
Corredor Literário. São Paulo é a Avenida Paulista, e a Avenida Paulista se volta para a literatura. São sete horas da noite, Fnac Paulista, e um café lotado de pessoas que esperam para saber: Clarice Lispector foi jornalista?
Era uma palestra com Aparecida Maria Nunes, autora de Clarice Lispector Jornalista, com Nadia Batella Gtlib, especialista em Clarice, e com Almir de Freitas, editor de literatura da revista Bravo!, mediador da conversa.
Depois das devidas apresentações de um nervoso mas simpático Almir de Freitas, que começou se desculpando pelo atraso de meia hora, Aparecida falou. Começou a contar sobre o modo como Clarice Lispector encarava o jornalismo, o que escrevia, como escrevia.

O trabalho jornalístico em sua vida começou antes do trabalho como escritora. Assim como a grande maioria dos que pretendem ser literatos no Brasil, Lispector teve de se render ao jornalismo.
Segundo Aparecida e Nadia, apesar de Clarice odiar o trabalho jornalístico, se esmerava ao máximo para fazer bons textos, e conseguia. Lispector, além de escrever, diagramava a página e a entregava pronta para o editor.

Um dos grandes motivos da aproximação de Clarice Lispector junto à imprensa era o de tentar uma publicação, uma notoriedade. Nota-se, desde cedo, um jeito artístico de tratar os textos femininos: “ela tinha um olhar Paris”, ou “aquela cintura que parecia fina”. A escritora ia sempre contra o que se chama de ditadura da beleza.
Certo dia perguntaram à Clarice: porque você escreve? (já que parecia sofrer sempre e muito ao fazê-lo). A resposta? “É uma tentativa de entender o que estou querendo dizer”.
Custos:
Café e pão-de-queijo: R$ 1,20
Transporte: fui e voltei a pé
Nota - 8
Um comentário:
É sempre bom saber sobre Clarice Lispector. Ela batia todos aqueles textos maravilhosos sentada no sofá de sua sala, com uma pequena máquina de escrever no colo.
Lindo, não?
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