31.5.12

DICA FREE:RICARDO HERZ NA FNAC DA PAULISTA

A forma como um violino se ajeita no corpo de quem toca já conta boa parte da história de ambos. Ricardo Herz faz gato e sapato do dele. Há muita confiança entre eles. E é dessa forma que saem os irreverentes sambas, chorinhos, xotes e o que vier. Uma delicia ouvir. Hoje, quinta, às sete e meia da noite, na Fnac da Paulista.

30.5.12

DICA FREE: POESIA NO CENTRO DA TERRA


Sarau do Centro da Terra traz a atmosfera do século XIX  e inspira-se em Noite na Taverna, livro Álvares de Azevedo - contos macabros, histórias de amor, lascivia e morte - para receber seus convidados. Durante uma hora e quinze minutos, Ricardo Karman e Sergio Basbaum e participantes reunem - se ao redor de uma mesa para beber e conversar, recitar suas poesias e cantar suas músicas. Começa as 20h30. No teatro do Centro da Terra. Hoje, terça 


29.5.12

DICA FREE: MESTRES DO CINEMA MEXICANO


Até o dia 3 de junho fica em cartaz a mostra Mestres do Cinema Mexicano exibida na Cinemateca Brasileira em parceria com o Consulado Geral do México em São Paulo. As estrelas da mostra são o diretor Luis Buñuel e o ator El Santo. Hoje, terça, em dois horários 19h e 21h os Anónimo Mortal e Subida ao Céu

28.5.12

DICA FREE:La caperucita roja







Hoje, segunda especial: o grupo cubano Teatro Nacional de Guinol faz única apresentação, no Espaço Sobrevento, com o espetáculoLa caperucita roja, às 8 da noite. Com uma bagagem considerável, mais de 150 titulos apresentados em mais de 20 paises,o grupo formado em 1963 é referência histórica no Teatro de bonecos de Cuba. Pela primeira vez no Brasil.

26.5.12

DICA FREE: NAU DE ÍCAROS E FILARMÔNICA DE PASÁRGADA


Muita coisa boa pra ver e ouvir no final de semana! Destaque para a Cia Nau de Icaros, com o espetáculo Menor que o Mundo, no Sesi da Paulista. Trabalho baseado na obra de Carlos Drumond de Andrade, fica até julho em cartaz, sábados e domingos às 16 hs. Hoje, sábado, tem também Filarmônica de Pasárgada, banda premiada formada por alunos da USP que apresenta composições de Marcelo Segreto. Às 16h30, Fundação Cultural Ema Gordon Klabin 

23.5.12

Música

A salvação está em Mumford and Sons?


Por Luciano Piccazio Ornelas
"Mumford and Sons é a salvação da música”. Ao ler esta frase em uma entrevista dada por Neil Young ao MTV News, pensei em uma série de coisas. Mas, sem dúvida, a primeira delas foi procurar na net e descobrir quem eram estes caras.


A minha busca não foi vã. Descobri uma banda como quem descobre uma flor bonita em um jardim abandonado, ou como aquele que encontra uma bela menina de olhos azuis em meio ao caos de São Paulo.

Baladas suaves, tocadas com fogo e instrumentalizadas com banjos, pianos, baixos, vocais dobrados em muitos momentos. Bateria, quando muito, em alguns momentos. A banda traz uma mistura de folk e rock, num ritmo de marcha que leva o ouvinte a prestar atenção às letras – como quando vai conduzindo o ouvinte até gritar baixinho “Awake my soul” (acorde a minha alma).


As letras, por sinal, são a cereja do bolo. Parar e analisá-las uma a uma é crucial a homens e mulheres que pretendem ser melhores seres humanos. Que tal pensar na frase “If only I had an enemy bigger than my apathy I could have won” (Se apenas eu tivesse um inimigo mais poderoso que minha apatia, poderia ter vencido”. E as letras são, todas, um grito para que acordemos. Mas um grito suave, como alguém que, sussurrando ao ouvido, lhe dissesse que o mundo está caindo.



