a special reason? You know why Helena, I just like Lucerne very much. I even do not travel to Zürich (biggest town in Switzerland which has as well a lot of art events - the biggest concerts are often just in that city) which is just an hour by train. That's why I really don't like to favor one other city or state.

AF O que você sugere pra divulgar arte e eventos culturais?
TVW Buha! Você pensou que queria terminar com a pergunta mais difícil. Mas eu acho que tem algumas idéias nas minhas respostas anteriores. E também acho que a sua plataforma na internet é uma boa idéia, porque assim você está ficando internacional. E quem sabe, de repente vai acontecer como ontem aconteceu para um doutor em Física (eu acho, acabei de ler, não consigo me lembrar exatamente). Um senhor, bem idoso, decidiu dar a ele 100 milhões de francos suíços ou algo assim. Agora ele pode construir seu centro de pesquisa para a universidade. Provavelmente minha sugestão é essa: continue fazendo isso, continue sonhando, e continue lembrando de todos os momentos bons que você teve com e por causa da cultura, então você estará motivada e com pensamento positivo. E essa é a ajuda mais poderosa porque você terá amigos que estarão prontos e com vontade de ajudá-la a fazer isso talvez de graça, ou pelo menos por um preço melhor, e eles multiplicam suas conexões...
Você conhece a teoria sobre a asa de borboleta numa parte do mundo que pode ser responsável por algo do outro lado da Terra?
Então faça!


Do you have any sugestion for us to broadcast art and cultural events?
Buha! You thought you would like to end with the most difficult question. But I think there are some ideas in my answers before. And then I think your internet platform is as well a good idea, because like that you are getting international. And who knows, suddenly it will happen like it happened yesterday for a Doctor in Physics (I think, just read it, can't remember exactly) and a very old man decided to give him100 Milion CHF or something. He can build now his research center for the university. Probably that is my
sugestion: keep on doing it, keep on dreaming it, and keep on remembering all the good times you had with and because of culture, then you are motivated and positive thinking. And that is the most powerful help because you will get friends which are ready and willing to help you to do it maybe for free, or at least for a better price, and they multiply your connections... You know the theory about the butterfly wing on one part of the world which can be responsible for someting on the other side of earth? So do it!

Sobre o Festival de Lucerna

Foram 3 semanas que passei em intensas atividades no Festival de Lucerna, conhecidíssimo por ser um dos mais longos (3 semanas são só da Academia...), mais bem organizados e com a maior reunião de concertos de altíssimo nível do planeta. Uma das principais características desse complexo cultural é o grande espaço que o Festival dedica à música contemporânea. O Festival tem as seguintes partes: Festival de Verão (Lucerne Festival im Sommer) - com diferentes séries de concertos clássicos todos os dias durante 3 meses e que abriga a Lucerne Festival Orchestra, formada pelos melhores músicos do mundo e regida por Claudio Abbado; Academia do Festival de Lucerna (Lucerne Festival Academy) - orchestra formada por estudantes e regida por Pierre Boulez, focada na música contemporânea, foi nesse que eu fui; Festival de Páscoa (Lucerne Festival zu Ostern) - com concertos relacionados à Páscoa e à Paixão de Cristo; Festival de Piano (Lucerne Festival am Piano) - claro que é música pra piano, né? E acabou de acontecer.

O Festival é cediado na cidade de Lucerna na parte alemã da Suíça, no Kultur und Kongresszentrum Luzern - KKL, um predião gigantesco de arquitetura super moderna em 3 blocos que abriga 2 salas de concerto - uma delas a principal da cidade, um museu, centros de convenção, inúmeras salas de reunião e ensaio - grandes, camarins, restaurantes e bares. É enorme mesmo! Fica ao lado do lago, uma beleza!

Tudo isso nos remete a um nome: Michael Haefliger, diretor artístico e executivo. Segundo Tobi, que o entrevistou nesse verão, ele é a principal figura no funcionamento do Festival de Lucerna, que vem crescendo um bocado a cada ano. Tobi me mostrou a planilha de custos do Festival e é assustador o volume de dinheiro que vai! O KKL por exemplo, não pertence ao Festival, tem que ser alugado. São colhidas ajudas de todos os tipos e fontes. Existem ajudas da cidade, do estado e do país, em pequena escala, da população que entre outras coisas hospedam alunos da Academia, patrocinadores grandões multinacionais e claro: venda de ingressos. Os preços para a grande maioria dos concertos são bem salgados... e geralmente está lotado porque os concertos são de primeira! Olha só o que eu vi: Filarmônica de Berlin, Orquestra de Boston, Yo-Yo Ma, Concertgebouw (orquestra holandesa das melhores do mundo), Ensemble Intercontemporain, citando poucos...

Alguns poucos concertos eram baratinhos ou de graça - mas bons, e paralelamente estava rolando o Festival de Rua de Lucerna com vários artistas de todos os cantos do mundo apresentando a música da sua terra ali na rua mesmo, para quem quisesse ouvir. Tinha muita coisa rolando em setembro lá, com a cidade cheiíssima, imagina só quantas atividades vão brotando!!!

Ai que já escrevi demais!!!!!!
Ó, pra saber mais sobre o Festival de Lucerna digite www.lucernefestival.ch no seu navegador. O site está em alemão e inglês.

Um abração!
Helena Piccazio

Fotos:
1a.
O prédio modernoso do KKL
2a.
Na sequência, Tobi (de casaco preto) num num restaurante em Córdoba, na Argentina
3a. Festival de música de rua em Lucerna, Suiça

4a. Helena Piccazio (de óculos), Pierre Boulez
e a violinista Veronique Mathieu

Para ver o site do Tobi, The Q, clique www.theq.ch
Para ver o site da escola de línguas, clique www.voca-luzern.ch

3.12.07

Dezembro

Agenda de Arte Gratuita em São Paulo


Certamente, dezembro de 2007 é a maior agenda da história do Blog Arte Free. Nunca tantos programas gratuitos, e nunca tantos programas encavalados em poucos dias. Para conferir a agenda, clique aqui.

Como estamos no mês do Natal, e o período entre Natal e Ano Novo é de feriado, as casas artísticas decidiram concentrar todas as suas atividades nas duas primeiras semanas do mês. Resultado: uma infinidade de possibilidades para quem quer gastar dinheiro com presentes sem deixar de assistir arte de altíssima qualidade.

Afinal, não basta ser de graça, tem que ser boa!

E opções de todos os tipos não faltam. Para os fãs de cinema, fora as programações tradicionais, algumas casas como Centro Cultural São Paulo e Galeria Olido decidiram apresentar um Festival Permanente do Minuto, exibindo curtas do mundo inteiro. Outra boa opção de cinema é o festival de "filmes de E.T.", que o Sesi preparou. "Alien, O Predador", "O Guia do Mochileiro das Galáxias", entre outros.

A Casa das Rosas, depois de uma necessária reforma, voltou com tudo para sua Rave Cultural. Depois do sucesso da Rave do ano passado, pretende manter os padrões, e para isso conta até com a presença do governador de São Paulo, que inaugurará a visitação à Casa. Uma dica é a excelente banda "Coisa Linda de Deus", que se apresentará na Rave que começa na tarde de sábado 8 e só acaba com um café da manhã na faixa às 7 da manhã do domingo.

Para variar, mais um show de programação do Sesc. Ele, sozinho, domina metade da agenda, que por si só é imensa. Destaque para o Sesc Vila Mariana, com o show da Orquestra Sanfônica de São Paulo no dia 30 de dezembro (é Sanfônica mesmo, de sanfona). Ótimo para acabar bem o ano.

Aonde vai o Arte Free
Certamente, o Arte Free irá a muitos destes bons eventos!!! Se você for a algum deles e vir alguém batendo fotos, anotando em papeizinhos surrados tirados do bolso e tentando conversar com as pessoas para saber o que elas estão achando, não se engane, pode ser um de nós!!!

Este mês será farto de matérias, e você é nosso convidado VIP para discutir sobre as apresentações. Espaços não faltam: há nossa comunidade no Orkut, comunidade no Facebook, e sempre a possibilidade de deixar comentários no blog!!!

É isso aí, não deixe de assistir a tudo que você tem direito! Assista, e sem mexer na grana (que sempre é curta) do Natal!

27.9.07

Ivald Granato - Espaço Citibank



BLOCO 2


Inovando uma vez mais, o Blog Arte Free traz até você uma vídeo-reportagem sobre a exposição do pintor Ivald Granato no Espaço Citibank. Para apresentar as obras, convidamos o próprio pintor!!!

Agradecimentos especiais a Leonardo Guerra, assessor de imprensa do Citibank, e a João Pavese, que tanto me ajudaram nesta empreitada.

ESPAÇO CULTURAL CITI
Ivald Granato – O Gesto e a Arte
Av. Paulista, 1.111, térreo

11.9.07

Izzy Gordon – Sesc Vila Mariana – 07/09/07

Para relembrar Dolores

Com um sinal da cruz, ela entra no palco e vai ao microfone. Olhos fechados, banda tocando, espera a hora de cantar. “Dai-me, senhor, uma noite para começar/Dai-me, senhor, uma noite comum”.

Não era noite, mas uma tarde com bastante sol em um feriado de sete de setembro. Izzy Gordon e sua banda começavam o show em homenagem à Dolores Duran, tia de Izzy, no Sesc Vila Mariana.

