1.9.06

Escritores nas Fronteiras – Galeria Olido - 31/08/06

Do lado de lá

Interessante foi a palavra mais adequada que consegui escolher para o documentário “Escritores nas Fronteiras”. Muito foi a palavra que não quis se desvincular do adjetivo. Muito interessante.Uma proposta corajosa e diferente em que oito escritores de diversas partes do mundo – entre eles o português José Saramago – foram convidados a fazer um diário de bordo em território palestino.

O documentário conta com imagens fortes da invasão israelense e diálogos marcantes entre os escritores e Mahmud Darwish, poeta palestino cujo centro cultural que dirigia e sua casa foram destruídos pelo exército, em 2003. Mahmud vive hoje foragido na França.

Como a exibição do filme fazia parte de uma programação voltada à cultura árabe, o documentário propunha uma visão diferente daquela, geralmente, fornecida pela mídia. Obviamente não se trata de um filme imparcial que apenas quer retratar os fatos. A intenção, embora não seja panfletária, é propor um deslocamento de foco mostrando a realidade dos árabes que vivem em condições precárias na Palestina. Há uma mistura, bastante equilibrada entre depoimentos de pessoas fanáticas e, por exemplo, reuniões com a Organização de Paz. No entanto, suponho que a maioria dos 25 espectadores que assistiram ao documentário na sala Olido eram ligados à cultura árabe. E entre eles, duas fileiras atrás de onde eu assistia, um homem bateu palmas assim que terminou o depoimento fortemente apaixonado de um árabe.

O filme tem uma seqüência direta e criativa de imagens muito bem encaixadas com as falas dos escritores. Bons momentos aconteceram quando a tela ficava sem imagem, somente com a fala de algum dos escritores dando sua opinião com relação a situação palestina. O cinema ficava todo escuro, apenas com as legendas amarelas no canto inferior da tela e a voz do escritor ecoando até que fosse cortada por alguma imagem forte e mais real do que o lirismo com que eles narravam.

Com teor político bem construído, o filme me fez sair do cinema com curiosidade e interesse quanto à questão Palestina. Ainda que naqueles pouco mais de 80 minutos tenham sido passados a partir de uma visão árabe, o documentário deixa espaços para questionamentos e indagações. Não se trata de uma opinião formalizada em documentário, é, antes de tudo, uma denúncia. Talvez o segredo de um bom documentário seja exatamente esse: o de prender a atenção e suscitar o interesse do público nas questões abordadas.


Custos
Transporte – R$ 2,10 (ida de carona e volta de metrô)
Total – R$ 2,10

NOTA – 9,0

Matéria por Fernanda Almeida Silva

5 comentários:

Claudia disse...

Parabéns Fernanda!

Igualmente interessante foi o seu olhar

Gaia disse...

bom texto
boas observações
mas faltou aquela nossa edição! hehehehheh (nããããão!)

Carol Splendore Cameron disse...

nossa fe... gostei muito do texto.
Estou indo conferir outro documentário da mostra.
Trocaremos figurinhas.
Um beijo

Anônimo disse...

Muito bom! Parabens! Fiquei com vontade de ver o documentario.

Abraco, Helena Piccazio

Anônimo disse...

Muito bom! Parabens! Fiquei com vontade de ver o documentario.

Abraco, Helena Piccazio