A banda surgiu em 2007. Apenas em 2009 lançou seu primeiro álbum, Sigh no More. Em 2010 foram lançados nos EUA, e já conseguiram duas indicações para o prêmio Grammy. É mole? Fica a dica: Mumford and Sons, especialmente as músicas: Awake my Soul, Little Lion Man, White Blank Page, I Gave You All. (publicado no Area Geek)

DICA FREE

Zabumbão na Olido
Pra quem mora pelas redondezas da Galeria Olido, na av. Sao João, a pedida é o Trio Zabumbão. Fabio Freire Miguel na voz e zabumba, Acrísio de Sá na sanfona e José de Andrade no triângulo prestam homenagem ao Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Promete! Às 19h

20.5.12

Dia Internacional dos Museus

GUGGENHEIM, UMA IMENSA INSTALAÇÃO
Por Helena Piccazio


Desço ao hall do hotel, vou até porta e olho o céu: cinza. Olho o ar: molhado. Olho pra direita: é pra lá que eu vou. Caminho em direção à ponte de Santiago Calatrava em forma de espinha de peixe e a atravesso olhando ainda pra direita e ainda com aquele vento meio garoa meio chuva, bem chato.


Um elevador me leva até a rua de cima. Ando mais um pouco dando a volta no prédio super modernoso, passo pela enorme escultura de flores em forma de cachorro e leio na placa: Sarrera - Entrada - Entrance, com uma flecha indicando a escada. As três línguas da placa são basco, espanhol e inglês, me dizendo que cheguei ao Museu Guggenheim de Bilbao.


Hoje todo o museu que se preza, em todo o mundo, está com a entrada gratuita. Eu tinha só três horas, então escolhi o mais badalado, o principal cartão de visitas da cidade basca e por ser ele mesmo uma obra de arte do arquiteto americano Frank Gehry. A arquitetura do Guggenheim de Bilbao é tão famosa que para muitos críticos de arte o show de verdade é o edifício e nem tanto as exposições.


O prédio do Guggenheim se vê de longe, com tijolos de metal amarelado (titânio) que sugerem escamas de peixes, vidros enormes, formas que lembram embarcações navegando nos profundos 30 centímetros dos espelhos d'água que contornam o prédio. É lindo! Mesmo! É tão lindo dentro quanto fora, muitos balcões em formato de mezanino conectando os ambientes, aumentando ainda mais o espaço e permitindo a exibição de obras de formas e tamanhos bem variados e que podem ser observadas de diferentes ângulos.

Na sala que entrei em seguida, a mesma coisa. Bom, dizer sala não era o caso, um lugar imenso, um galpão gigantesco. Na minha frente eu só via estruturas marrons enormes, como se fossem paredes de metal ou madeira - até agora não sei. Eram bem altas e tinham entradas que, como portas, nos convidavam. Irresistível, entrei! 
Exposição "A Matéria do Tempo", com obras 
feitas entre 2000 e 2005, de Richard Serra, EUA
Na direção oposta, um menininho todo contente brincava com os pais dentro da obra de arte. Segui meu trajeto e entrei em outra e mais outra escultura até descobrir que cada uma das obras fazia parte de uma única instalação, incluindo os painéis lá da frente. No andar de cima, um balcão de onde se podia ver toda a instalação do artista Richard Serra: os desenhos e labirintos que esses painéis formavam.


No ambiente seguinte, obras carregadas de questionamentos ideológicos, políticos, econômicos e sociais. Gostei muito do trabalho do britânico Richard Long, chamado Bilbao Circle - Delabole slate, de 2000. Centenas de pedaços de ardósia formando um círculo enorme no chão. 