Sesc lotado mais que o comum, graças ao feriado quente (piscinas do Sesc), ao II Seminário de Estudos Olímpicos que rolava por lá e, é claro, ao show de Izzy Gordon.

A banda que a acompanhava, um baixo-batera-teclado com jeito de jazz trio, por si só valeria o programa. Muito competentes, com arranjos bem feitos e que não tentavam se sobrepor às letras e as melodias das músicas de Dolores, fizeram cama para a bela e grave voz de Izzy Gordon.

A platéia adorou. Ao meu lado, dona Sirlei cantava todas as músicas junto com a banda, aplaudindo bastante a cada final de canção. “É tudo música de dor de corno, né?”, comentava comigo. Realmente, as músicas, com letras belíssimas, giram basicamente em torno deste assunto.

Como já virou praxe no espaço de convivência do Sesc Vila Mariana, algumas senhoras bem animadas começaram a dançar. Atrativo à parte que animou mais ainda o público e a banda.

Duas participações especiais. A primeira, Denise Duran, irmã de Dolores e mãe de Izzy. Uma senhora pequenina e simpática com uma voz agradável. Depois, o rapper Edu Negão, que fez um improviso de dar inveja e, ainda por cima, no meio do “repente” aconselhou um garoto com a camiseta do São Paulo a virar palmeirense.

Quem foi ao Sesc Vila Mariana não se arrependeu. O público, cujas idades variaram bastante, adorou, aplaudiu, não saiu sem bis. Ao final, a cantora ficou para conversar com a platéia e autografar os cds.

Custos:
Transporte: nada (fui e voltei a pé)
Comida: pão de queijo e café – R$ 2,70
Total: R$ 2,70

Nota: 7,5

Banda:
Izzy Gordon – voz
Moisés Alves – teclado e arranjos
Júnior Vargas – bateria
Leandro Matsumoto – baixo

Set List:
1.Noite de Paz – 2.O que é que eu faço – 3.Castigo – 4.Se é por falta de adeus – 5.Olhe o tempo passando – 6.A banca do distinto – 7.My funny valentine – 8.A noite do meu bem – 9.Pela rua (com Denise Duran) – 10.Por causa de você – 11.Tome continha – 12.O negócio é amar – 13.Idéias erradas (com Edu Negão) – 14.Estrada do sol

Fotos e matéria:

3.9.07

O que é grátis em Setembro!

O Arte Free comemora em setembro a maior agenda cultural de sua história! Nunca a agenda foi tão recheada de programas free na cidade!!!

Francis Hime, parceiro de monstros sagrados da música brasileira como Vinicius de Moraes e Chico Buarque, estará na Fnac Pinheiros. Já na Fnac Morumbi, o destaque é a volta da Blitz, grande sucesso musical dos anos 80, que comemora 25 anos de aniversário e conta com a participação de Evandro Mesquita.

Para os cinéfilos de plantão, há em cartaz filmes clássicos como Janela Indiscreta, Gilda ou Betty Boop , além dos recentemente lançados Antônia, Casa de Areia (com Fernanda Torres e Fernanda Montenegro) e outros.

Teatro e dança não faltam. Atividades culturais por toda a cidade, de Fiesp aos CEU´s da Zona Norte. O destaque é a peça Tristão e Isolda , no Teatro Popular do Sesi. Em literatura, Valdeck de Garanhuns passeia por alguns parques da cidade contando histórias infantis sobre lendas de diversas regiões do Brasil.

Para aqueles que gostam de música sacra, todas as segundas-feiras, ao meio dia, o Mosteiro de São Bento realiza uma missa cantada com os corais infantil e juvenil da Osesp. É de babar.

Fique ligado também no Festival Música Nova, festival de música erudita contemporânea, que está rolando pela cidade. É música boa e gratuita!

Se acha que não dá pra curtir nada disso por causa das crianças, se engana. Muitas e muitas atividades voltadas para as crianças nos mais diversos pontos da cidade, como as peças infantis e adultas da Biblioteca Monteiro Lobato. Você leva os pimpolhos para curtir uma peça e ainda por cima incentiva a leitura!!!

É isso, como diria Guimarães Rosa: "Viver de Graça é Mais Barato".

27.7.07

Fila de bonecos - Sesc Av. Paulista - 27/07/07

A fila: esculpida e encarnada

É claro que a arte grátis do Brasil não é tão “free” assim. Pagamos imposto. Então, nada mais justo do que irmos atrás dos nossos direitos, reparando no que há de melhor e mais barato em Sampa.

Sim... dar uma volta na paulista talvez não seja tão barato, já que custa aos nossos olhos resistir a tantos lugares gostosos para comer, tantos cineminhas caros e mil propagandas estimulantes (ah...ia esquecendo a FNAC). Mas acho que devemos fazer uma forcinha, já que, em contraponto, temos o Itaú Cultural, o Sesc Av. Paulista, o Masp, um Sebinho escondido na brigadeiro e uma bela caminhada para ver gente bonita.

Além disso tudo, agora temos uma linda exposição na Avenida Paulista. Eis o nosso “motivo paulista”. O Sesc está com uma fila imensa. Sim, uma fila de bonecos coloridos na entrada. Os bonecos foram feitos de papel, cola, gesso e cimento, confeccionados por Gigi Manfrinato e Sandra Lee, dois artistas plásticos que já fizeram várias intervenções em São Paulo, mas nunca neste formato. São vinte e seis modelos, um mais simpático que o outro. O que mais chama atenção é o movimento que os bonecos têm. Adorei o malandro dando uma conferida no corpão da mulata à sua frente. Aliás, Mulata? Também não dá para saber... Os artistas não pintaram nenhum corpo e todos eles ficaram cinzas. Cor de cimento, mesmo. E, aparentemente, nenhum alemãozinho.

Janine e Raisa adoraram a exposição e acham que os artistas queriam mostrar uma fila com pessoas de classe baixa e muitas etnias: “Bem característico do Brasil”, diz Janine. Outros comentários apareceram no caderno de críticas que estava sobre uma das cadeiras da fila. Mariana Hiza escreveu que “parece que a qualquer momento, eles ganharão vida”. Já Eduardo Lauton não duvida: “A gente passou aqui também e trocamos uma idéia com a galera (bonecos). Foi um bom papo”. João reflete: “muito criativo esse lance de retratar o inativo. Chega a assustar quem passa desapercebido.” Inativo: será mesmo João? Já Eva não gostou: “O artista tem preconceito contra nariz?”. Ah, Eva, o seu também é grande? Paciência, amiga.

Patrícia Oakim escreveu: “Ao que todos estão esperando?”. A pergunta foi repassada a uma senhora animada, que observava os bonecos. E ela respondeu: “Como tem bastante velhinho, o pessoal deve tá na fila é do INSS!”. Triste, na verdade. Outra curiosidade foi um grupo de jovens surdo-quase-mudos que passava na frente do Sesc. Os jovens eram bem expressivos e imitavam as figuras perfeitamente. E como se divertiam! O fato da imitação ser perfeita me ajudou a ver como os bonecos tinham um movimento original.

Não lembro onde que eu li, mas sei que no Japão eles não fazem fila. Pois é, aqui no Brasil reina o caos e a gente ainda faz um “filinha”. E haja fila! Os orientais são organizados o suficiente para saber qual é a vez de quem. E quem nunca esperou mais de 1h em alguma fila? Fila de banco, nem se fala. E aquele show da sua vida? Cabaninha, na certa.

Além da “fila”, o preço é outro motivo para você dar uma conferida. É grátis. Quanto aos bonecos, concordo com Mariana e acho mesmo que há qualquer momento eles sairão andando! A fila: esculpida e encarnada.

Nota: 8
Custos – nada (fui e voltei a pé)

Por Bruna Piccazio

23.7.07

Percorso Ensemble – Sesc Consolação – 23/07/07

Sucesso inesperado

O concerto gratuito realizado no SESC Consolação pelo Grupo Percorso Ensemble foi um sucesso inesperado, não pela qualidade musical, é claro, mas pelo enorme público que compareceu ao evento. A surpresa foi ainda maior sendo o repertório voltado para obras “contemporâneas”.

Quando cheguei ao SESC fiquei impressionado com a fila que ia até a esquina de baixo. Muita gente ficou de fora do concerto, que, devido a enorme quantidade de pessoas que se acomodavam, começou atrasado.

Musicalmente, a apresentação foi acima da média, o que não era de se surpreender. Músicos consagrados e a participação da cantora Celine Imbert proporcionaram ao público um momento muito especial. O respeito e o tratamento com a música mostraram que não importa se a música é erudita, popular ou contemporânea, mas se ela é bem feita, com qualidade e respeito, o público receberá a mensagem.

Ao final do concerto vi o diretor do SESC, Prof. Daniel Miranda, observando a ovação aos músicos, e percebi que nem ele esperava tamanho sucesso. Até mesmo os músicos, quando falei com eles após a apresentação, disseram que foi tudo “diferente”. Só pra situar, concertos de música contemporânea não costumam ser sucesso de público, bem pelo contrário, normalmente se toca para platéias de 15, 20 pessoas.

Para terminar tudo de um modo ainda melhor, foi servido um coquetel.

