16.8.06

Degas - Masp - 15/08/06

Um movimento inesperado...

Terça-feira, metrô parado, Avenida Paulista, também parada, com o trânsito parado. As pessoas, paradas, ficam irritadas dentro de seus automóveis parados, provavelmente ofendendo os funcionários do metrô, que pararam de trabalhar por não concordarem com medidas governamentais - que não vem ao caso explicar aqui, já que greve, infelizmente, não é considerada arte pela maioria.


É neste parado dia que o Masp exibiu a exposição de um dos precursores do estudo do movimento na pintura, Edgar Degas. Gratuita pela última terça-feira.

Ao chegar à Paulista, depois de comer no McDonalds (que, comentário à parte, também podia ser gratuito), fui ver a exposição. Nunca tinha entrado no MASP, e confesso que gostei da primeira impressão; e de todas as outras que estavam por vir.

A montagem da exposição foi feita de acordo com a cronologia de Degas, sendo que no primeiro sub-solo estavam os quadros de sua formação. Ali, viam-se remontagens de temas clássicos, seguindo características de pintores considerados mestres do artista francês.

Em meio aos quadros, explicações a respeito da vida do autor, da obra, ou peças contemporâneas ajudavam os leigos (como eu) a entender melhor as pinturas. Dois quadros me chamaram atenção, um de Émile Zola, escritor naturalista francês, e outro de Toulouse-Lautrec.

No segundo sub-solo estava a melhor parte da obra do autor. Ali, via-se o “impressionista” Degas: as bailarinas, o nu, as corridas de cavalo, os recortes e ângulos inesperados e as cenas de bordel – que eram as melhores por serem retratadas, primeiro com uma naturalidade e espontaneidade, segundo por lembrarem uma fotografia (uma novidade da época do pintor).

Deu vontade de viver nessa época. O movimento dado por Degas passava a impressão de que estávamos dentro do quadro, acompanhando a cena.

Enquanto via as pinturas das prostitutas francesas, notei algo curioso: meninas de quinze anos passavam por estas obras com um medo esquisito, um certo tipo de nojo. Notei também, além das donzelas com pudores, que havia um grande número de estrangeiros no museu.

Por fim, saímos, eu e minha amiga, da exposição - mas não por isso paramos de comentar sobre os quadros que, graças à forma de cotidiano simples e movimentos retratados, ficam tão familiares. E o melhor disso tudo é que tínhamos bastante assunto pra falarmos durante a demorada volta, com o transito parado.

Custos
Lanche - R$ 8,90
Ônibus - R$ 2,00
Total -
R$ 10,90

Nota 8,5

Matéria de Paulinho Bastos
(Imagens retiradas do site do Masp)

Um comentário:

Maria Fernanda disse...

A matéria sobre a exposição de Degas ficou ótima, mesmo pq a "amiga" citada no texto foi quem levou o autor para a exposição rs É Paulinho, até q vc dá um bom jornalista haha vale lembrar q Degas, Lautrec, Monet, entre outros frequentavam o encantador bairro boêmio de Montmartre! A vida boêmia, o bordel, as "putas"..isso sim é arte! rs