Círculo de Bilbao - Ardósia de Delabole (2000) 
de Richard Long
Fazendo parte da coleção do museu, uma série de obras de um pintor cujo tema, só depois fui saber, eram Lênin e Stalin. Mas essa não prendeu muito minha atenção. No segundo andar, acima da dupla russa, a sala da exposição principal "David Hockney: Una Visión Más Amplia". Assim que entrei, dei de cara com uma tela enorme e coloridíssima do Grand Canyon, uau! Lindo! O britânico sempre foi fascinado por paisagens e aqui encontramos 50 anos delas. E muita cor, uma explosão maravilhosa de cores! Fico em posição para fotografar o Grand Canyon e logo no primeiro clique avisam que não é permitido. Fazer o quê? Guardei a câmera, olhei o resto da sala, ainda mais uma vez o lindo e colorido Grand Canyon e fui para o próximo ambiente, onde era exibido um vídeo estranho. 


David Hockney, suas cores e seus vídeos
Hockney transportou a idéia da foto-colagem para a era digital. Utilizou filmadoras posicionadas em seu jipe e saiu registrando paisagens em diversas épocas do ano. O resultado foi apresentado em 18 telas arrumadas em 3 fileiras horizontais de 6 telas cada, uma grudadinha na outra. Ele também filmou bailarinos no seu estúdio, em 18 perspectivas diferentes. As de natureza são bem mais bonitas... e a idéia muito interessante. 


Em meio às cores, me deparo com alguns esboços em carvão, preto no branco. As cores que o artista utiliza são lindas, mas meu fraco por preto e branco é muito forte, foram os que achei mais bonitos. É... além de colorir bem, ele também desenha bem.


Alcanço os últimos trabalhos expostos e quando vou observá-los, algo me parece estranho no traço. Chego mais perto, mas que técnica é essa que a pincelada parece um traço de caneta, mas não é pintura? Cadê a legenda? Vou atrás da explicação escrita na parede: iPad. São desenhos feitos no iPad e impressos em tamanho grande. Gostei mais das pinturas pinceladas (ok, os desenhos em carvão...).


Hockney visto, vamos ao último andar saber do que se trata "El Espejo Invertido". Imaginava ali escolher um trabalho de espelhos para uma foto bem legal de abertura da matéria no Arte free, mas na verdade a obra que dá título aos trabalhos contemporâneos - a única usando espelhos - é um espelhão normal, mas gigante, dividido em 4, apoiados na parede. Me detenho na legenda da obra que discute a questão dos reflexos, o que você reflete, no que você se reflete, do espelho que continua a refletir a imagem, mesmo quando ninguém está ali refletindo intencionalmente sua própria imagem (Einstein discutiria isso). Mesmo assim não achei a obra do artista suficientemente forte para discutir a questão, cansei de me olhar no espelho e fui ver o resto. 


Mesmo pequena em relação à mega exposição do Hockney, a parte de fotografias da mostra tinha algumas experimentações interessantes, e uma linda foto de uma mulher muito negra amamentando dois bebês, envolta num tecido muito vermelho, sentada numa cadeira antiga de ébano. Fiquei tão impactada que esqueci de anotar o nome do autor. Em relação às pinturas gostei das duas obras de Antoni Tàpies e um quadro de um pintor catalão. Eu tinha visto tudo, ou quase. 


O Museu estava lotado com gente de todos os cantos, idades e jeitos. As pessoas que ali trabalhavam eram gentis. Gostei das exposições e saí de lá feliz em conhecer um Museu e um artista novos (David Hockney). Passei na lojinha para alimentar minha coleção de cartões postais, depois fui ver a famosa aranha, enorme escultura símbolo do museu e da própria cidade e olhar novamente o prédio do lado fora.


É... talvez aqueles que dizem que o grande atrativo do Museu Guggenheim de Bilbao é a arquitetura tenham razão!




Nota: 8
Custo: 1,90 euros (por 2 cartões postais, 0,95 cada um), fui e voltei à pé.