O CD
A apresentação que assisti foi o lançamento do CD Berio + pelo selo do SESC. O projeto da primeira gravação brasileira do Folks Songs do compositor Italiano Luciano Berio e 2 obras brasileiras encomendadas que foram baseadas na obra de Berio, foi idealizado pelo diretor do grupo Ricardo Bologna (foto 1) e a integrante e flautista Cássia Carrascosa. Berio + é o primeiro lançamento do SESC voltado para musica erudita.

Nota – 9
Custos – nada (fui e voltei a pé)



por Piero Guimarães

10.7.07

Programação está no ar!

A programação cultural gratuita de julho não deixa a desejar aos fãs de nenhum tipo de arte. Cinema, música, teatro, exposições e afins completam a agenda do mês, que tem por característica ser o mais recheado do ano, em razão das férias escolares.

E é a criançada que mais vai comemorar a agenda Arte Free: com o lançamento mundial do filme Harry Potter, dia 20, a Fnac organizou uma festa, que vai rolar simultaneamente na loja da Avenida Paulista e em Pinheiros. É pra garotada ir fantasiada e tudo!!! Vale a pena programar o passeio com a gurizada da família. É uma boa desculpa para participar também, já que não só de crianças é formado o clã de fanáticos pelo bruxo.

Decepção ficou mesmo por conta do Sesc. A instituição, que geralmente ocupa metade da agenda com suas atividades gratuitas, deixou a desejar. Os Sescs Vila Mariana e Consolação costumam ter atividades semanais em seus centros de convivência; mas desta vez passaram em branco. Logo nas férias.

A prefeitura de São Paulo organizou um festival de teatro que vai fazer os fanáticos atravessarem a cidade atrás das peças que se apresentam. Quatro grupos interpretam quatro peças diferentes em quatro pontos opostos da cidade, uma vez por semana.

Para os cinéfilos, nada melhor do que o sempre presente CCSP (Centro Cultural Vergueiro). Todos os dias, três vezes por dia, filmes de algum tema escolhido pela casa. O primeiro é sobre o comediante italiano Totó, um tipo de Mazzaropi de lá. Depois, pulam para a cinematografia russa e, para fechar o mês, filmes sobre mafiosos, como O Poderoso Chefão.

Não dá pra reclamar de nada, agora é só levantar o traseiro da cadeira e ir à luta!!!

Agenda de atividades gratuitas de julho

Terça 10
16h - Totò Truffa '62 (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
18h - Eternos desconhecidos (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
19h - Trio Curupira (música) – Sesc Av. Paulista
19h - Roda de Samba com a Revista do Samba - Galeria Olido
19h – A volante do Sargento Bezerra (forró, rock, repente, pop e épico nordestino) – Sesc Pompéia
20h - Totò procura casa (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
20h - O QUE OS MENINOS PENSAM DELAS - Teatro Cacilda Becker. Zona Oeste
20h - A VIDA É SONHO - Centro Cultural da Juventude. Zona Norte
20h - A FARSA DA BOA PREGUIÇA - Teatro Paulo Eiró. Zona Sul

Quarta 11
12h15 - Thiago Cerveira e Meno del Picchia (música instrumental) – Sesc Carmo
16h - Gaviões e passarinhos (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
18h - Totò, Peppino e la dolce vita (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
20h - Totò le Moko (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)

Quinta 12
16h - Totò, Peppino e la dolce vita (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
18h - Totò e as mulheres (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
19h - BLUES 4 FUN - Fnac Pinheiros
20h - Totò, Peppino e... la malafemmina (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)

Sexta 13
16h - Totò procura casa (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
18h - Totò Truffa '62 (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
19h - Especial Dia mundial do rock - Rock e Moda (Fábio Góes, Felipe e Ricardo Bruno) - Fnac Paulista
20h - Eternos desconhecidos (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
20h – Made in Brazil (música) – Sesc Santo Amaro

Sábado 14
17h30 - CANTO DO CONTO (Infantil) - Fnac Pinheiros
18h - VISITA DA TURMA DA MÔNICA (Lançamento DVD) - Fnac Pinheiros
16h - Totò le Moko (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
18h - Totò, Peppino e... la malafemmina (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
19h – Flávio Sandoval e Nelson Latif (música) – Sesc Santana
20h - Totò, Peppino e la dolce vita (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)

Domingo 15
11h – Waldir Vera (música) – Sesc Santana
11h30 - Mario Castelnuovo - Tedesco (Recital de Violão) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
15h – Maracatu (dança) – Sesc Santo Amaro
16h - Totò le Moko (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
18h - Totò Truffa '62 (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
18h30 - Turma da Monica - Tarde Divertida - Fnac Paulista
19h30 – Los Porongas – (música) Itaú Cultural
20h - Gaviões e passarinhos (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)

Segunda 16
20h - Marcelo Nova & Red Rocket 7 - Lançamento de livro - Fnac Paulista

Terça 17
16h – Jazz Night Trio – Sesc Carmo
16h - O cavaleiro chamado morte (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
18h - Quando voam as cegonhas (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
19h – U Time – Trutas Quebradas (música) – Sesc Pompéia
19h - Trio 202 (música) – Sesc Av. Paulista
19h - Roda de Samba com a Revista do Samba - Galeria Olido
19h - Motoboys Vida Loca - Lançamento de DVD - Fnac Paulista
20h - Anna Karenina - CCSP (cinema) (Centro Cultural Vergueiro)
20h - RÉVEILLON DE 77 – O APÓLOGO DO PATO SELVAGEM - Teatro Cacilda Becker. Zona Oeste
20h - A FARSA DA BOA PREGUIÇA - Teatro Arthur Azevedo. Zona Leste
20h - O QUE OS MENINOS PENSAM DELAS - Centro Cultural da Juventude. Zona Norte

Quarta 18
12h15 – Mello Jr. e Thiago Souza (música instrumental) – Sesc Carmo
16h - Tchaikovsky (cinema) – CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
18h40 - A prisioneira do Cáucaso (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
19h - Palestra e Degustação de Cachaça (Livro de Marcelo Câmara) - Fnac Paulista
20h30 - (Debate sobre o cinema russo - Mosfilm week - com Karen Georgievich Shakhnazarov (escritor, cineasta e produtor) - mediadora: Natalia Kuznetsova (atriz, roteirista e produtora) - exibição do filme Nós somos do jazz (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)

Quinta 19
16h - Cidade zero (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
18h - Agonia (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
19h - Lançamento de DVD de Pedro Almodóvar (Bate-papo com Rubens Ewald Filho e Luiz Carlos Merten (O Estado de São Paulo) - Fnac Paulista
19h30 – ANDRÉ CHRISTOVAM (blues) - Fnac Pinheiros
21h30 - Espelho (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)

Sexta 20
10h00 - HARRY POTTER - FESTA DE LANÇAMENTO - Fnac Pinheiros
15h00 - HARRY POTTER - Canto do Conto Especial - Fnac Pinheiros
16h00 - HARRY POTTER - No Mundo de Harry Portter - Fnac Pinheiros
19h30 - HARRY POTTER - Festa Mágica (QUEM VESTIR SUA FANTASIA, CONCORRE A SUPER KITS HARRY POTTER) - Fnac Pinheiros
19h - Encontro de fãs Harry Potter na Fnac Paulista (encontro especial no dia do lançamento mundial do livro Harry Potter and The Deathly Hallows. Haverá concurso de fantasias, exibição de trechos de filmes no telão, computadores com games Harry Potter, sorteio de brindes e Kits, além de um coquetel temático especial. O grande momento do encontro se dará às 21h, horário que o livro oficialmente será lançado em todo o mundo) - Fnac Paulista
16h - O dia da lua cheia (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
18h - Amor cigano (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
20h - Stalker, o guia (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)

Sábado 21
16h - A estrela (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
17h30 - CANTO DO CONTO - Infantil - Fnac Pinheiros
18h - Andrei Rublev (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
19h – Adilson Gonçalves e Rafael Leme (música) – Sesc Santana
21h30 - Anna Karenina (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)

Domingo 22
11h – Flávio Sandoval e Edimilson Capelupi (música) – Sesc Santana
11h30 - Duo Vieira-Lobo (Recital de Marimba e Violão) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
16h - Nós somos do jazz (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
18h - A prisioneira do Cáucaso (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
19h – Berio + (música erudita) – Sesc Consolação
20h - Andrei Rublev (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)

Segunda 23
20h00 - RENATO SERRANO (CHILE) - Recital de Violão - Fnac Pinheiros

Terça 24
16h - Era uma vez na América (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
19h - Trio Edwin Pitre, com participação de Igor Cavalera (música) – Sesc Av. Paulista
19h - Roda de Samba com a Revista do Samba - Galeria Olido
19h – Caio Bassitt (música) – Sesc Pompéia
19h - Luciana Mello - Pocket show - Fnac Paulista
20h - Cotton Club (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
20h - A FARSA DA BOA PREGUIÇA - Teatro Cacilda Becker. Zona Oeste
20h - O QUE OS MENINOS PENSAM DELAS - Teatro Paulo Eiró. Zona Sul
20h - RÉVEILLON DE 77 – O APÓLOGO DO PATO SELVAGEM - Centro Cultural da Juventude. Zona Norte
20h - A VIDA É SONHO - Teatro Arthur Azevedo. Zona Leste

