4.7.06

Por Ti América – CCBB - 04/07/06

Arte Pré-colombiana no centro (exposição)

Uma tarde calma de terça-feira com algo de especial. Viajar alguns séculos no passado e reviver, por meio de objetos, as civilizações pré-colombianas; em especial, astecas e incas. Pensando nisso, fui visitar a já tão comentada exposição Por Ti América, no CCBB.

Ao entrar no prédio, duas enormes esculturas de pedra deitadas no chão nos acompanham até outra duas, menores. Olhando a primeira vista, parece que são pedras tumulares, algo relacionado à morte; mas não. Se referem a jogos, que serviam aos mais variados objetivos, como a celebração da guerra, a celebração dos deuses, para apostas, etc. Neste andar vale a pena prestar atenção aos belos detalhes de uma pequena estatueta mesoamericana de nome “O jogador de bola”.

Subindo as escadas, logo no primeiro andar, há uma reprodução interativa da pedra do sol – objeto formado por vários pequenos desenhos. Em cada desenho que você clica no monitor aparece na tela projetada na parede um vídeo com o seu significado. Uma forma inteligente de explicar a todos, grandes e pequenos, o que quer dizer cada imagem da pedra do sol. Ali encontrei, totalmente entretido e sem conseguir esconder um sorriso de satisfação pelo novo brinquedo, Thomas (fig. 3). Acompanhado de sua mãe, Lisandra, o menino somente desviava os olhos da tela para apertar novos botões, novos significados.

Ao deus Tenochtitlán, com carinho
Muitos vasos estão expostos nos andares superiores, assim como instrumentos musicais e pedaços de tecidos. Há no segundo piso uma obra em especial, um altar ao Templo Mayor de Tenochtitlán (fig. 2), além de uma oficina que, através de agendamentos prévios, organiza turmas para visitas orientadas e prepara um tipo de jogo de dominó para os participantes, com ilustrações mesoamericanas. A partir de cada figura, eles dão as explicações correspondentes. No terceiro andar se encontram máscaras, incensários, ocarinas e outros artefatos usados em batalhas rituais e sacrifícios.

O fino da bossa
Mas o melhor do Por Ti América não fica em nenhum destes três pisos. É no subsolo do prédio que estão os objetos de maior significância. Logo de entrada, vemos um quipú exposto. Podemos não entendê-lo de cara (na realidade sua forma de registro é até hoje um mistério para os pesquisadores), porém, o que se sabe sobre ele já é o suficiente para que o olhemos com respeito. O quipú era o sistema a base de cordas e nós usado como principal instrumento do Império Inca para registrar suas informações. Contém dados estatísticos relacionados com o registro de censos, contabilidade tributária e outras informações numéricas similares, além de registrar histórias e genealogias, poemas e canções. Sem letras, sem números, só nós.

Além do quipú, há um Códice Bórgia (fig. 1). Muito superior ao ocidental, o códice era o calendário mesoamericano e, provavelmente, foi o legado mais impressionante que estes povos nos deixaram. Um calendário de 360 dias corria junto a um de 260 dias, que ia junto a um de 13 e outro de 9, cada um com funções e significados diferentes. A cada 52 anos solares havia o enlace dos ciclos, onde todos os calendários se encontravam. Foi exatamente num destes enlaces que chegou Cortés, o grande conquistador Espanhol que mudou o rumo daquele continente.

Neste andar também há uma série de objetos pessoais expostos, quase todos em ouro puro: grandes brincos (alguns modelos deles estão muito em voga ultimamente), pingentes, peitorais, máscaras e até narigueiras.

A exposição é clara, ilustrativa e didática. Mais para iniciantes do que para iniciados, traz textos explicativos espalhados pelo prédio que por vezes valem mais do que os próprios artefatos.

Detalhe
Quem foi ou vai à exposição para se aprofundar em conhecimentos, talvez se desaponte com coisas como a falta de um códice original (há apenas uma reprodução fac-símile) ou pelo fato de haver apenas um único quipú, pequeno em relação a alguns encontrados nos últimos anos. Porém, para quem viaja pela primeira vez no universo destes povos pré-colombianos, a exposição certamente não decepcionará. Thomas que o diga.

Curadoria: Marcia Arcuri

Custos:

Ônibus ida e volta – 2 reais no bilhete único de estudante
Café e pão de queijo – 2,10
Total – 4,10

Nota: 7

Vai até 16/07
(Clique nas fotos para vê-las ampliadas. Todas as imagens desta matéria são propriedade exclusiva do Arte Free)

Um comentário:

itsez disse...

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