14.5.12

DICA FREE: EM SAMPA, CABE TODO MUNDO


Li no Estadão sobre a 10a Semana Nacional dos Museus. Animada, fui ao site da Secretaria  para pescar os museus da cidade que, na próxima sexta, dia 18, terão entrada gratuita e a programação especial com o tema “Cosmópolis: em São Paulo cabe o mundo”.
Participam da semana 1.006 instituições em 500 municípios, sob o olhar do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).
Abaixo a lista dos museus que abrem gratuitamente na sexta, em São Paulo. Peguei no www.museus.org.br

Arquivo histórico judaico brasileiro 
rua estela sezefreda, 76 - pinheiros

Casa da imagem de são paulo 
museu da cidade
rua roberto simonsen, 136-b - sé 

Casa guilherme de almeida - 
centro de estudos e tradução literária
rua macapá, 187 - perdizes

Catavento cultural e educacional
pça civica ulisses guimarães, s/n -
palácio das indústrias - parque

Centro cultural banco do brasil
rua álvares penteado, 112 - centro

Centro de memória fundação
dorina nowill para cegos
rua doutor diogo de faria, 558 - vila
clementino

Cric art
rua santo alberto, 395 - casa -
santo amaro

Espaço perfume: arte história
rua dr. emílio ribas, 110 - perdizes

Estação museu
rua da consolacao, 2825 - sala 141 -
cerqueira cesar

Fundação cultural ema gordon klabin
rua portugal, 43 - jardim europa

Fundação maria luisa e oscar americano
av. morumbi, 4077 - esquina com rua
joaquim cândido de azevedo marques -
morumbi

Instituto butantan
avenida vita brasil, 1500 - butanta

Memória do gás
rua capitão fautino de lima, 134 - brás

Memorial da inclusão
avenida auro soares de moura andrade,
564 - portão 10 - barra funda

Memorial da resistência de são paulo
largo general osório, 66 - luz

Mube - museu brasileiro da escultura
av. europa, 218  - jd. europa

Mube virtual
rua mauá, 836 - casa 33 - luz

Museu belas artes de são paulo
rua dr. álvaro alvim, 76 - vila mariana

Museu biológico do instituto butantan
av. vital brasil, 1.500 - butantã



Museu brasileiro da escultura
rua alemanha, 221 - jardim europa

Museu da abadia são geraldo
rua santo américo, 357 - portaria 3 -
jardim colombo

Museu da caixa
pça da sé, 111 - 6º andar - centro

Museu da educação e do brinquedo
av. da universidade, 308 - bloco b
sala 38 - butanta

Museu da energia de são paulo
alameda cleveland, 601 - campos elísios

Museu da imagam e do som
avenida europa, 158 - jardim europa

Museu da língua portuguesa
praça da luz, s/n - luz

Museu da pessoa
rua natingui, 1.100 - vila madalena

Museu de anatomia veterinária
prof dr plínio pinto e silva da fmvz-usp
av prof dr orlando marques de paiva,
87 - butantan

Museu de arte contemporânea da usp
av. pedro álvares cabral, 1301 -
ibirapuera

Museu de arte mágica, ilusionismo,
prestigitação e ventriloquia
rua silva bueno, 519 - cj. 42 salas: 1, 2, 3 e
4. ipiranga

Museu de arte moderna de são paulo
parque do ibirapuera, s/n - portão 3 -
ibirapuera

Museu de história dos
salesianos no brasil
largo coração de jesus, 140 - junto ao
santuário sagrado coração e liceu
coração de jesus - campos elíseos

Museu de microbiologia
av. vital brasil, 1500 - butantan

Museu de zoologia da usp
av. nazaré, 481 - ipiranga 

Museu do tribunal de justiça
praça clóvis bevilacqua, s/n - palácio
da justiça de são paulo - centro

Museu histórico
av. dr. arnaldo, 455 - 4º andar -
sala 4306 - cerqueira césar

Museu histórico do instituto butantan
av. vital brazil, 1500  - butanta

Museu judaico de são paulo
rua martinho prado, 128 - centro

Museu lasar segall
rua berta, 111 - sp - vila mariana

Museu oceanográfico
praça do oceanográfico, 191 - cidade
universitária - butantan