Quarta 25
12h15 – Jorge Miranda e Victor Peralta (música instrumental) – Sesc Carmo
16h - Oscar - Minha filha quer casar (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
18h - Ajuste final (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
19h30 - MILTON GUEDES - Pocket-Show - Fnac Pinheiros
19h30 - BITNIKS com Claudio Willer - bate-papo literário - Fnac Paulista
20h - Os intocáveis (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)

Quinta 26
16h - Anjos de cara suja (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
18h - Estrada para Perdição (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
18h - Fala sério, amor! - Lançamento Infanto-Juvenil - Fnac Paulista
19h30 – IRMANDADE DO BLUES - Fnac Pinheiros
20h - Os bons companheiros (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
20h – On_Off – Experiências em Live Image, com Éder Santos (performance) – Itaú Cultural

Sexta 27
16h - Desafio no Bronx (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
18h - Brother - a máfia japonesa Yakuza em Los Angeles (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
19h - Moska - Pocket show - Fnac Paulista
19h30 – On_Off – Experiências em Live Image, com Éder Santos (performance) – Itaú Cultural
20h - Scarface (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)

Sábado 28
16h - O casamento de Betsy (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
17h30 - CANTO DO CONTO - Infantil - Fnac Pinheiros
18h - Bugsy (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
19h – Choro de Bolso (música) – Sesc Santana
19h30 – On_Off – Experiências em Live Image, com Alex Aléxis Anastasious e Gen (performance) – Itaú Cultural
19h30 - Canto do conto só para adulto - O mito do herói - Fnac Paulista
20h - O poderoso chefão (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)

Domingo 29
11h – Adilson Gonçalves e Rafael Leme (música) – Sesc Santana
11h30 - Helder de Araújo (Piano) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
16h - Cassino (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
19h - Os chefões (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
19h30 – On_Off – Experiências em Live Image, com Muvi – Ricardo Carioba e Fabio Villas Boas (performance) – Itaú Cultural
19h30 - CANTO DO CONTO ADULTO - O MITO DO HERÓI - Fnac Pinheiros
21h - Os infiltrados (cinema) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)

Segunda 30

Terça 31
19h – Duofel (música instrumental) – Sesc Av. Paulista
19h – Matéria Rima (música) – Sesc Pompéia
19h - Roda de Samba com a Revista do Samba - Galeria Olido
19h - Sapotone and the Love Rockers - Sua Banda - Fnac Paulista
20h - A FARSA DA BOA PREGUIÇA - Centro Cultural da Juventude. Zona Norte
20h - RÉVEILLON DE 77 – O APÓLOGO DO PATO SELVAGEM - Teatro Arthur Azevedo. Zona Leste
20h - A VIDA É SONHO - Teatro Paulo Eiró. Zona Sul

EXPOSIÇÕES

04/07 a 09/09 - Memória do Futuro (Dez anos de arte e tecnologia no Itaú Cultural) – Itaú Cultural

15/07 a 26/08 – Portfólio Daniel Santiago – Itaú Cultural

04/07 (início do período de visitação) – Memória do Futuro – Itaú Cultural

Permanente - TEATRO MUNICIPAL: ÍCONE E MEMÓRIA (painéis explicativos, fotos dos artistas, maquetes de cenários, adereços e outras peças que contam a história dos 95 anos da Casa de Ópera)

Permanente - CANTOS POPULARES DO BRASIL: A MISSÃO DE MÁRIO DE ANDRADE (Mostra permanente de objetos, fotografias, músicas e documentos da coleção Missão de pesquisas folclóricas, idealizada por Mário de Andrade entre maio e julho de 1938, quando estava à frente do Departamento de Cultura ) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)

CULTURA NA CIDADE DE 1940 A 1964 (Exposição fotográfica do acervo da Divisão de Iconografia e Museus que apresenta um panorama da efervescente vida cultural da cidade de São Paulo, entre as décadas de 1940 e 1960) - Centro Cultural da Juventude. Zona Norte

09 a 31 de julho - RIEN OU PRESQUE – POESIA E DUCHAMP É POESIA (Trabalhos que relacionam poesia visual e Marcel Duchamp, passando pela arte conceitual) - Biblioteca Alceu Amoroso Lima (R. Henrique Schaumann, 777 - Pinheiros)

23/07 a 26/08 - MOSTRA DE VÍDEOS BORELLI CIA. DE DANÇA (A metamorfose (60 min); Carta ao pai (60 min) e Kafka in off (60min).) - Galeria Olido (Sala de Vídeo - térreo)

Até dia 29 de julho - OUTRA OBJETIVIDADE – O CCSP NO OLHAR DOS ARTISTAS (Fotógrafos: Caio Reisewitz, Ding Musa, German Lorca, João Musa, Marco Buti, Mauro Restiffe, Nair Benedicto, Nelson Kon, Pedro Perez, Rochelle Costi e Rubens Mano) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)

Até dia 20 de julho - 30 ANOS DO IDART (Evento comemorativo dos 30 anos do Departamento de Informação e Documentação Artística) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)
Em cartaz

Até dia 29 de julho - CIDADANIA...BRASILEIROS (Fotógrafos: Alice Brill, Claudia Andujar, Evelyn Ruman, Eustáquio Neves, German Lorca, João Castilho, Lucille Kanazawa, Luis Humberto, Numo Rama, Paula Sampaio, Paulo César Rocha, Pedro David, Pedro Motta, Ricardo Hantzschel, Sergio Ranalli, Tom Lisboa e Vilma Sonaglio) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)

Até dia 29 de julho - CANAL*MOTOBOY – 12 MOTOBOYS TRANSMITEM DE CELULARES (Visão etnográfica da cidade de São Paulo pelo olhar dos motoboys. Imagens captadas por câmeras de aparelhos telefônicos serão transmitidas para o site www.zexe.net/saopaulo) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)

Até dia 29 de julho - CABANA Nº IX CCSP (Instalação interativa com sucata do artista plástico Rubens Espírito Santo) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)

Até dia 29 de julho - ARMÊNIA – 15 ANOS DE INDEPENDÊNCIA (Fotógrafo: Manuk Poladian - Exposição de 90 fotografias de cidades e paisagens da Armênia) - CCSP (Centro Cultural Vergueiro)

Até dia 22 de julho - MOSTRA DE VÍDEOS TAANTEATRO (Os espetáculos foram criados, dirigidos e coreografados por Maura Baiocchi e a direção dos vídeos é de Dado Aguiar) - Máquina Zaratustra (150 min), Mostra Taanteatro 15 anos (15 min), Feifei e a origem do amor (45 min) e Arará – Histórias que os ossos cantam (70 min) - Galeria Olido – Sala de Vídeo (térreo)

27.5.07

Rappin Hood - Bauru

Arte Free em Bauru - Rappin Hood

Meu plano era dormir no início da noite e depois ir para o show da Rita Ribeiro, continuar no Teatro Municipal ao som do samba de raiz do quinteto em Branco e Preto e fechar a madrugada com o show da Céu.

Planos mudam, ainda bem. E, lá pelo início da longa noite – leia-se 22h – o som do parque Vitória Régia me inquietou. É ao lado de casa, fui conferir. Estava começando o show do Rappin Hood.

Olhei de longe no começo pois, confesso, tenho um certo preconceito com o hip hop. Nunca me atraiu muito. Mas já na primeira música percebi que não conseguiria mais sair de lá. Meio que sem me obedecer, minhas pernas se mexiam e me levavam ao som daquela mistura de rap, batucada de samba e reggae. Enquanto as letras hipnotizam, o som conduz.

É uma música leve e pesada, ao mesmo tempo. A leveza do ritmo. O peso da realidade das letras do poeta urbano. Ritmo envolvente, que pesa. Os arranjos, muito bons. Surpreendentes, como o sutil som de revólver sendo engatilhado ao fundo de uma das músicas. Palavra dura, que envolve e faz dança.

A certa altura do show, estava eu lá no meio, braços pro alto, cantando “É tudo no meu nome”, que pra mim é uma das melhores músicas.

O rapper conversa o tempo todo com o público, como se fossemos antigos conhecidos. Todo mundo dança e canta.

Não tem como não se envolver. Não dá pra ficar parado.

Depois, ainda fiquei para o show do Clube do Balanço – e sim, o nome fala por si. Samba-rock. Animado, dançante, uma delícia. Planos mudam, conceitos também. Que bom. E quando puderem, assistam a um show do Rappin Hood.

Custos:

R$: 0,00
Por Carol Bataier

14.5.07

Exposição Temporária Sistema Respiratório ao Alcance de Todos

Gentem, recebi este e-mail do Museu de Anatomia da USP. Me pareceu bem interessante, já que se trata de esposição, cursos e palestras grátis (ou semi-grátis) sobre a saúde respiratória (bem propício a nós que vivemos em São Paulo).

As informações tão aqui, beijos e abraços
http://artefree.blogspot.com/2007/03/museu-de-anatomia-da-usp.html

Causos - De como a gente, sem querer, cria qualquer historinha

De como a gente, sem querer, cria qualquer historinha
por Carol Bataier

Eu no ônibus e lá fora uma chuvinha fina dessas que prendem a gente na cama em qualquer dia cinza. Mas por mais que minha vontade fosse essa, de nunca sair de baixo do edredon, é no ônibus que eu estava. Por que às vezes as minhas obrigações pesam e até criam voz própria. E elas conseguiram, me arrancaram da cama, com frio e cara amassada. Moleton, mochila e sono, fui pra faculdade. Aquele ritmo de ônibus, embalando meu sono de olhos abertos. O banco duro deixa tudo mais real. Sinal vermelho no meio do dia cinza. E eu olhando pela janela. E foi nesse momento que meu pensamento, feito borboletinha que vai sem a gente ter poder de segurar, passou pelo vidro respingado de chuva. Caiu lá fora, no dia cinzento, na chuvinha triste, passou pela rua, chegou na calçada. E lá foi ele pousar numa casinha de esquina, dessas com portão baixo, escadinha de dois degraus, varanda e porta de madeira. Casa de vó, dessas que às vezes tem até samambaia pendurada. E, pensamento-borboleta esse meu, feito uma delas, entrou sem pedir licença. Abusado, sem mesmo abrir a porta, passou. E quando percebi, estava ele lá na sala. Era eu que lá estava. Sala pequena, móveis de madeira, TV antiga, telefone idem, nada de muito moderno, nada muito branco ou prateado. Cortinas escuras, desenhadas, almofadas. E eu lá, deitada no sofá. A TV ligada num canal qualquer, porque o que importava não era a programação e sim aquela sensação que dá uma TV ligada, sabe? Eu embaixo do cobertor, olhando pra TV, sem entender e sem querer entender. Sentindo cheiro de bolo que vinha da cozinha. A chuva fina lá fora, o frio, nada me incomodava. Ao contrário, tão boa uma tarde dessas. Alguém na cozinha cantava, e isso só embalava meu quase-sono. E então o ônibus deu uma arrancada. A luz agora era verde. E lá vinha o pensamento voltando pra dentro do ônibus gelado. E meu deu uma angústia, uma quase nostalgia. É que qualquer realidadezinha amena fica um pouco mais pesada pra quem tem pensamento-borboleta.

Por Carol Bataier

13.5.07

Museo de la Solidariedad - SESI

Estéticas, Sonhos e Utopias dos Artistas do Mundo pela Liberdade

Fins da década de 60, início dos anos 70. O Chile vive um momento único em sua história. Enquanto a maior parte dos países da América Latina sofre com a ascensão das ditaduras militares, o Chile de Salvador Allende acolhe seus artistas, políticos, líderes estudantis e jornalistas exilados.

Nesse momento a inauguração de um museu no Chile com obras doadas por diversos artistas de todo o mundo representa a crença e apoio de todos eles à construção de um governo de esquerda democrático na América Latina, diferente dos modelos soviético e cubano.

Através das estéticas próprias de cada vanguarda ou movimento artístico, artistas que vão desde o espanhol Joan Miró até a brasileira Lygia Clark expressam seus sonhos e utopias pela liberdade , como o próprio nome da exposição já diz.

O museu é a materialização dessa liberdade. Plural, um espaço livre para expressão, através de diversas linguagens artísticas, de um ideal comum, que naquele momento histórico parece ao mesmo tempo possível - no Chile - e distante nos países em que esses artistas vivem, sob a sombra de ditaduras terríveis.

A exposição do Sesi conta com obras de abstracionismo geométrico e lírico, surrealistas, cubistas e também releituras de obras de artistas como Picasso e Warhol feitas por artistas latino-americanos, além de painéis e obras de artistas chilenos e argentinos ainda desconhecidos por aqui, mas não menos fascinantes ou relevantes.

O Museo de la Solidariedad traça um panorama muito rico das principais vanguardas do início do século XX, assim como de movimentos mais contemporâneos como a Pop-Art. Todos eles são reveladores para a compreensão, através da sensibilidade desses artistas, da situação que o mundo vivencia na segunda metade do século passado, bem como cruciais para o entendimento da arte contemporânea. Vale a pena.
Nota : 10
Custos : R$ 0,00 (carona para ir e voltar)

6.5.07

Pato Fu - Virada Cultural - 06/05/07


Fu Contact

Dez horas da manhã e o Pato Fu já estava no palco. Fernanda Takai e companhia fizeram um show de cerca de uma hora num Vale do Anhangabaú cheio, num centro da cidade convulsionado pela quantidade de pessoas que passavam por lá desde a noite do dia anterior.

Com formação de palco simples - guitarra, baixo, teclado e bateria - a banda conseguiu animar o público (um misto de fãs e curiosos) durante todo o tempo. Tocaram cerca de dez músicas.

A banda me surpreendeu por ser mais Rock´n Roll do que eu pensava. Um pop bem trabalhado, com riffs por hora pesados e alguns sons eletrônicos. Takai tocou guitarra em algumas músicas, em outras usava efeitos em sua voz (como na música Made in Japan).

O som da banda lembra bastante o do Mutantes. Lembra pelas linhas vocais, pelos riffs de guitarra. E a impressão foi confirmada pelo cover deles que fizeram: Ando Meio Desligado.

Fernanda Takai pulava de um lado para o outro, conversava com o público, deixava este cantar trechos inteiros da música - como em Sobre o Tempo.

Tocaram pouco, é verdade, mas tocaram as clássicas. O pessoal pulou o tempo inteiro, e a cada momento chegavam mais pessoas.

Nota: 9
Custos:
R$: 2,30 (ônibus ida e volta)
R$: 0,70 (café)
total: R$ 3,00

2.5.07

Voltamos!

O Arte Free voltou, e voltou com a corda toda!!! Em mês de mais uma Virada Cultural, o blog que te dá todas as dicas sobre arte gratuita em Sampa traz a programação completa do que está acontecendo na cidade. De graça, é claro!

Contamos com você para ir conosco nos shows, exposições, filmes e afins. Para nos dar dicas de programações e acompanhar nossas matérias aqui no blog!

Esse mês está recheado. Além da Virada Cultural, tem um festival Woody Allen no Sesc Santana, muito jazz nos Sescs por aí, além de uma programação de música eletrônica nas Fnacs e muito mais.

O destaque desse mês é o show do Velhas Virgens, na Fnac Pinheiros.

É isso aí! Bom estar de volta! Contamos com vocês para divulgar não só o blog, mas todas as coisas boas que estão rolando por aí!

Abaixo, a agenda da Virada Cultural. Para os demais programas, só clicar em PROGRAMAÇÃO!

beijos e abraços
Luciano

VIRADA CULTURAL
Programação da Secretaria Municipal de Cultura

dias 5 e 6 de maio

PALCO PRAÇA DA SÉ
18h – Alceu Valença (Espelho Cristalino 1977)
21h – Andrew Tosh (Jamaica)
0h – Nação Zumbi (Da Lama ao Caos 1993)
3h- Racionais MCs e convidados

PALCO BOULEVARD SÃO JOÃO/ANHANGABAÚ
18h– Aguiar e Banda Performática
20h- O Teatro Mágico
22h– Sergio Dias
0h– Clube do Balanço convida Erasmo Carlos
2h– Grooveria Eletroacústica convida Ed Motta
4h– Gerson King Combo
6h– Skowa e a Máfia (La Famiglia 1989)
8h- Karnak
10h – Pato Fu
12h – Premeditando o breque
14h – Língua de Trapo (Disco Azul 1982)
16h– Moraes Moreira e Armandinho (Cara e Coração 1977)
18h- Zélia Duncan

PALCO VIEIRA DE CARVALHO
18h- Os Cantores de Ébano
19h45- Evaldo Gouveia
21h30- Gafieira Brasil
23h15- Ângela Maria
01h- Cauby Peixoto
2h45- Fernando Ferrer (Cuba)
4h30- Samba de Rainha
6h15- Yara Marques (marchinhas)
8h- Traditional Jazz Band
9h45- São Paulo homenageia Antonio Rago
11:30- Ademilde Fonseca
13:15- Doris Monteiro
15h- Tito Madi (Balanço Zona Sul 1966)
16h45 – Orquestra Tabajara

PALCO BARÃO DE ITAPETININGA
18h- Percy Weiss
19h45- Tutti Frutti
21h30- Serguei
23h15- A Patrulha do Espaço
1h- Made in Brazil
2h45- A Chave do Sol
4h30- Golpe de Estado
6h15- Beatles 4ever (Magical Mystery Tour 1967)
8h- Rogério Skylab
9h45- Cólera (Pela Paz em Todo o Mundo 1986)
11h30- Ratos do Porão
13h15- Garotos Podres (Mais podres do que nunca 1985)
15h- Os Inocentes
16h45- Camisa de Vênus

PALCO DE DANÇA - ANHANGABAÚ
18h- Escola Municipal de Bailado –“Les Sylphides”
19h- Cia de Dança Ivaldo Bertazzo –“Milágrimas”
20h- Cia de Dança de São José dos Campos (FCCR) - ”Suíte Don Quixote” (R.Shei)
21h- Ballet Stagium “Dança Chico Buarque” (Gidali/Otero)
22h30- Cia Omstrab (Fernando Lee)
24h- Balé da Cidade de São Paulo – “Divinéia “ (Jorge Garcia)
1h- Grupo Raça – “Tango sobre Dois Olhares” (Roseli Rodrigues)
2h- Discípulos do Ritmo/ Frank Ejara e Convidados –Funk Fanáticos e Quemical Funk
3h45- Djembedon – Fanta Konate e Peti Mamandi
7h15- Moçambique de São Benedito de Cunha
8h30- Índios Pankararu – “TORÉ”
9h15- Pastoril “Grupo Ó de Casa”
10h- “Entranças“ – Grupo Balangandança
11h40- “Os Favoritos da Catira”
13h15- “Alma Portuguesa – Tudo isto é fado” (João Roberto de Souza)
15h15- “Os Meninos do Morumbi“
17h- Moçambique da Nova Gameleira”
17h30- “Congo Feminino da CABANA”