Museu paulista da usp
parque da independência,
sem número - ipiranga
 
Museu penitenciário paulista
av. gal. ataliba leonel, 556 - carandiru

Museu vicente de azevedo
rua dom luis lasagna, 300 - ipiranga

Musial - museu do instituto adolfo lutz
avenida dr. arnaldo, 355 -
edifício central - 1º andar -
sala 58 - cerqueira cesar

Paço das artes
av. da universidade, 1  -
cidade universitária

Palácio dos bandeirantes
av. morumbi, 4500 - sala 78 - morumbi

Pavilhão das culturas brasileiras
avenida pedro álvares cabral, s/n - parque ibirapuera - vila mariana

Pinacoteca do estado de são paulo
praça da luz, 2  - centro

Solar da marquesa de santos (mcsp)
rua roberto simonsen, 136 - centro




11.5.12

A poesia é risco: em defesa de Leminski


Por Bruna Piccazio

Tudo que há de Paulo Leminski me interessa. Principalmente seus poemas. E me chamou a atenção o fato de um livro dele, Catatau, estar inserido na programação da Casa das Rosas, durante a Virada Cultural.  Saber que ele seria lido na integra, durante algumas horas,me causou inquietação.

Às vezes, dentro de um poema inteiro de Leminski, uma ou duas palavras saltam do texto, libertam-se do conteúdo poético abordado e tornam- se significativas para mim. Estas poucas palavras realmente são transferíveis para os conteúdos de minha própria existência e reflexão.
Assim penso a leitura de um livro seu, usufruído lentamente, da maneira como algumas expressões e frases são organizadas por ele.

Fui até a Casa das Rosas, quis saber o que se passava e, por isso, fiz a seguinte pergunta a Frederico Barbosa, o diretor do Espaço e organizador do evento: "Fred, você  acha que todo mundo vai ficar  aqui sentado do lado de fora da Casa, das 22h da noite até as 10h da manhã ouvindo a leitura integral do livro?"

Ele que, também, e antes de mais nada, é um consagrado poeta,  deu risada, e disse que o Catatau é um livro especial e bem poético.  Disse ainda que não esperava mesmo que alguém ficasse do começo até o final. Imaginei, então, que, o propósito fosse proporcionar pequenos momentos de fruição para quem lá resolvesse assentar o traseiro.

A leitura feita por três jovens em microfones, vomitava o livro todo, sem parar. O que restava então era relaxar, e pescar algum  enredo. Na mesa dos leitores, café, guaraná e vinho.
Resolvi me entregar, pesquei os micro enredos que me importavam e viajei nas portas que se abriam para minha imaginação.

Na programação, o show do  compositor e produtor musical Cid Campos, filho do grande poeta Augusto de Campos, e sua banda. Segundo a descrição do evento: “A poesia concreta comparece com destaque através da musicalização e/ou oralização de poemas de Augusto e Haroldo de Campos, José Grunewald e Ronaldo Azeredo”.

De fato, percebemos, ao longo do show, a convivência harmoniosa entre letra e melodia em que ambas não ficam juntas a música inteira, uma cede à outra de vez em quando, criando-se, assim, uma impressão de espaço de declamação. Parece, até, que a poesia entra para descansar os músicos da porrada na bateria ou para descansar os ouvidos de todos da quantidade de notas musicais arranjadas para as músicas. Porém, a banda não perde o ritmo, seja dentro da melodia, ou  na cadência das palavras.

O trabalho do quarteto lembra muito as músicas de Tom Zé que têm essa relação com a poesia. Aliás, Cid Campos também trabalhou com Tom Zé, e, entre outros: Adriana Calcanhoto, Walter Franco, Péricles Cavalcanti.