PRAÇA RAMOS
“CORPO INCRUSTADO II” - Célia Gouvêa
24h30
12h30

TEATRO MUNICIPAL
18h – Raul de Souza (Sweet Lucy 1977)
21h – João Donato (A Bad Donato 1970)
0h – João Bosco (Centésima Apresentação 1983)
3h – Jards Macalé (Farinha do Desprezo 1972)
6h - Central Scrutinizer Band (Overnight Sensation 1973/Frank Zappa)
9h – Germano Mathias (Ginga no Asfalto 1962)
12h - Sérgio Ricardo (Deus e o Diabo na Terra do Sol 1963)
15h – Zimbo Trio e Fabiana Cozza (O Fino do Fino 1965/Elis Regina e Zimbo Trio)
18h – Paulo Moura (Radamés 1959)

PIANO NA PRAÇA -D. JOSÉ GASPAR
18h- Nelson Ayres
20h- Debora Gurgel
22h- Amilton Godoy
24h- Leo Mitrulis
2h- Guilherme Ribeiro
4h- Christianne Neves
6h- Giba Estebez
8h- Andre Marques
10h- Nelson Bergamini
12h- Michel Freidenson
14h- Mario Boffa Jr
16h- Laercio de Freitas

CALÇADÕES -XV DE NOVEMBRO
PISTA 1
18h- dj Carlos d Justo
20h- dj Dabolina
22h- dj George Actv
00h- dj Maxwell
2h- dj Kammy
4h- dj Ramilson Maia
6h- dj Snoop
8h- dj Camilo Rocha
10h- dj Mara Bruiser
12h- dj Mau Mau
14h -dj Felipe Venancio
16h- dj Andy

PISTA 2
18h- Barizon
20h- Tati Sanches
22h- Corejoy LIVE
23h- Jokke Ilsoe (DINAMARCA)
1h- Shamanix
2h30- Demonizz
3h30- Duophonix
4h30- Fabio Leal
6h30- People
8h- Teen Sluts LIVE (MÉXICO)
9h- Rodrigo Leal
11h- Broken Toy LIVE (ÁFRICA DO SUL)
12h- Vidigal
14h- Visual Paradoxx LIVE (ISRAEL)
15h- Skulptor LIVE
16h- Gui Milani
18h- Propulse LIVE
19h- True to Nature LIVE (DINAMARCA)


IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DOS HOMENS PRETOS
Largo do Paissandu
Missa conga – 11 horas
Terno de Congo 13 de Maio de Goiânia - GO
Banda de Congo de Ibiraçu – ES
Moçambique da Nova Gameleira - MG
Congo Feminino da Cabana - MG
Moçambique de São Benedito de Cunha - SP

TEATRO E CIRCO NA PRAÇA DA REPÚBLICA
18h- Cia. Teatral Controvadores -Num meio dia de fim de primavera
19h30- Cia. Troue Serapiões -O rapaz que apanhou das moças por não saber namorar
21h- Clube da Sabotagem -A melhor fatia ou o que Doroti quer
22h30- Grupo Experimental de Teatro -Aquele que diz sim e aquele que diz não
0h- A Fornalha -A Praga
1h30- Grupo Alma -O Reveillon de 77 - O Apólogo do Pato Selvagem
3h30- Teatro da Diversidade -Vinicius, uma homenagem a mulher
5h- Grupo Quebra-Cabeça -A Armadilha
6h30- Serial Cômicos -A Farsa do Boi
8h- Cia. Tetral a Vaca Tossiu -Contos de Ferver o Mar Rei Valentim
9h30- Desencontrarios -O Ursinho que não Queria Dormir
12h30- Cia. Du Xuxu -Circo do Xuxu
14h- Inventa - Desinventa
15h30- La Mínima -Reprise
17h- Acrbático Fratelli -Circorreria

INTERVENÇÕES VOLANTES PELO CENTRO
Russo Jazz Band
Dobrados Desvairados -Lívio Tragtemberg
Pandurados na Cidade -ARES - Ateliê de Performance
Monociclo -Rodrigo Racy/Cicolando
TV Maluca/Risopatrulha -Rocokóz
Banda Palhaçal -Circo e Cia
A Folia Pede Passagem -Trup Trolhas
Guarda de Trânsito de Pessoas -Kerson Formis
O Fuscalhaço -Grupo Manifesta de Arte Cômica
Furufunfum Móvel –Furunfunfum
Teatro de Marionetes -Rafael Leidens
Auto-mútuo-conhecimento -Tânia Mello Neiva e Tatiana Tardioli
Alexandre Roit -Quixote
Pat e Lincoln –Bicicletas
Ivo 60 –intervenções
Fabio Phantom
Arkanus
Vinixsour Ghost
Al Santsu
Leeloosionist
Mágico Doug
Lui Rick
Mágico –Oz
Fogança -Abacirco

PALCOS CARDEAIS

GUAIANAZES -PRAÇA DE EVENTOS –ZL
21h- Rene Sobral
23h- Grupo Redenção
1h- Arlindo Cruz
3h- Leci Brandão

PEDREIRA -SETE CAMPOS -ZS
10h- É de Cantar e de Brincar -Cia. Do Miolo
12h- Ao Cubo
14h- Dudu Lima
16h- Cordel do Fogo Encantado
18h- Farufyno

PARADA DE TAIPAS -CAMPO DO CITY JARAGUÁ –ZO
10h- Histórias do Japão -Cia. Provisório-Definitivo
12h- Trilhas e Raízes
14h- Roto Roots
16h- Edu Ribeiro
18h- Expressão Regueira

PARQUE DA JUVENTUDE -ZN
10h- Canópolis- Patrulha Canguru
12h- Arruda Brasil
14h- Luiz Carlos Batera convida ‘Black Rio’ Original
16h- Rappin’Hood
18h- Almir Guineto


TEATRO NOS PARQUES

PARQUE DO POVO -TEATRO VENTO FORTE
14h- As 4 chaves
16h- A Centopéia e o Cavaleiro

PARQUE RAUL SEIXAS
15h- A Princesa Africana e a Cobra Leão -Grupo Mão na Luva

PARQUE GUARAPIRANGA
15h- Perfeição - quando a tempestade nasce das luzes –manicômicos

PARQUE JARDIM FELICIDADE
15h- É Nois na Chita –Namakaca

PARQUE SANTO DIAS
15h- Circo Navegador


CEU’s

ALVARENGA

19h – Jorge Mautner (aula show)
16h- Duofel

ARICANDUVA
17h - Naná Vasconcelos (aula show)
17h50 - Espetáculo: O fantasma em cena

BUTANTÃ
18h- Espetáculo: Zé da vaca
17h30- Chico César

CAMPO LIMPO
18h- Geraldo Azevedo

11h- Espetáculo: Idéia de jerico
14h- Espetáculo: O soldadinho de chumbo
16h- Banda vocal Persepton

CASA BLANCA
19h- Davi e Moraes Moreira
14h- Espetáculo: Um dia especial

CIDADE DUTRA
16h- Espetáculo: Dita o¬nça e Cabra Rita
15h- Maurício Pereira
17h50- Theo de Barros e Ricardo Barros

INÁCIO MONTEIRO
19h- Alaíde Costa
11h- Espetáculo: O Encantado Circo Estrela

JAMBEIRO
17h- Edgard Scandurra

MENINOS
18h- Fernanda Porto
10h- Espetáculo: A menina que descobriu a noite

NAVEGANTES
18h- Gabriel Moura
10h- Espetáculo: Simão e o Boi Pintadinho
16h- Tetê Espíndola (aula show)
17h50- Espetáculo: A Peleja de Deus e do Tinhoso Pru modi Cipriano

PQ SAO CARLOS
18h- Espetáculo: Gandhi
11h- Espetáculo: Cidade Azul
Tarde hip hop
17h50- Danilo Caymmi

PQ VEREDAS
18h- Tom Zé
15h- Espetáculo: O catador de lixo

PAZ
18h- Cida Moreira
15h- Adilson Godoy (Trios brasileiros)

PERA MARMELO
20h- Cidadão Instigado
16h- Chico Pinheiro

PERUS
18h- Jane Duboc (aula show)
15h- Espetáculo: Portinari Pé de Mulato

ROSA DA CHINA
18h- Eduardo Agni, Flavio Venturini e Mônica Salmaso
14h- Espetáculo: Terreiro de Folia

SÃO MATEUS
18h- Thaíde
10h- Juca Chaves

SÃO RAFAEL
18h- Gafieira São Paulo
10h- Espetáculo: Levadas da Breca
16h- Espetáculo: A Festa dos Pescadores

TRÊS LAGOS
18h- Zé Geraldo e No Stopa
14h- Espetáculo: Boi do Mato
17h- Espetáculo: Precisa-se de um mané

VILA ATLÂNTICA
22h- Nana Vasconcelos (aula show)
17h- Espetáculo: Brasil de Cabelos Brancos