Os passantes da Casa das Rosas e o público sentado nas cadeiras, dentre eles, crianças e velhos, ouviam de Cid Campos,de repente:  “estuprou o meu hímem” e muitas outras sinceridades poéticas dos grandes poetas.Que,aliás, deveriam ser consideradas palavras e conteúdos normais e usualmente abordados. Mas, não. Infelizmente.

A irreverência dos músicos é, na verdade, a irreverência da poesia e de suas críticas e denúncias. O que faz Cid Campos é dar voz à poesia, através da música, que, das artes, é uma das menos periféricas e uma das mais consumidas.

A apresentação foi um sucesso, na medida em que a poesia aflorou através da oralização e conexão de sons com palavras. O mais impactante e significativo que havia ali eram as palavras. O show foi feito a partir dos três Cds de Cid Campos: Poesia é Risco, No Lago do Olho e Fala da Palavra. O músico participou, também, dos grupos: Papa Poluição, Sexo dos Anjos, Zipertensão. 


5.5.12

EXPLOSÃO CULTURAL NA MADRUGADA PAULISTANA!

Olá todo mundo!

Hoje São Paulo ferve até amanhã!

São milhões de coisas pra ver e ouvir das 18h de hoje até depois das 18h de amanhã (5 e 6 de maio, esse fim de semana). Tem arte de todo o canto do mundo! E em todo canto da cidade! E como tem realmente muita, mas muita coisa mesmo, a agenda deles não coube na nossa e aqui vai o link para o site da Virada Cultural 2012, onde se encontra a programação completinha dessas intensas 24 horas
Mas como maio não tem só os dias 5 e 6, dá uma olhadinha na nossa agenda pra saber o que tem de bom em Sampa no resto do mês. E certifique-se de que a casa esteja fornida de muito café no dia 7, segunda-feira de manhã...
http://www.viradacultural.org/

30.4.12

Angeli: Invasão, bem mais que Ocupação


Por Claudia Piccazio

No mês passado Angeli, um dos mais importantes cartunistas brasileiros, desembarcou no Itaú Cultural com 900 de seus trabalhos para a exposição de nome Ocupação cuja proposta é revelar o processo criativo do artista.
No caso de Angeli, mais que uma Ocupação, pode-se dizer que foi uma Invasão. Ao entrar nos 100 metros quadrados da mostra, tive a impressão que, segundos antes, centenas de meninos liberados para usar o estojo, desenharam ao mesmo tempo e freneticamente nas paredes, móveis, portas e janelas até acabar o último pedacinho em branco. 

Ponto para a arquiteta Carolina Guaycuru e para a cenógrafa Flavia Rabatt que com o excesso conseguiram recriar o estúdio do cartunista, mostrar a ligação com o trabalho, a intimidade de sua arte e principalmente a ideia da gigantesca produção iniciada aos 14 anos, em 1970 – são mais de 30 mil obras ate hoje.

Vieram todos, Rebordosa, Bob Cuspe, Mara Tara, Skrotinho, Wood  Stock, Rhalah Rikota, Edi Campana, Benevides Paixão, Ritchi Pareide, Rampal, Bibelô, Walter Ego, Osgarmo, Rigapov, Hippo-Glós, Vudu; Los Três Amigos e a série "Angeli em crise", entre outros. Eles ficam em toda a parte: saltam do fundo das gavetas, entram na velha geladeira vermelha e se escondem no picante Jardim das Delicias,um quartinho que, para ver ilustrações, há que ser voyer.

Vieram as charges políticas, o material pouco conhecido do público registrado em cadernos de esboços, fotonovelas da revista Chiclete com banana- lançada em 1983, chegou a vender 110.000 exemplares. Além de cartazes e desenhos exibidos em outras mídias. Muito, muito bom!  
Descubro ainda, assistindo um dos vídeos, que o cartunista com jeitão de “não to nem ai” é mega metódico, gosta de apurar o desenho, refaz várias vezes os projetos e não vai para o papel sem seu lápis “que eu escolhi e que eu uso diariamente, tem o jeito de colocar o pote de tinta... Se tirar um livro da pilha parece que me desestrutura um pouco”.