VILA CURUCA
18h- Luiz Vagner
15h- Espetáculo: Tarde de Palhaçadas

14.3.07

Museu de Anatomia da USP

Palestras
26/05 - Tabagismo
Dr. João Paulo Becker Lotufo
16/06 - Qualidade de vida
Prof. Dr. Paulo Hilário Nascimento Saldiva
30/06 - Males que acometem o sistema respiratório
Dr. Rafael Stelmach
Profa. Dra. Maria do Patrocínio Tenório Nunes
14/07 - Alergias
Prof. Dr. Antônio Carlos Pereira Gomes

As palestras serão oferecidas aos sábados, às 14h00
150 vagas (a quem interessar possa)
Av. Prof. Lineu Prestes, 2415 - Edifício Renato Locchi
Inscrições gratuitas no site www.icb.usp.br/museu

Exposição Temporária
05/50 até 31/07
Atividades educativas sobre os males que acometem o Sistema Respiratório; experiências em que se trabalha o conhecimento deste Sistema, quebra cabeças em manta magnética, observações aos microscópios de células do Sistema Respiratório; observações de peças anatômicas do Sistema Respiratório sãs e patolóficas; dicas sobre Qualidade de Vida.

de 3as, a 6as. feiras: 9h, 10h30, 13h30, 15h
sábados, domingos e feriados: 10h, 11h, 13, 14,30
VISITAS DEVERÃO SER PREVIAMENTE AGENDADAS PELO TEL.11-3091-7360

INGRESSOS (para grupos de instituições escolares)
R$ 1,00 - aluno de instituição pública
R$ 3,00 - aluno de instituição particular

Avulsas
Durante a semana: R$ 2,00
A partir de 5 pessoas, obrigatório o agendamento prévio
Isenções: professores, alunos e servidores da USP
professores; maiores de 60 anos de idade

Oficinas didáticas - 19 e 20 de maio
19/05 - das 8h-12h e das 14h-18h
20/05 - das 8h-12h

Noções básicas sobre Anatomia Humana
Oficinas: sugestões de estratégias de ensino não formal

Público alvo: professores do ensino fundamental e médio
Inscrições gratuitas no site www.icb.usp.br/museu

25.2.07

Causos - De como você pode não perceber

De como você pode não perceber...
por Carol Bataier

É certo que a primeira vez que você viu aquele rostinho bonito nem pensou nesse mundo todo que havia por trás daquele corpo gostoso, daquele narizinho empinado.

Mal imaginou que a menina que dançava e ria pra todo mundo – ah!, uma exibida - poderia, numa tarde de sol, sair nua do chuveiro e pular direto no seu colo, molhada, abraçando com as pernas sua cintura, grudando a boca no seu pescoço entre mordidas e risadas pelo seu espanto, sua cara de bobo. Jamais pensaria, quando a viu sorrir e rir e sorrir novamente e o tempo todo, tão fácil, tão fútil, que ela poderia ser tão doce, tão meiga a ponto de te fazer sorrir também, assim, tão facilmente, só de olhar praqueles olhos que outrora você julgou maquiados demais, perdidos demais.

Você nunca imaginaria que agora passaria horas olhando aqueles mesmos olhos perdidos, ou acariciando seus cabelos enquanto tenta desvendar seus sonhos. De fato ela não fazia seu tipo. Não à primeira vista. Mas, também fato, que logo de cara te incomodou, senão você não teria reparado tanto em como ela segurava o copo ou conversava com os outros, e você não entendia bem o porque desse incômodo. Fez o possível pra ignorar, enquanto ela fazia o possível pra chamar atenção. Não só a sua, de todos, talvez, ela é assim mesmo. Ou era; porque agora ela é outra. Ainda guarda o mesmo sorriso, o mesmo jeito de dançar e de arrumar o cabelo quando sabe que tem alguém olhando. As roupas, talvez um pouco curtas demais, decotadas demais, também são as mesmas. E você pensa em como é possível alguém mudar tanto sem mudar nada. A menina é a mesma, mas agora você sabe que ela ama sol forte e chuva forte e que chora em despedidas, que tem medo de umas coisas bobas e enfrenta outras tantas tão mais perigosas. Que ela gosta de desenho animado e de filmes do Kubrick e ama a voz do Ney Matogrosso, sendo assim capaz de ouví-lo cantar Sangue Latino umas mil vezes seguidas. E então, de repente, você descobriu que adora aqueles olhos, aquela boca e aquelas mãos, ainda mais quando elas seguram bem forte nas suas, quase tentando atravessar seus ossos com as pontas dos dedos. E você mal imaginaria, naquele dia inebriado de cerveja e música, que hoje olharia pra ela com essa cara de bobo cada vez que ela te surpreende, e com essa cara de espanto (com uma pontinha de desespero) cada vez que ela diz, entre lágrimas, que não gosta mais de você. Porque agora você já não vive mais sem aquela voz rouca, aquelas músicas, aqueles livros, aqueles gritos, aqueles gestos, aquele jeito de dirigir o carro cantando e olhando o tempo todo pelo retrovisor. De repente a menina bonita que dançava te surpreendeu quando chorou num fim de tarde, quando cantou ou leu entre risos aquele trecho do Vinícius que diz que “eu sem você sou só desamor”; te surpreendeu por ser assim tão livre, tão capaz de abrir seu mundo pra um estranho chato como você . E você agora não se imagina mais fora desse universo tão diferente do seu, tão distante daquilo que você dizia querer... e tão aquilo que você precisava.

22.2.07

Virgínia Rosa – Fnac Paulista – 22/02/07

O perfume que roubam de ti

Era final de tarde quando entrei no Frans Café da Fnac Paulista. As mesas estavam cheias, e as cadeiras, que foram dispostas em frente ao palco (que fica ao lado do café), já tinham seus lugares, quase todos, ocupados. A luz do sol ainda batia pelos toldos de plástico do local, dispostos atrás de alguns computadores, quando sentei. No som, uma versão de “As rosas não falam”, de Cartola, em tango.

O lugar lotou, e muitos ficaram de pé. Logo reconheci os dois integrantes da banda de Virgínia Rosa - eram do grupo que tocou com Graça Cunha num show que fui na Casa das Rosas. O violonista e arranjador Dino Barione e o percussionista Douglas Alonso.

O palco estava armado de forma simples. Além da percussão e do violão, somente um copo de água instalado em uma mesinha de madeira pintada de preto. Com cinco minutos de atraso, o show começou. Sambas, basicamente, com arranjos bem estruturados e acompanhados da voz forte de Virgínia. As pessoas na platéia balançavam suavemente a cabeça com o batuque dos sambas

Muitos não conheciam quase nenhuma música das que estavam sendo apresentadas no palco, mas isso em nenhum momento foi problema. Como a cantora entoava as letras de forma clara, o público teve um prazer a mais. Descobria-se as músicas, assim como as poesias que traziam.

As pessoas na mesa continuavam a conversar normalmente. Quando Virgínia começou a cantar a música Sereno, percebi que o ambiente todo tinha, levemente, parado. As garçonetes, com olhares distantes e profundos, se esqueceram dos clientes para prestar atenção na música. Nas mesas, a maioria havia também parado de conversar para ver o que acontecia, enquanto alguns de seus amigos continuavam a falar sobre a vida, sem perceber que ninguém os ouvia.

A canção, escrita por Tito Pinheiro, era calma, serena como o próprio nome diz. De letra bonita.

Depois de apenas trinta e cinco minutos de show, tocaram a última música, e já saíam do palco quando o público pediu bis. Depois de perguntar ao povo da Fnac se podia, voltaram aos seus lugares e tocaram... As rosas não falam! Sim, aquele tango gostoso que ouvi logo que cheguei! Foram ovacionados por todos, e de lá Virgínia desceu para autografar cds.

Nota – 9

Custos:
Salgado – R$ 1,00
Transporte – Fui e voltei a pé

Set List:
1.Que bandeira – 2.Samba Torto – 3.Fado Morno – 4.Samba a dois – 5.Sereno – 6.Pressentimento – 7.Voltei – 8.Amado samba – Bis.As rosas não falam

18.2.07

De Corpo e Alma - CCSP - 15/02/07

A vida é assim mesmo

O dia estava esquisito, morno, mole e melancólico. Assim, indo a pé pelas ruas cheias de vento, cheguei ao Centro Cultural Vergueiro, às sete da noite, uma hora antes, para pegar o ingresso da sessão de cinema.

Ninguém por lá, sem fila. A bola da vez era uma peça de teatro, em promoção, a R$ 1,50. Ali sim, tinha fila, todo mundo sentado no chão esperando.

O filme que eu iria assistir faz parte do repertório do diretor americano Robert Altman, que morreu o ano passado aos 81 anos e dirigiu, entre outros, o inesquecível M.A.S.H.. O Centro Cultural Vergueiro começou a exibir os filmes de Altman, 19 ao todo, no dia 5 de fevereiro.

A sessão de De Corpo e Alma começou pontualmente às 20 horas e, quando terminou, a sensação mais forte era de que o filme não havia dramatizado o que interessava e também não dramatizara o que não interessava.

Parece complicado? Simples. Ali, mostrou-se essencial a relação entre a dançarina talentosa – mas que para sobreviver trabalha como garçonete em uma boate de balada - e o chef de cuisine. Porém, o romance entre os dois acontece de forma quase invisível, rápida, sem ruído ou conflitos marcantes, nos intervalos de um entorno multicolorido e semi glamuroso de uma companhia de dança – cujo trabalho ocupa a maior parte do filme.