Confessa, sem pudor, seu amor pela prancheta “a prancheta é a minha casa. Eu até almoço e janto na prancheta, são poucos os momentos que eu me desgrudo dela”. 

Para a sorte de todos nós, os que já viram e podem ver novamente - e os que ainda não viram, Angeli e sua tropa estarão mais alguns dias em cartaz, até 06 de maio. 

Dá para fazer um esquenta no http://www.itaucultural.org.br/ocupacao/



24.4.12

Camille volta às origens em novo disco


Por Luciano Piccazio Ornelas
Se você é daqueles que gostam de músicas bem comportadas, não continue a ler este post. Camille Dalmais, cantora francesa na casa dos 30 e poucos, vem desde 2002 encantando o cenário musical com suas composições um tanto quanto incomuns.
A parisiense fez parte do Nouvelle Vague e tem um groove que mistura new wave e bossa nova (já gravou com o grupo de percussão brasileiro Barbatuques). Em 2007, compôs a música Le Festin para o filme Ratatouille.Com belas hamonias, letras intensas e umaloucura fora dos padrões, Camille acaba de lançar seu quarto álbum de estúdio, Ilo Veyou. Após dois discos de qualidade indiscutível(Le Fil e Le Sac des Filles), e um apenas bom (Music Hole, que seria melhor se cantado em francês), conseguiu voltar ao caminho que a consagrou.
Ilo Veyou começa bem comportado. A primeira parte do álbum, linda, mas certinha demais para Camille, vai deixando os fãs com certo nervosismo. Aos poucos a francesa volta às origens. Quando ela imita um galo, já mais para o final do disco, aqueles que já a conhecem de outros carnavais ficam mais tranqüilos. É a música 11 (La France), na qual faz uma crítica divertidíssima ao seu país, em que cita até Luke Skywalker!
Há muita coisa para se recomendar quando se trata de Camille. Pegar os discos e ouvi-los do começo ao fim é sempre a melhor opção. Mas, para um tira-gosto, eis algumas dicas: La jeune fille aux cheveux blancs, Pâle Semptembre, 1 2 3, Le Sac des Files, La France.
Ouça uma música do show Live at Trianon, lançado em 2006

23.4.12

Amy MacDonald: A nova geração da música de qualidade


Por: Luciano Piccazio Ornelas
Zapeando pelo YouTube nestes últimos dias, tive uma grata surpresa: Amy MacDonald. A cantora escocesa, de apenas 25 anos, é dona de uma voz contralto que lembra Dolores O'Riordan, vocalista do Cranberries.

Apesar de ter lançado somente dois álbuns, Macdonald já revela personalidade musical própria. Com baladas interessantes e um ritmo pop-rock daqueles que agradam desde a primeira “escutada”, tem conquistado terreno no universo midiático: ganhou discos de ouro ou platina em nove países, e já participou de festivais como o de Glastonbury e o Hyde Park Calling.

Há músicas boas e algumas pérolas. Dentre elas, recomendo fortemente Spark, Let´s Start a Band, Mr. Rock and Roll e Caledonia.


matéria postada no blog Area Geek www.areageek.com.br 



21.3.12

DICA FREE DO DIA

Hoje, quarta, às 9 da noite, os fãs de Clara Nunes poderão assistir ao show que a sambista Carolina Soares fará em homenagem à cantora. No teatro Cacilda Becker.

27.2.12

DICA FREE DO DIA


Toda a ultima segunda do mês, a Cinemateca Brasileira exibe filme e debate sobre a condição humana,a vida e sua terminalidade, na sessão Averrões. Hoje, às 19h, é a vez de Biutiful, um filme do mexicano Alejandro González Iñárritu que conta a história de um homem coordena negócios ilícitos, possui o dom de falar com os mortos e descobre que está com poucos meses de vida. O debate é com  Kleber Lincoln Gomes, Dalva Yukie Matsumoto E Milton Bellintani.     