A cena do Reveillon, quando Ry, a protagonista (Neve Campbell), chega em casa muito tarde e encontra o namorado dormindo, depois de ter arrumado uma mesa para os dois. Ela simplesmente deita-se ao lado dele no sofá e tudo bem. Tranqüilo, da vida.

Todas as situações que poderiam merecer, ou teriam chance de merecer, um ponto de tensão, seguem, quase ilesas. Altman deixa todas as deixas clichês se esvariem. Praticamente ninguém, por exemplo, interrompe o passo autoritário do diretor da Joffrey Ballet de Chicago, Alberto Antonelli (Malcolm McDowell, Laranja Mecânica) ele segue, também ileso. Sem drama. E da mesma forma, sem drama, são tratados os reveses do universo da dança, descontentamentos, rompimento de tendões, quedas...

Altman não coloca lente de aumento em nada, nem mesmo na apresentação dos espetáculos. E esse é o aspecto que mais chama atenção durante todo o filme.

De corpo e Alma vale para saber como o diretor desglamouriza o filme, do começo ao fim. O trabalho é competente principalmente porque se trata de um tema lotado de glamour

Nota 8

Custos
Fui e voltei a pé
Donuts – R$ 3,50

14.2.07

Arismar do Espírito Santo – Sesc Av. Paulista – 13/02/07

Cadê a Marreca?

Esperava na porta do camarim para que a produtora me trouxesse o set list com as músicas do show. Enquanto isso Arismar passeava calmamente, conversava com os músicos, tocava um pouco de violão. Faltavam vinte minutos para o show.

Figura grande, com andar calmo e pesado, nem parecia ser a estrela da noite. Caminhava de lá pra cá e conversava com quem o chamasse. Da fila, todos podiam vê-lo e muitos acenavam para ele. E o aceno era sempre retribuído. O músico estava vestido com calça e camiseta largas, ambas azuis.

Entramos todos para assistir ao show, e pouquíssimos lugares ficaram vagos. Durante a apresentação, não só os lugares vagos foram tomados como também as escadas.

Arismar do Espírito Santo é um dos melhores baixistas brasileiros, e do mundo também. Ao meu lado, falavam em espanhol. Atrás de mim, em inglês. Todos esperando para ver um bom show de música instrumental brasileira.

Pontualmente sete da noite, Arismar e a flautista Léa Freire entraram no palco. Depois de agradecer a presença do público, o músico sentou-se, pegou um violão de sete cordas e começou a tocar Luizinha.

Na segunda música, entrou seu filho, Thiago Espírito Santo – ótimo instrumentista que vem conquistando seu espaço no cenário musical –, o baterista Alex Buck e o saxofonista Vinicius Dorin. E o palco ganhou corpo. Interessante dessa música é que, logo no começo, ouvíamos um som de baixo, mas Thiago (foto ao lado), que estava com o instrumento, ainda não havia começado a tocar. O som vinha do violão de sete cordas de Arismar. Em suas mãos um violão pode se transformar facilmente em muitos instrumentos.

O show não começou com força total, mas foi esquentando. Na quarta música, Caiçara, pai e filho conversavam, e foi o momento em que o palco começou a pegar fogo. Enquanto Arismar continuava com seu violão de nilon, Thiago foi para um violão doze cordas. Diálogos incríveis, solos muito bons.

O Sesc gravava a apresentação, mas isso não interveio muito no desenrolar do show. Em nenhuma momento pararam para retomar uma música, ou as coisas que normalmente acontecem quando há gravações de shows.

Entrou o trompetista Daniel D´Alcantara que, com solos rápidos (por horas em exagero), deu novo fôlego às músicas. O set list era composto por temas que faziam parte do novo cd de Arismar, Foto de Satélite.

Uma das grandes e boas surpresas veio na música Tidinho. Arismar larga o violão e vai para a... bateria! Senta no banquinho da batera, que parece pequena perto dele, e dá um show. Viradas ótimas e riffs muito bem feitos.

Depois de cerca de uma hora e dez minutos de show, antes de começar a última música, Peixada da Lola, Thiago avisa Arismar: temos de refazer a música Cadê a Marreca. E Arismar avisa, sorridente, ao público: “Gente, vamos refazer a Marreca!!! Demais!”

No bis, Marreca. Melhor do que a primeira versão que havia sido tocada logo no começo do show. Saíram, mas o público, novamente aplaudindo de pé, fez com que voltassem.

Aí então a platéia não se conteve. Arismar pegou o baixo, e muitos comemoravam! As pessoas conhecem Arismar, principalmente, como baixista. E era a primeira vez na noite que ele e seu baixo se encontravam. Já havia tocado, naquela noite, violão de nilon, de aço, guitarra, bateria. Mas baixo, que é bom, nada.

Foi ridículo. O contrabaixo, nas mãos de Arismar, parecia brinquedo de criança. Fazia do baixo um violão, uma percussão, um baixo, uma guitarra. Acho que metade dos músicos presentes na platéia (havia muitos) ficou extremamente deprimida. Enquanto a outra metade não sabia onde colocar tanta felicidade.

Parecia platéia de show de jogo de futebol. As pessoas comemoravam trechos de solos, riam com as caras e bocas de Arismar. A banda ficou parada, assistindo, esperando a deixa para entrar. E ela não vinha. O baixista continuava a solar quando, de repente, deu a nota de entrada para a banda. Flauta, sax e trompete voaram para seus respectivos microfones, enquanto o publico caiu na gargalhada.

Nota – 9

Custos
Pizza – R$ 1,50
Transporte – fui e voltei a pé

Set List: Luizinha, O Filme, Cadê a Marreca, Caiçara, Tira a Mão, Vestido Longo, Vestido Longo, Varandão, Foto do Satélite, Tidinho, Serena, A Gueixa, Peixada da Lola

10.2.07

Velha Guarda da Camisa Verde e Branco – Fnac Paulista – 09/02/07

Samba com o manto sagrado

Vestidos de vermelho e branco, os Filhos de São Mateus acomodaram-se nas cadeiras dispostas em semi-círculo e começaram a tocar um samba. Eles são um grupo formado por jovens que acompanhariam a velha guarda. O péssimo som da Fnac atrapalhou, e atrapalhou muito. Quase não dava para entender o que os cantores diziam.

Depois da primeira música, chamaram aqueles a quem todos estavam lá para ver, a Velha Guarda da Camisa Verde e Branco. Vestidos com camisas brancas e coletes verdes, calças brancas e sapatos verde-brancos, os seis senhores espremeram-se no pequeno palco da Fnac e agradeceram ao público.

Não são palmeirenses, e seus produtores insistiram nesse quesito: “é uma escola de samba, não um time de futebol. E a maioria é são-paulina”. Apesar da decepção, continuei assistindo ao espetáculo que, se não primava pelo bom gosto futebolístico, primava pelo musical.

Canções daquelas de malandro, nas quais o sambista chega em casa altas horas da noite e tem que se ver com a patroa. Tristezas da vida, solidão e mágoas infindas. Exaltações da vida de pagode e cerveja, que leva em alegria a existência até o sol raiar. São o tipo de pessoas com quem você gostaria de estar num boteco por horas e horas a fio.

Enquanto os filhos de São Mateus tocavam os sambas, os vechi signori cantavam. A cada música um dos seis integrantes tomava as rédeas do microfone principal enquanto os outros ajudavam nos refrões. Ainda sim, o som abafado da casa nos deixava em grandes dificuldades para entender o que cantavam. Vale lembrar a banda não chegou a tempo para passar o som, então não se pode colocar toda a culpa na casa.

A Velha Guarda era formada por senhores negros vestidos de verde e branco. Todos, com disposição invejável, ensaiavam alguns passos de samba no pequeno palco, cantavam alto, puxavam palmas em todas as músicas, saiam do palco para ficar mais pertos do público. Quando o microfone de um deles parou de funcionar (fato que o deixou um tanto quando bravo, com razão), não teve galho. Levou no gogó a música e todos podiam ouví-lo, como se estivéssemos num bar.

Foram apenas quarenta minutos de apresentação para uma Fnac completamente lotada - tanto o espaço reservado aos shows quanto o café em frente. Ninguém sambou, pois o espaço não comportava, mas todos saíram de lá com um sorriso no rosto. Algo de mágico naqueles seis senhores vestidos com as cores do manto sagrado do futebol.

Repertório: Hino da Velha Guarda, Canto pra viver, baiana da Ribeira, Nata do Samba, Minha Preta, Quem censurar, Se fosse pra chorar, Sampa só samba, Se eu chorar, Quando, Lamento Negro, pot-pourri (sambas de enredo)

Integrantes da Velha Guarda: Dadinho, Nelson Primo, Airton Santa Maria, Mário Luz, Hailtinho, Paulo Henrique
Integrantes do Filhos de São Mateus: Emerson (cavaco), Leandro (Violão), Junior Alemão (repique), Tiago (pandeiro) e Hugo (surdo)
Produtores: Carmo Lima, Fernanda Thomaz

Custos:
Soda Italiana: R$ 3,10
Pão de queijo (cestinha): R$ 2,40
Transporte: fui e voltei a pé
Total: R$ 5,50

Nota: 8