15.2.12

SETE VEZES EM SÃO PAULO

AS METRÓPOLES, NOS PINCÉIS DOS ARTISTAS


Por Claudia Piccazio 


Como sempre a sala de exposições da Caixa Cultural do Conjunto Nacional, na Paulista, pega a gente de surpresa. Lá, até dia 4 de março, estará a mostra 7X Cidades. Com obras de sete artistas brasileiros, três deles moram em São Paulo, Gregório Gruber, Marilda Passos e Rubens Ianelli; um em Ouro Preto, Carlos Bracher; dois em Goiania, G Fogaça e Marcelo Solá e Laura Michelino que mora em Paris.

Todos talentosos e todos artistas, fazedores de Arte quando pensamos em Arte como a expressão de seu tempo. As telas azuis de Fogaça, logo na entrada, atraem por uma explicita beleza na exibição de cores que junto às agitadas pinceladas interpretam o caótico de uma metrópole. Sem nuances. Está tudo ali.

Dentro da galeria, o primeiro impacto com o trabalho de Marcelo Solá. Poucos traços. Ele utiliza a escrita nas telas como forma de revelar o transbordamento das cidades misturado ao transbordamento de quem as habita e assim estão lá representados o “Ministério das Relações Obscuras”,  “O Centro de Referência do Nada”, "Ínstituto Lesera”, “Centro Bipolar Neuza”, “Lexotania”. Muito bom, o meu preferido.

Na verdade, as obras dos sete artistas são belíssimas. Marilda Passos e suas telas sofisticadas em tons amarronzados amarelados perscrutam o movimento das construções. O olhar frio, gelado, geladíssimo de Gregório Gruber a denunciar o eco vazio das cidades, ou as cidades em seus momentos mais intimos. Carlos Bracher, ao contrário, fantasia a cidade em cores, como se fosse um cortejo de maracatu.  Rubens Vaz Ianelli, alegre e lúdico trabalha de maneira minuciosa as cidades perdidas e  finalmente Laura Michelino mostra, em aquagravuras, a massa e vigor de que são feitas as cidades para que possam sobreviver.

É importante visitar esses trabalhos e se deixar perder um pouco entre eles. A gente sai de lá com esperança, porque há gente boa, fazendo coisas boas, pelo momento em que vivemos.  


Custo: Nenhum,estava de passagem
Nota: dez

11.2.12

DICA FREE DO DIA

Daqui a pouco, às 18h, a  Companhia Mundana entra em cartaz  com  O Idiota, de Dostoievski, na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Bom programa!

10.2.12

DICA FREE DO DIA

Depois do calor, depois da chuva, lá pelas 10 da noite tem apresentação do Seychelles no Studio SP.

9.2.12

DICA FREE DO DIA


Hoje, quinta, no mesmo lugar e no mesmo horário, dança e música, a escolher. Na Galeria Olido, às 8 da noite,  Dos Prazeres com a Cia. de Teatro e Dança e a apresentação musical da cantora Célia Nascimento.

6.2.12

DICA FREE DO DIA

O Quinteto Vento em Madeira se apresentará hoje, segunda, às 19h, no SESC Consolação. Além do trabalho autoral, Léa Freire, Teco Cardoso, Tiago Costa, Fernando Demarco, Edu Ribeiro homenageiam músicos brasileiros como Moacir Santos e Nélson Cavaquinho. 

5.2.12

DICA FREE DO DIA

L' Illustre Molière

A Construção


Até as 19h30 de hoje, domingo, o tempo deverá ter refrescado. Uma chance para ir ao teatro. Na Caixa Cultural São Paulo está a peça  A Construção, no Club Noir, às 20h, será encenada Bruxas e, no mesmo horário, L' Illustre Molière, Teatro do SESI. No Espaço Elevador, às 21h, estarão os alunos das cênicas da Unicamp apresentando Antígona.